A Morte do Demônio: Em Chamas chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, e cumpre bem o que promete: sangue em excesso, humor macabro e, surpreendentemente, um pedaço de drama familiar que funciona. Não é o melhor filme da franquia, mas está longe de ser descartável.
Dirigido pelo francês Sébastien Vanicek, o longa aposta em personagens mais construídos antes de soltar os Deadites em cima de todo mundo. A fórmula funciona na maior parte do tempo, mesmo quando o roteiro recorre a sustos previsíveis demais para o gosto de quem já viu os filmes anteriores.
Resumo rápido
- A Morte do Demônio: Em Chamas estreia nos cinemas do Brasil em 9 de julho de 2026 e nos EUA e Canadá em 10 de julho de 2026.
- O filme tem 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em 46 críticas especializadas.
- Sébastien Vanicek dirige e co-assina o roteiro com Florent Bernard; o elenco é liderado por Souheila Yacoub.
- A história é independente da trilogia com Bruce Campbell e não depende de Ash Williams para funcionar.
- Duração de 1h51min, classificação indicativa para maiores de 18 anos.
A Morte do Demônio: Em Chamas aposta em drama antes do terror
O filme segue Alice (Souheila Yacoub), que ainda tenta lidar com a morte do marido William (George Pullar). Ela passa alguns dias com a família dele numa propriedade isolada, onde ressentimentos antigos já pesam no ar antes mesmo de qualquer Deadite aparecer.
Aviso: os parágrafos a seguir trazem detalhes da trama.
Vanicek usa esse tempo inicial para tratar de abuso doméstico, culpa e relações familiares tóxicas, sem travar o ritmo da história. É uma escolha diferente da trilogia clássica estrelada por Bruce Campbell, que ia direto ao ponto sem cerimônia.
O resultado dessa construção é sentido quando os ataques começam: as perdas doem mais porque o roteiro investiu em fazer o público se importar com quem está prestes a virar carne moída.
Violência extrema e efeitos práticos marcam o retorno dos Deadites
Uma vez que o Necronomicon entra em cena, o filme não segura a mão. Objetos do dia a dia viram armas improvisadas, ossos quebram, ferimentos aparecem em detalhe e o sangue escorre sem qualquer pudor.
O uso de efeitos práticos em larga escala lembra o terror extremo europeu e mantém a assinatura mais artesanal que sempre diferenciou a franquia de outros filmes de possessão. É a parte em que o filme mais acerta.
Vanicek também recupera o humor macabro característico de Evil Dead: diálogos irônicos, situações absurdas e o comportamento debochado dos Deadites aliviam a tensão sem tirar a força do horror.
Estilo visual homenageia Sam Raimi sem copiar
A câmera do diretor francês passeia por planos em primeira pessoa que acompanham a entidade demoníaca pela floresta, uma referência direta ao filme original de 1981. Ao mesmo tempo, ele acrescenta planos-sequência, truques de espelhos e uma fotografia mais fria, que reforça o clima decadente da propriedade onde tudo acontece.
A montagem dinâmica e o desenho de som se destacam nas perseguições, com cortes rápidos que aumentam a sensação de urgência sem virar bagunça visual.

Onde o filme tropeça
O maior problema de A Morte do Demônio: Em Chamas é a dependência de sustos repentinos apoiados em explosões sonoras previsíveis. Em alguns trechos, esse recurso substitui a construção natural da tensão e destoa da atmosfera mais perturbadora que as cenas de violência conseguem criar.
Algumas piadas também se repetem além da conta, o que enfraquece parte do impacto do humor negro. São falhas que incomodam, mas não chegam a comprometer a experiência como um todo.
A Morte do Demônio: Em Chamas vale a pena assistir?
Na minha avaliação, sim, especialmente para quem acompanha a franquia desde os primeiros filmes. Vanicek respeita a mitologia construída ao longo de mais de quatro décadas, recupera elementos clássicos e ainda imprime um estilo visual próprio, sem depender de Ash Williams ou da presença de Sam Raimi atrás das câmeras.
Não é um filme que reinventa a franquia, mas entrega o que o fã espera: uma experiência intensa, violenta e com Deadites memoráveis. Com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes e produção de Sam Raimi e Rob Tapert, além da participação de Bruce Campbell e Lee Cronin como produtores executivos, o longa consolida mais um capítulo consistente para uma das franquias mais influentes do terror.
Quem procura mais opções de horror em cartaz neste momento pode conferir o calendário de lançamentos do cinema em julho de 2026, e quem gosta de terror mais intimista pode gostar da crítica de Hokum, outro título recente do gênero.
⭐ Nota: 8.2/10



