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    CRÍTICA | Hokum – Adam Scott assume lado sombrio em terror minimalista de Damian McCarthy

    Thais BentlinBy Thais Bentlinmarço 16, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Adam Scott volta a flertar com o terror em Hokum, longa irlandês que coloca o ator de Parks and Recreation num papel raramente explorado em sua carreira: o vilão em potencial. Dirigido e roteirizado por Damian McCarthy, o filme estreou em 14 de março no SXSW e já chega cercado de elogios à construção de suspense e à performance contida do protagonista.

    A produção, terceira empreitada do cineasta após Caveat e Oddity, acompanha Ohm Bauman, escritor recluso que decide espalhar as cinzas dos pais num isolado hotel campestre onde o casal passou a lua de mel. O que parecia um luto silencioso se transforma em sobrevivência quando lendas sobre o quarto nupcial emergem e funcionários começam a desaparecer.

    A entrega de Adam Scott como Ohm Bauman

    Conhecido por personagens carismáticos, Scott abraça em Hokum justamente o contrário: um sujeito difícil de amar. O próprio ator contou que buscava “não ser a pessoa mais agradável do mundo” e encontrou no roteiro espaço para experimentar. Sua presença domina o quadro por longos minutos sem falas, exigindo sutileza nos gestos e no olhar – recurso fundamental para manter a tensão enquanto nada acontece de fato.

    Nesses trechos silenciosos, o intérprete trabalha pequenas reações que sugerem culpa, soberba e, sobretudo, medo. O arco do personagem, pensado por McCarthy como um “one-man show”, coloca o público para decifrar se a ameaça é sobrenatural ou nascida da psique fragilizada do escritor. O resultado é uma atuação física, apoiada mais em respiração e postura do que em diálogos explicativos.

    Roteiro enxuto e direção precisa de Damian McCarthy

    Damian McCarthy desenha a história como uma descida calculada ao terror folk, evitando explicações extensas. O roteiro, elogiado por Scott como “assustador e divertido”, destaca-se pela economia de palavras: boa parte da narrativa depende de enquadramentos fechados e do silêncio incômodo dos corredores do hotel.

    O diretor, fã confesso de John Carpenter, cria um ambiente que parece fora do tempo. A ausência de tecnologia, os carros antigos e o figurino indefinido provocam estranhamento, estratégia que o autor já utilizara em Oddity. A inspiração em filmes de cerco, como Evil Dead II e Eles Vivem, se reflete na progressão de obstáculos que surgem para Ohm – cada novo susto torna-se mais físico, quase um jogo de resistência até o amanhecer.

    Atmosfera rural e terror de poucos recursos

    Localizada no interior da Irlanda, a trama explora o choque entre a descrença do protagonista e o folclore local. O próprio título, Hokum, significa “balela”, termo que ironiza a arrogância de Ohm frente às histórias de bruxas e fantasmas. À medida que as visões aumentam, o espectador acompanha se aquilo é realmente “bobagem” ou se existe algo mais profundo ligado ao trauma familiar.

    CRÍTICA | Hokum – Adam Scott assume lado sombrio em terror minimalista de Damian McCarthy - Imagem do artigo original

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    Imagem: Divulgação

    A ambientação simples favorece a fotografia pálida dos quartos úmidos e dos campos enevoados. Essa escolha, somada à trilha pontual, lembra produções oitentistas que dispensavam CGI para investir em maquiagem prática e ruídos metálicos. A proposta converge com o que McCarthy defendeu em entrevista: não levar o filme tão a sério, mas ainda assim provocar sustos genuínos.

    Elenco de apoio e a ideia de um “palco” para um só ator

    Embora Adam Scott concentre os holofotes, o elenco de apoio adiciona texturas importantes. Peter Coonan, David Wilmot, Austin Amelio e Florence Ordesh surgem como funcionários e hóspedes que tensionam ainda mais o isolamento do protagonista. Cada aparição é calculada para servir de espelho – ou de gatilho – para as paranoias de Ohm.

    McCarthy admitiu que o maior risco era começar o longa com um personagem pouco simpático e “perder o público”. A estratégia, no entanto, funciona porque o roteiro oferece pistas suficientes para manter o espectador curioso sobre o passado de Bauman. O desafio de filmar três semanas inteiras quase sem falas, descrito pelo ator como “assustador”, reforça a noção de peça teatral, onde movimento e respiração contam a história.

    Vale a pena assistir?

    Hokum entrega um suspense contido, guiado por uma atuação que foge completamente do habitual “nice guy” de Adam Scott. Para quem aprecia terror minimalista e histórias de culpa isoladas em ambientes rurais, o filme se mostra uma experiência atmosférica. A direção precisa de Damian McCarthy confirma o cineasta como nome a acompanhar depois de Oddity, enquanto o elenco secundário sustenta a claustrofobia que faz a trama avançar.

    Durante o festival, outras produções também chamaram atenção, como Kill Me, elogiada pela construção de narrador instável no levantamento do Salada de Cinema. No entanto, Hokum se diferencia por apostar num único protagonista para conduzir o público por corredores cheios de segredos. Para quem gosta de sentir o pulso acelerar sem recorrer a grandes efeitos, a estreia prevista para 1º de maio de 2026 merece estar no radar.

    Adam Scott Damian McCarthy filme de terror Hokum SXSW
    Thais Bentlin

    Sou formada em Marketing Digital e criadora de conteúdo para web, com especialização no nicho de entretenimento. Trabalho desde 2021 combinando estratégias de marketing com a criação de conteúdo criativo. Minha fluência em inglês me permite acompanhar e desenvolver materiais baseados em tendências globais do setor.

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