Bruxaria, fofoca de corredor e muito sangue falso: essa é a fórmula que Forbidden Fruits traz para o catálogo da Shudder. Dirigido por Meredith Alloway, o longa já desembarca com 82% de aprovação no Rotten Tomatoes e promete colocar fruta no seu pesadelo.
A seguir, o Salada de Cinema analisa como o elenco dominado por Lili Reinhart, Lola Tung, Victoria Pedretti e Alexandra Shipp transforma um shopping center no covil mais venenoso desde Meninas Malvadas.
Elenco feminino toma a cena
Lili Reinhart deixa Betty Cooper de lado e assume Apple, funcionária da Free Eden que lidera um culto secreto no subsolo do shopping. A atriz equilibra doçura e ameaça com facilidade, resultado de sete temporadas em Riverdale e dramas como Chemical Hearts.
Lola Tung surge como Pumpkin, a novata que bagunça a hierarquia. É o primeiro grande papel da atriz após o fim de The Summer I Turned Pretty, e sua presença traz energia inquieta ao grupo. Já Victoria Pedretti, veterana do terror televisivo, entrega em Cherry um olhar perturbador que lembra sua passagem por A Maldição da Residência Hill. Alexandra Shipp completa o trio original como Fig, explorando a mesma confiança cênica vista em Tick, Tick… Boom!.
Direção de Meredith Alloway mantém o feitiço aceso
Alloway opta por locações compactas – sobretudo corredores vazios e depósitos abafados – para reforçar a sensação de claustrofobia. A cineasta, que também assina o roteiro ao lado de Lily Houghton, dosa humor ácido e violência gráfica sem perder ritmo.
O ponto alto fica na construção de tensão entre Apple e Pumpkin. A diretora não força jump scares; prefere planos fechados e silêncios desconfortáveis que lembram a atmosfera de cultos escolares, mas com verniz pop. Essa abordagem faz eco a debates vistos em produções recentes que dividem plateias no SXSW, como The Saviors.
Roteiro injeta crítica social com leveza
Na superfície, Forbidden Fruits é diversão sangrenta. No subtexto, questiona performatividade de sororidade e consumo de imagem na era das redes. Apple e suas seguidoras se autodenominam “frutas” e vendem empoderamento diluído, uma sátira direta à lógica de marketing voltado a mulheres jovens.
Imagem: Divulgação
Essa camada mantém a narrativa interessante mesmo nos momentos em que a trama parece óbvia. A reviravolta central – Pumpkin ameaçando o status de Apple – não chega a surpreender, mas funciona como motor para diálogos afiados, contribuindo para a avaliação positiva dos críticos que enxergam “potencial de clássico cult”.
Atuações elevam o terror cômico
Reinhart alterna sorriso acolhedor e olhar assassino com naturalidade, criando uma antagonista carismática. Tung, por sua vez, imprime frescor: seu desconforto inicial se converte em desafio frontal, crescendo cena a cena.
Pedretti e Shipp, embora tenham menos tempo de tela, oferecem contrapontos essenciais. Cherry exibe vulnerabilidade que antecipa possíveis traições, enquanto Fig traz humor sarcástico que alivia a tensão sem quebrar o clima sombrio. Em conjunto, o quarteto sustenta 103 minutos sem que o espectador sinta queda de energia.
Vale a pena assistir?
Com estreia marcada para 27 de março de 2026, Forbidden Fruits chega como combo estético que mistura Meninas Malvadas, Jovens Bruxas e litros de sangue falso. Se a premissa de culto adolescente em shopping faz seus olhos brilharem, o filme entrega exatamente isso, impulsionado por atuações seguras e direção que entende o que o público do horror quer ver. Para fãs de tramas femininas cheias de veneno, é um convite difícil de recusar.



