Lançada pela Netflix em 26 de março de 2026, a minissérie Os Casos de Harry Hole fecha sua primeira temporada com uma combinação de revelações chocantes, confrontos brutais e a certeza de que a corrupção em Oslo ainda respira.
Nos nove episódios, o detetive criado por Jo Nesbø encara assassinatos ritualísticos, conflitos internos e a sombra de um colega que personifica todo o medo dentro da corporação. A seguir, destrinchamos ponto a ponto o desfecho.
O verdadeiro rosto por trás do pentagrama
A grande incógnita da temporada recai sobre o chamado “assassino do pentagrama”. Ao longo da investigação, pistas macabras e dedos decepados constroem a impressão de um serial killer guiado por forças sobrenaturais. No entanto, o episódio final vira o jogo ao mostrar que Wilhelm “Willy” Barli encenou cada detalhe para encobrir um crime passional.
Willy mata a própria esposa, Lisbeth Barli, após descobrir o caso dela com Martin Aminov. Para desviar a atenção da polícia, converte o homicídio em espetáculo: o símbolo de cinco pontas justifica a remoção de cinco dedos, um de cada vítima secundária, e deixa rastros que empurram a investigação para um suposto ritual ocultista. A teatralidade, portanto, não passa de cortina de fumaça para um ciúme mortal.
Como Harry Hole desmonta a farsa
A virada acontece quando Harry reavalia um dos dedos enviados à delegacia e encontra vestígios de sementes de funcho. A descoberta liga o assassino a uma refeição específica, elemento banal que nenhum ritual exigiria. A partir desse detalhe, o detetive percebe que o padrão simbólico foi construído a partir de conveniências cotidianas, não de crenças demoníacas.
O confronto final entre os dois ocorre na residência de Willy. Lá, o detetive encontra o corpo de Lisbeth escondido dentro de uma cama d’água — imagem que resume a obsessão controladora do assassino. Desmascarado, Willy se recusa a enfrentar julgamento e se atira da varanda, encerrando o caso principal de maneira abrupta e violenta.
Tom Waaler: o inimigo interno que não aceita cair
Se Willy simboliza o horror íntimo, Tom Waaler leva o terror para dentro da própria polícia de Oslo. O colega corrupto de Harry sequestra Oleg, filho de Rakel, e transforma o elevador de um prédio em palco para o acerto de contas. O braço de Waaler é dilacerado durante a briga, mas o antagonista ainda tenta revidar antes de sucumbir aos ferimentos.
Imagem: Ti Morais
A morte de Waaler deveria significar a queda da rede ilícita que ele representava. Contudo, o roteiro deixa claro que derrubar um nome não basta. Parte da organização permanece viva, e a figura de Agnes Kittelsen surge como possível nova peça-chave dentro desse conluio de poder — revelação que ecoa o tom amargo do fim de temporada.
Consequências para Harry e o caminho aberto para o futuro
O detetive sai vitorioso de duas frentes, mas continua longe de qualquer paz. Ele soluciona o caso do pentagrama, elimina o rival institucional e ainda ensaia uma reconciliação com Rakel. Mesmo assim, a série frisa que a podridão é estrutural: a rede de corrupção subsiste e, pior, pode ter ganhado rostos mais difíceis de identificar.
Ao fim, Harry se encontra melhor do que no começo, porém continua cercado pela mesma atmosfera de vício, violência e desconfiança. A conclusão sugere que a vitória é apenas parcial — impressão reforçada pela ausência de anúncio oficial de segunda temporada, ainda que o gancho exista.
Vale a pena assistir Os Casos de Harry Hole?
Para quem acompanha thrillers sombrios, a série oferece uma mistura de mistério criminal e disputa interna que mantém a tensão até o último episódio. A resolução do pentagrama, o embate no elevador e o surgimento de um novo elo corrupto entregam um final fechado o suficiente para satisfazer, mas aberto o bastante para sustentar mais investigações. Em meio a esses elementos, ecos de outras produções sobre culpa e vingança aparecem e podem interessar aos fãs de finais amargos, como o destino de Ana Jacinta em Dona Beja. Salada de Cinema acompanha de perto possíveis novidades sobre um segundo ano.



