A quarta temporada de Origem — conhecida internacionalmente como From — estreou no Globoplay com episódios lançados semanalmente a partir de 7 de maio de 2025, e chegou ao fim com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. Não é um número que aparece por acaso: a temporada faz jus ao resultado, entregando o arco mais ambicioso da série em quatro anos.
Resumo rápido
- Nota: ⭐⭐⭐⭐ (9,0 de 10)
- Onde assistir: Globoplay (episódios semanais desde 7 de maio)
- Elenco principal: Harold Perrineau, Catalina Sandino Moreno, David Alpay, Hannah Cheramy, Pegah Ghafoori
- Aprovação da crítica: 100% no Rotten Tomatoes
- Para quem: Fãs de horror psicológico, mistério e séries que não simplificam suas respostas
O medo deixou de morar na floresta
Toda grande história de horror chega a um ponto em que as criaturas perdem o protagonismo para os próprios sobreviventes. Origem chegou lá.
Depois de três temporadas construindo um dos universos mais intrigantes do horror televisivo recente, a série criada por John Griffin amadurece de forma notável. O medo continua presente, mas agora ele mora dentro dos personagens — no esgotamento de quem segue sobrevivendo sem acreditar que isso vá levar a algum lugar.
O ponto de partida da nova leva de episódios é o surgimento do Homem de Amarelo, figura que desestabiliza o frágil equilíbrio da cidade. Enquanto isso, Boyd tenta manter a comunidade unida com um corpo que já não aguenta e uma convicção que vai se desfazendo episódio a episódio. O retorno de Tabitha empurra a narrativa para novas descobertas sobre a natureza daquele lugar — e cada resposta, como de praxe, abre dois mistérios novos.
Uma mitologia que cresce sem perder o equilíbrio
O maior risco para uma série desse tipo é responder demais cedo demais — ou não responder nada e irritar o espectador. Origem navega entre os dois extremos com precisão.
Elementos que alimentaram teorias por anos — as árvores, os talismãs, os túneis, as conexões sobrenaturais do território — finalmente recebem novas camadas de sentido. O roteiro trata essas revelações com cuidado, sem transformá-las em soluções simples. A sensação lembra produções como Twin Peaks e Lost, em que cada descoberta reorganiza a leitura de tudo que veio antes.
O que separa Origem dessas referências é o rigor emocional. Aqui, saber mais não traz alívio. Traz responsabilidade — e a responsabilidade, nesse universo, costuma custar vidas.
Harold Perrineau carrega uma temporada inteira nos ombros
Harold Perrineau sempre foi o coração da série, mas na quarta temporada ele opera em outro nível. Boyd nunca foi um herói sem rachaduras, e agora essas rachaduras viram o centro da história.
O desgaste físico visível, o esgotamento emocional acumulado, as decisões tomadas sob pressão extrema — Perrineau traduz tudo isso sem exagero, com uma contenção que torna cada cena mais pesada. Quando Boyd vacila, o espectador sente que algo essencial está prestes a desmoronar.
Catalina Sandino Moreno também ganha espaço significativo. A busca de Tabitha por respostas funciona como contraponto à desesperança crescente dos demais, e Moreno sustenta esse peso com naturalidade. O restante do elenco — David Alpay, Hannah Cheramy, Pegah Ghafoori e Elizabeth Saunders, entre outros — mantém consistência mesmo em papéis de suporte, o que é raro em séries de horror com elenco numeroso.
A direção de Jack Bender e o horror que prefere sugerir
Origem nunca apostou no susto fácil, e a quarta temporada confirma essa escolha. Jack Bender, na direção, constrói tensão pela acumulação — enquadramentos fechados, iluminação que esconde mais do que revela, silêncio usado como instrumento.
As criaturas continuam impactantes visualmente, mas deixaram de ser a principal fonte de medo. O horror agora vem do espaço entre as cenas, da dúvida sobre o que os personagens estão dispostos a fazer para sobreviver.
Cada ambiente — floresta, estrada, construção abandonada — parece guardar algo que aconteceu antes. A fotografia reforça essa sensação de um lugar com memória própria, sem precisar explicar de onde vem esse peso.
Um final que não poupa ninguém
O desfecho da temporada assume riscos de verdade. As revelações envolvendo a Árvore das Garrafas, o caos instalado após sua destruição e a chegada da escuridão durante o dia criam um dos encerramentos mais tensos da série. Não há conforto disponível.
A decisão de Fatima envolvendo os talismãs é o tipo de cena que fica — não pelo efeito visual, mas pelo que representa para quem acompanha a série desde o começo. E o destino de vários moradores deixa claro que o caminho até uma possível liberdade vai custar mais do que qualquer um estava disposto a pagar.
Origem entende que seu maior patrimônio é o mistério, mas demonstra maturidade ao perceber que perguntas só continuam interessantes quando provocam mudanças reais nos personagens. Cada revelação produz consequência emocional. Não é decoração narrativa — é a espinha dorsal da temporada.
Vale a pena assistir?
Para quem já acompanha a série, a resposta é direta: esta é a melhor temporada desde a estreia. O ritmo é mais consistente, as atuações estão no pico e a mitologia avança sem diluir o que a torna fascinante.
Para quem ainda não conhece, não comece aqui. Origem exige que o espectador tenha acumulado três temporadas de contexto para que o peso desta funcione. Mas se você chegou até agora, a quarta temporada recompensa a paciência.
Poucas produções de horror televisivo recente equilibram suspense, psicologia e desenvolvimento de personagens com essa consistência. A série segue disponível no Globoplay, com as quatro temporadas acessíveis na plataforma.
O que Origem ainda precisa responder antes do fim
A série foi confirmada para uma quinta e última temporada, prevista para encerrar a história em 2027. O desfecho da quarta temporada deixa a narrativa em um estado de ruptura — não é cliffhanger de conveniência, é consequência de escolhas feitas ao longo de toda a temporada.
O que acontece com a cidade depois da destruição da Árvore das Garrafas? Como os sobreviventes reorganizam uma comunidade que perdeu parte de seus alicerces? A prévia do episódio final já apontava para decisões irreversíveis, e o texto cumpriu o que prometia.
Origem termina sua quarta temporada em um ponto de não retorno. A espera pela resposta final é, em si, parte da experiência de assistir à série.



