Johnny Knoxville bateu o martelo: Jackass 5 será o capítulo final de uma aventura que começou na MTV em 2000 e explodiu nas telonas dois anos depois. O ator revelou à Rolling Stone que o longa chega em 26 de junho de 2026, anunciando, sem rodeios, que “este será o último”.
Ao falar sobre o projeto, Knoxville não mediu palavras. Entre piadas e palavrões, ele prometeu “um desastre completo”, insinuando que o filme foi desenhado para ser um “trem desgovernado”. A declaração resume bem a essência da franquia, famosa por elevar o humor físico ao extremo.
Fim da linha para Johnny Knoxville
Knoxville, que criou o programa original ao lado de Jeff Tremaine e Spike Jonze, encerra aqui um ciclo de mais de duas décadas. Depois de três temporadas na TV, quatro filmes principais e um compilado de cenas extras, o astro entende que o momento de parar chegou — e o motivo é simples: o corpo cobrou a conta.
Em Jackass Para Sempre (2022), ele sofreu a pior lesão da carreira: hemorragia cerebral e múltiplas fraturas durante um encontro nada amigável com um touro. A experiência foi suficiente para que o intérprete assumisse um posto mais consultivo no próximo filme, reduzindo sua participação em façanhas de alto risco.
Um histórico de ossos quebrados e gargalhadas
Apesar da redução de atividade, Knoxville garante presença diante das câmeras, ainda que em desafios menos mortais e mais focados nas famosas pegadinhas “nojentas” da série. Steve-O, Chris Pontius, Jason “Wee Man” Acuña, Dave England e Preston Lacy, todos veteranos em suportar choques, quedas e escatologia, devem ganhar mais tempo de tela — afinal, eles conhecem bem o terreno.
O retorno de Bam Margera limita-se a imagens de arquivo. O skatista, desligado da produção anterior por violar um acordo de bem-estar, resolveu a disputa judicial fora dos holofotes, mas permanece afastado do set. A ausência reforça a sensação de despedida, já que o elenco original nunca mais dividirá o mesmo set completo.
O que esperar das acrobacias em Jackass 5
Detalhes dos números ainda são mantidos sob sigilo, porém o tom da conversa de Knoxville indica que ninguém está buscando segurança total. “Você deveria torcer para que nada dê certo”, provocou o ator, reforçando o DNA caótico que consagrou a marca.
A fórmula combina improviso, amizade e muita disposição para o ridículo. Foi assim no primeiro longa, em 2002, quando os participantes enfrentavam tasers, sanfonas gigantes e banheiras de cemitérios portáteis. A cada sequência, a criatividade só aumentou — e também o grau de perigo, culminando no acidente grave do filme de 2022.
Mesmo com Knoxville mais contido, a expectativa é que Jackass 5 escale o absurdo. A promessa de “piorar” tudo soa, paradoxalmente, como garantia de entretenimento para o público fiel. Algo semelhante acontece quando produções como Scary Movie 6 prometem zombar dos sucessos de terror: quanto maior o exagero, maior a risada.
Imagem: Divulgação
Direção, roteiro e dinâmica de elenco
Jeff Tremaine permanece na direção, repetindo a parceria que atravessa toda a trajetória cinematográfica do grupo. O envolvimento de Spike Jonze, creditado como cocriador, mantém o olhar autoral que mistura reality, comédia e quase documentário, apesar de o roteiro seguir a lógica livre de esquetes independentes.
Se a estrutura narrativa nunca foi prioridade, a química do elenco sempre segurou o público. A camaradagem é visível em cena: os protagonistas se agridem por diversão, mas celebram cada lesão como medalha. Esse espírito deve ser ainda mais forte no adeus. Ao priorizar colegas mais jovens — pelo menos em termos de fôlego —, Knoxville oferece espaço para que Steve-O e Pontius liderem a festa de hematomas.
No Salada de Cinema, a trajetória do grupo é frequentemente lembrada como um marco da cultura pop dos anos 2000: a mistura de perigo real, humor juvenil e zero limites antecipou boa parte do conteúdo chocante que hoje domina a internet.
Vale a pena assistir à despedida?
Para quem cresceu vendo os amigos se espancar com tacos de golfe, a simples ideia de Jackass 5 já desperta curiosidade. A última aventura promete intensificar tudo que tornou a série icônica: o risco genuíno, a camaradagem irresponsável e a necessidade de concluir cada sequência com uma risada, mesmo que recheada de dor.
A presença de Knoxville, ainda que mais discreta, serve de fio condutor. A ausência de Margera, por outro lado, deixa um vazio que pode tornar o clima agridoce. De qualquer forma, o fim de uma era está marcado para 26 de junho de 2026, e o público terá a oportunidade de conferir se o trem realmente descarrila — como o próprio criador espera.
Se a franquia nos ensinou algo, é que roxos cicatrizam, mas a memória de ver alguém voando de catapulta diretamente para um lago congelado permanece. E essa lembrança, por si só, já justifica a ida ao cinema para testemunhar o grand finale.









