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    Crítica: Berlim e a Dama com Arminho Faz o que a Série Original Prometeu e Não Entregou

    Toni MoraisBy Toni Moraismaio 15, 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    Pedro Alonso como Berlim em cena de Berlim e a Dama com Arminho na Netflix
    Pedro Alonso retorna como Berlim no novo título do universo La Casa de Papel, disponível na Netflix — Divulgação/Netflix

    Berlim e a Dama com Arminho chegou à Netflix hoje, 15 de maio de 2026, com todos os 8 episódios disponíveis de uma vez — e a pergunta que o público fazia desde o anúncio finalmente tem resposta: vale a pena? Sim. Mas com uma condição: você precisa aceitar que essa série não é La Casa de Papel. Nunca foi. E quanto mais rápido o espectador entender isso, mais vai aproveitar o que Álex Pina e Esther Martínez Lobato construíram aqui.

    O Que Berlim e a Dama com Arminho Faz de Diferente — e Por Que Funciona

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    Berlim, a série de 2023, sofreu com um problema de identidade que ficou escancarado nas críticas do público: queria ser La Casa de Papel, mas sem o Professor, sem a tensão política, sem o peso emocional coletivo que fez a série original funcionar. O que sobrou foi um golpe de joias em Paris que entrava e saía de cena enquanto a série tentava construir uma “galerinha” de personagens jovens em volta de Berlim — e essa tentativa nunca se sustentou completamente.

    Equipe de Berlim planejando o golpe em Berlim e a Dama com Arminho na Netflix
    Berlim reúne sua equipe para o golpe mais pessoal da franquia — roubar A Dama com Arminho é apenas a fachada — Divulgação/Netflix

    Em Berlim e a Dama com Arminho, a série finalmente encontra seu próprio território. O golpe desta vez tem uma camada que faltava no título anterior: ele não é apenas um crime. É uma vingança. Berlim está sendo chantageado pelo Duque e pela Duquesa de Málaga — um casal da aristocracia espanhola que acredita ter poder suficiente para dobrar o ladrão mais imprevisível do universo de La Casa de Papel. O que o Duque não calcula é que chantagear Berlim é exatamente o tipo de provocação que faz o personagem funcionar melhor: quando há algo pessoal em jogo, Pedro Alonso tem material de sobra para trabalhar.

    E é aqui que a série acerta onde Berlim (2023) errou. O golpe e a emoção coexistem, em vez de competirem pela atenção do espectador. Roubar A Dama com Arminho — a pintura de Leonardo da Vinci que dá nome à série — é apenas a fachada. O alvo real é o Duque, e o método é fazer com que ele acredite que está no controle até o momento em que percebe que nunca esteve. É a lógica do Professor elevada ao nível pessoal: um plano dentro do plano, com Berlim como arquiteto e vítima ao mesmo tempo.

    Pedro Alonso Está no Melhor Momento do Personagem

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    Seria injusto não abrir espaço para falar do que Pedro Alonso faz nessa série. Desde La Casa de Papel, o ator construiu Berlim como um personagem que vive no limite entre o charme e o horror — alguém que você sabe ser moralmente indefensável, mas que você acompanha porque ele é o mais honesto sobre o que é.

    Destaques

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    Em Berlim e a Dama com Arminho, essa construção ganha uma dimensão nova: a vulnerabilidade. Candela, a personagem de Inma Cuesta, é a primeira figura em todo o universo da franquia que genuinamente desestabiliza Berlim — não como inimiga, mas como alguém que vê através da armadura de sofisticação que ele usa como escudo. As cenas entre os dois são o coração emocional da série e, diferente do romance com Camille em Berlim (2023) que parecia forçado, aqui a produção tem tempo e intenção para construir o que está em jogo.

    Alonso entrega o melhor do personagem justamente quando Berlim está menos no controle. Há uma cena específica, nos episódios centrais, em que ele percebe que o Duque sabe mais do que deveria — e a reação não é raiva imediata. É silêncio, seguido de recalibração. É a diferença entre um vilão e um personagem.

    Inma Cuesta é a Melhor Adição ao Elenco da Franquia Desde Alicia Sierra

    Candela poderia ter sido mais uma incorporação funcional ao grupo — alguém que existe para criar conflito e depois desaparece. Não é o que acontece. Inma Cuesta, já conhecida do público espanhol por A Desordem que Deixas, transforma Candela em algo mais difícil de definir: uma personagem que não precisa de Berlim, mas escolhe estar perto dele — e essa distinção muda tudo.

    A série tem o cuidado de não reduzir Candela a interesse amoroso. Ela tem motivações próprias dentro do golpe, toma decisões que contradizem Berlim em momentos críticos e, nos episódios finais, emerge como a figura mais imprevisível da série — justamente porque o roteiro se recusa a torná-la previsível. É o tipo de personagem que Berlim (2023) não conseguiu construir para nenhum de seus membros novos.

