A Pixar voltou a dominar as salas de cinema dos Estados Unidos. Hoppers, nova aventura sci-fi do estúdio, abriu o fim de semana na liderança das bilheterias e já desponta como o maior lançamento original da marca em quase dez anos.
O filme arrecadou estimados US$ 40 milhões em três dias, deixando bem para trás A Noiva!, releitura de Frankenstein dirigida por Maggie Gyllenhaal, que deve fechar entre US$ 8 e US$ 10 milhões (confira os números do terror aqui).
Estreia de tirar o fôlego
Com a arrancada, Hoppers conquistou a maior abertura doméstica de uma produção original da Pixar nos anos 2020, superando Elementos (US$ 29,6 mi) e Dois Irmãos (US$ 39,1 mi). A última vez que o estúdio viu um resultado melhor em conteúdo inédito foi em 2017, quando Coco estreou com US$ 50,8 milhões.
Na comparação geral da década, o longa fica atrás apenas do derivado Lightyear, que somou US$ 50,6 milhões em 2022. Ainda assim, já garantiu lugar entre as 11 maiores estreias originais da Pixar em todos os tempos, ultrapassando O Bom Dinossauro (US$ 39,1 mi).
O desempenho forte chega embalado por críticas positivas: 94 % no Rotten Tomatoes, mesma nota do público verificado. O CinemaScore A reforça o boca a boca, índice que dificilmente se vê em projetos familiares recentes.
Elenco de vozes estrelado
A aposta em um elenco de dubladores de peso ajuda a explicar o interesse inicial. Piper Curda lidera a narrativa como Mabel Tanaka, pesquisadora que transfere a própria mente para um castor-robô e provoca uma revolução animal — premissa inusitada que combina humor, ficção científica e comentários ecológicos.
Ao lado dela, três vezes vencedora do Oscar Meryl Streep empresta a voz a um dos animais insurgentes, enquanto Dave Franco, Jon Hamm e Kathy Najimy completam o grupo principal. O time se amplia com veteranos do Saturday Night Live: Bobby Moynihan, Vanessa Bayer, Melissa Villaseñor e Ego Nwodim, dando ao roteiro margens para piadas rápidas e improvisos sonoros.
Os destaques vão para a química vocal entre Curda e Streep. A protagonista transmite empolgação juvenil, enquanto a atriz consagrada equilibra sabedoria e ironia. Já Moynihan, como o carismático Rei George, rouba cenas com tiradas bem pontuadas, lembrando o humor visto em animações como Divertida Mente.
Direção e roteiro sob análise
Daniel Chong, conhecido por Ursos sem Curso, assume a direção e divide o roteiro com Jesse Andrews. A dupla dosa aventura e crítica social sem soar panfletária. O primeiro ato estabelece a pesquisa da protagonista, logo subvertida por gags visuais que remetem a WALL-E.
O segundo ato abraça sequências de ação aceleradas, usando o design robótico dos castores para criar set pieces eletrizantes. Já o clímax reforça a mensagem sobre coexistência — ponto que pode render debates, mas nunca trava o ritmo.
Imagem: Divulgação
Chong aposta em cenários exuberantes, com texturas que simulam madeira molhada e pelugem detalhada. A fotografia digital destaca contrastes entre laboratório estéril e floresta vibrante, reforçando a transição temática de controle humano para autonomia animal.
Impacto na bilheteria e comparações
Se mantiver um multiplicador parecido com Elementos, que saltou de abertura modesta para US$ 496,4 milhões mundiais, Hoppers pode tranquilamente romper a barreira de US$ 650 milhões. Com orçamento estimado em US$ 150 milhões, o ponto de equilíbrio ficaria em torno dos US$ 375 milhões — meta que parece cada vez mais tangível.
Além do desempenho imediato, o filme já se coloca como forte candidato a figurar nos altos rankings internos da Pixar. A projeção reforça sua posição entre os títulos do estúdio que abriram acima de US$ 60 milhões mundialmente, lista encabeçada por sucessos como Os Incríveis e Procurando Nemo. Por sinal, o Salada de Cinema já destacou a façanha da nota 94 % que o coloca na elite crítica do estúdio.
A disputa direta com A Noiva! evidencia também uma guinada do público para opções familiares neste fim de semana. Enquanto o terror da Warner vê a própria corrida interromper a sequência de vitórias do estúdio, a animação da Disney/Pixar confirma a força de marcas consolidadas no imaginário popular.
Vale a pena assistir Hoppers?
Para quem procura diversão acessível sem abrir mão de subtexto, Hoppers entrega. A atuação vocal de Piper Curda carrega o fio emocional, e Meryl Streep adiciona camadas de autoridade cômica que dialogam com diferentes idades.
Daniel Chong demonstra domínio de timing, mantendo o humor funcionando lado a lado com críticas ambientais leves. A trilha sonora brinca com sons da natureza remixados, recurso que casa com a premissa de consciência transferida para um castor-robô.
No fim, o longa equilibra espetáculo visual e narrativa inventiva, justificando o interesse de quem acompanha a Pixar desde a fase Toy Story. Se os números de bilheteria continuarem nesta toada, o estúdio confirma não apenas relevância comercial, mas também a confiança renovada do público em suas histórias originais.




