A personagem de Scarlett Johansson em Batman: Parte II não é uma adaptação de nenhuma vilã específica das HQs — segundo o jornalista Jeff Sneider, o papel será uma fusão de múltiplas figuras clássicas da mitologia do Batman, construída como criação híbrida para o filme previsto para outubro de 2027. O nome civil da personagem, que circulou como Gilda Dent nos primeiros rumores, não foi confirmado por Sneider, que tratou a questão nominal como secundária diante do que a função narrativa realmente representa.
Uma femme fatale sem original nas HQs é o movimento mais arriscado de Matt Reeves
O que Sneider detalhou aponta para uma escolha criativa que vai além da tradição de adaptações do Batman: em vez de ancorar a personagem em um nome reconhecível do cânone, Matt Reeves e sua equipe parecem estar construindo alguém que absorve elementos de várias figuras sem ser nenhuma delas. A femme fatale teria histórico de infância compartilhado com Bruce Wayne — o que por si só já é uma distorção do que as HQs oferecem —, e os primeiros relatos a descreviam como a grande ameaça do filme.
A comparação mais próxima que surgiu entre fãs foi com Andrea Beaumont, a Fantasma de Batman: A Máscara do Fantasma (1993) — personagem que divide com Bruce Wayne uma relação afetiva do passado e que se torna antagonista por razões que o herói não consegue simplesmente destruir. Sneider não descartou essa leitura. Segundo ele, a personagem de Johansson pode acabar funcionando como a Fantasma, apenas com outro nome e outra construção de origem. Isso sugere que a inspiração existe, mas a adaptação direta foi deliberadamente evitada.
A lógica por trás dessa escolha pode indicar uma intenção de Reeves de não repetir o problema que afeta toda adaptação de personagem conhecido: o peso da expectativa prévia. Uma vilã híbrida, sem nome fixo no imaginário do público, permite que o diretor controle inteiramente a curva emocional dela dentro do filme — sem precisar justificar desvios em relação ao que os fãs conhecem das HQs.

Charles Dance, a Corte das Corujas e o Harvey Dent de Brian Tyree Henry formam o contexto que explica essa personagem
O papel de Charles Dance no filme também ganhou atualização. Ele vinha sendo especulado como Christopher Dent, pai de Harvey, mas Sneider indicou que o nome não está confirmado — apenas que o personagem se chama Charles Dent, segundo apuração do jornalista Justin Kroll, do Deadline. Seja qual for a relação familiar com Harvey, a presença de Dance em torno da família Dent parece reforçar que Harvey Dent, interpretado por Brian Tyree Henry, terá arco central na trama.
A Corte das Corujas, segundo Sneider, está envolvida na narrativa. Na mitologia das HQs, a Corte é uma sociedade secreta de elite que controla Gotham há séculos — exatamente o tipo de estrutura de poder oculto que o primeiro filme de Reeves explorava nas camadas de corrupção política da cidade. A presença dessa organização sugere que Batman: Parte II pode expandir a escala da conspiração, saindo do crime organizado visível para algo mais enraizado e difícil de nomear.
É nesse contexto que a personagem híbrida de Johansson ganha coerência narrativa: uma figura que não se encaixa em nenhuma categoria fixa das HQs faz sentido dentro de um filme que parece querer mostrar que as ameaças de Gotham não têm rosto simples. Se a Corte das Corujas opera nas sombras da cidade, uma vilã construída como fusão — sem identidade única retirada de uma HQ — pode funcionar como extensão dessa mesma ideia.
Sebastian Stan, Robert Pattinson e o elenco que precisará sustentar uma aposta editorial incomum
Além de Johansson, Sneider indicou que Sebastian Stan estará no filme como Victor Zsasz — assassino serial que já apareceu brevemente no primeiro Batman de Reeves. Robert Pattinson retorna como Bruce Wayne, e o filme está previsto para estrear em 1º de outubro de 2027.
O que chama atenção no conjunto do elenco é a combinação de nomes com histórico em franquias de grande escala — Johansson vinda do universo Marvel, Stan também — sendo direcionados para um Batman que Reeves construiu deliberadamente fora do espírito de universo compartilhado. O primeiro filme funcionou como obra autoral dentro de um estúdio de blockbuster. A sequência parece aprofundar essa aposta, inclusive na decisão de criar personagens que não devem satisfação ao cânone.
A confirmação de Johansson no elenco veio do próprio Matt Reeves, que publicou nas redes sociais um gif da atriz em Under the Skin (2013) com a legenda: “Próxima parada, Gotham… Bem-vinda.” A escolha da imagem — um filme de ficção científica denso, perturbador e centrado em uma figura feminina que não é o que parece — pode sugerir algo sobre a direção que Reeves quer dar à personagem. Ou pode ser apenas um cineasta que gosta de comunicar por camadas. Nos dois casos, a expectativa está posta.
O que se sabe e o que ainda é especulação sobre Batman: Parte II
Para organizar o que está confirmado e o que ainda circula como relato de bastidores:
- Confirmado oficialmente: Scarlett Johansson no elenco (Matt Reeves, redes sociais); Robert Pattinson como Batman; estreia prevista para 1º de outubro de 2027.
- Relatado por jornalistas confiáveis: Brian Tyree Henry como Harvey Dent (Justin Kroll, Deadline); Charles Dance como Charles Dent (Kroll, Deadline); Sebastian Stan como Victor Zsasz (Sneider); Corte das Corujas na trama (Sneider).
- Natureza da personagem de Johansson: segundo Sneider, fusão de múltiplas vilãs clássicas, sem fidelidade direta a nenhuma; nome civil ainda não confirmado oficialmente.
- Não confirmado: envolvimento romântico entre a personagem e Bruce Wayne — mencionado em relatos iniciais, não reiterado por Sneider.
Batman: Parte II chega aos cinemas com a tarefa de repetir o peso do primeiro filme em condições diferentes: elenco maior, escala ampliada, e agora uma vilã principal que o público não poderá comparar a nada que veio antes. Se isso funcionar como libertação criativa ou como risco calculado que não paga, só o filme de 2027 vai responder.
Fonte principal e complementares: Deadline, Jeff Sneider.