    Candela e Berlim funcionam porque a série entende que dois personagens com inteligência equivalente não se apaixonam — eles se reconhecem. E reconhecimento é muito mais difícil de roteirizar do que atração.

    Sevilha como Personagem — e Por Que Isso Importa

    A escolha de Sevilha como cenário não é apenas estética. Em Berlim (2023), Paris funcionava lindamente na superfície — a cidade era bonita, elegante, condizente com o estilo do protagonista — mas Paris era cenário, não contexto. Em Berlim e a Dama com Arminho, Sevilha está dentro do golpe: a Semana Santa, as procissões, a arquitetura barroca, os palácios da aristocracia local. O Duque de Málaga não poderia existir em Paris. Ele é produto de Sevilha — de uma cidade onde poder e beleza se confundem desde sempre.

    As gravações ocorreram em Sevilha, Madri, San Sebastián e Peñíscola, e o resultado visual é o mais cinematográfico da franquia desde as cenas do Banco da Espanha em La Casa de Papel. Albert Pintó, David Barrocal e José Manuel Cravioto dividiram a direção com uma coesão visual notável para uma produção com múltiplos realizadores.

    O Que Ainda Não Funciona Completamente

    Seria desonesto dizer que Berlim e a Dama com Arminho resolveu todos os problemas do título anterior. Não resolveu.

    O núcleo jovem — Cameron, Roi, Bruce — continua sendo o ponto mais fraco da franquia nesse formato. Begoña Vargas, Julio Peña Fernández e Joel Sánchez são atores competentes, mas o roteiro ainda não sabe exatamente o que fazer com eles além de movê-los pelo tabuleiro do golpe. Eles existem funcionalmente, não dramaticamente. Damián (Tristán Ulloa) continua sendo o personagem de suporte mais bem escrito do grupo, mas tem menos espaço nessa produção do que deveria.

    O ritmo dos três primeiros episódios também é mais lento do que o necessário. A série demora para estabelecer o que está realmente em jogo — a chantagem do Duque e a dimensão pessoal da vingança de Berlim — e os episódios iniciais às vezes parecem mais preocupados em apresentar Sevilha do que em construir tensão. Para quem foi assistir esperando a adrenalina imediata de La Casa de Papel, a paciência vai ser testada.

    A partir do episódio 4, quando o golpe começa a se mover de verdade e Candela passa a ter papel central nas decisões do grupo, a série encontra o ritmo que deveria ter mantido desde o início. O problema é que três episódios de aquecimento são muito em uma série de oito.

    Berlim e a Dama com Arminho Dentro do Universo de La Casa de Papel

    Há uma pergunta que qualquer fã da franquia vai se fazer antes de assistir: isso vai me dizer algo novo sobre Berlim que eu não sabia? A resposta é sim — e essa é a conquista mais importante dessa produção.

    Em La Casa de Papel, Berlim era definido quase inteiramente por como os outros personagens reagiam a ele. Era o homem que o Professor temia e respeitava ao mesmo tempo. O homem que Nairobi odiava. O homem que Tokyo não conseguia entender. Sua morte no final da quarta parte funcionou porque ele nunca precisou de redenção — e a série sabia disso.

    O que Berlim e a Dama com Arminho acrescenta não é redenção. É contexto. Vemos o momento em que o personagem entende que a única forma de sobreviver ao próprio jeito de existir é transformar cada traição em combustível. A chantagem do Duque não é apenas o gatilho do golpe — é o evento que cristaliza quem Berlim vai ser no momento em que o Professor aparecer na sua vida.

    Para quem assistiu La Casa de Papel até o fim, essa conexão vale a maratona.

    Veja também:

    • Berlim e a Dama com Arminho: tudo sobre a estreia na Netflix e o golpe em Sevilha

    Berlim e a Dama com Arminho Vale a Pena Assistir?

    Se você abandonou a franquia após Berlim (2023) decepcionado, essa nova série merece uma segunda chance. A produção encontrou o que faltava: um golpe com peso emocional, uma personagem nova que está à altura do protagonista e Pedro Alonso no melhor momento do personagem desde La Casa de Papel.

    Se você nunca viu Berlim (2023), comece por lá — não porque seja essencial para entender o golpe desta série, mas porque a relação entre Berlim e Damián e o estilo de operação do grupo fazem sentido diferente quando você viu como foram construídos.

    Se você é fã da série original e foi assistir esperando La Casa de Papel em Sevilha, vai se decepcionar no começo e se surpreender no final. Berlim e a Dama com Arminho não é a mesma coisa — e essa é exatamente a razão pela qual finalmente funciona.

    ⭐ Nota: 7.5/10

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    Toni Morais
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    Sou Toni Morais Ferreira, editor do Salada de Cinema, onde escrevo sobre cinema, séries e cultura pop desde 2021. Acompanho de perto o que chega ao streaming e tudo que movimenta o entretenimento. Minha paixão por esse universo vai além das histórias: gosto de explorar também os detalhes e curiosidades por trás de cada lançamento.

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