Daniel Radcliffe nunca escondeu o desconforto em rever Harry Potter e a Pedra Filosofal. Passadas mais de duas décadas, o intérprete do bruxo mais famoso dos cinemas admite que talvez finalmente encare a sessão – mesmo que com certa dose de ironia. A proximidade do 25º aniversário do longa reacendeu a curiosidade do público sobre a primeira aventura em Hogwarts.
O ator declarou, em entrevista, que “talvez” assista novamente ao filme neste ano, mas logo emendou um “duvido”. Entre risadas, Radcliffe reconheceu que naquela época era “um garotinho fofo” e que, hoje, provavelmente lidaria melhor com a própria imagem infantil. Mas será que o longa continua funcionando depois de tanto tempo? Revisitamos a obra para avaliar elenco, direção e roteiro.
A estreia que definiu carreiras
Lançado em 16 de novembro de 2001, Harry Potter e a Pedra Filosofal marcou a segunda participação de Daniel Radcliffe no cinema. O novato liderou um elenco igualmente inexperiente, mas já cativante: Rupert Grint, Emma Watson e Tom Felton tinham idades próximas aos próprios personagens, ajudando o público a embarcar na fantasia escolar.
Radcliffe segura o protagonismo com naturalidade surpreendente. Mesmo quando a narrativa exige que Harry lide com profecias sombrias sobre Voldemort, o ator mantém traços de inocência que justificam o famoso comentário de hoje: ele realmente era um “garotinho fofo”. Grint acrescenta timing cômico certeiro como Ron, enquanto Watson entrega disciplina acadêmica e muita energia como Hermione. O trio principal, portanto, sustenta grande parte do charme do filme.
Do palco às telas: o caminho pós-Hogwarts
Quinze anos se passaram desde o último filme principal da saga, e cada integrante do elenco trilhou rumos distintos. Radcliffe mergulhou em projetos ousados como a peça Equus e o filme The Lost City, além de se envolver em obras de humor absurdo, caso da série Miracle Workers. Já Rupert Grint explorou gêneros variados em títulos como Swiss Army Man e no suspense Servant.
Emma Watson preferiu alternar grandes produções – A Bela e a Fera, Adoráveis Mulheres – com longas independentes, além de se dedicar ao universo da moda durante um hiato na carreira de atriz. Embora todos carreguem para sempre o rótulo de ex-alunos de Hogwarts, cada um demonstra versatilidade suficiente para provar que a Pedra Filosofal foi apenas o ponto de partida.
A condução de Chris Columbus e o texto de Steve Kloves
Dirigido por Chris Columbus, o filme aposta em um ritmo de descoberta gradual, acompanhado por cenários exuberantes e efeitos práticos que ainda impressionam. Columbus prefere o encantamento ao espetáculo explosivo; a câmera passeia pelos corredores de Hogwarts para garantir que o público veja cada detalhe do castelo.
Imagem: Divulgação
O roteiro de Steve Kloves, adaptado diretamente da obra de J.K. Rowling, equilibra aventura e humor de forma eficiente. A longa duração – 152 minutos – permite que o universo mágico seja apresentado sem pressa. Ao revisitar o filme, percebe-se que a fidelidade ao livro funciona como ferramenta de imersão, ainda que ocasionalmente resulte em cenas ligeiramente expositivas.
25 anos depois: celebração e reexibição
Radcliffe comentou que haverá “algum tipo de celebração” pelo aniversário de um quarto de século. Warner Bros. planeja relançar Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas, oportunidade para fãs antigos conferirem a restauração em tela grande e para novatos descobrirem onde tudo começou. O ator diz estar “muito feliz” por ver o público retornar aos cinemas – mesmo que ele próprio ainda pense duas vezes antes de sentar na poltrona.
O movimento segue uma tendência de reviver clássicos nos cinemas. Títulos como O Quinto Elemento também ganharam relançamentos, mostrando que a nostalgia continua forte nas estratégias dos estúdios. No caso de Harry Potter, a data ganha peso adicional graças à série reboot em produção pela HBO, com novo elenco e promessas de adaptação capítulo a capítulo.
Vale a pena rever Harry Potter e a Pedra Filosofal?
A resposta de Daniel Radcliffe ainda é um “talvez”, mas para o público a dúvida dificilmente existe. A combinação de elenco carismático, direção cuidadosa e roteiro fiel mantém o filme relevante 25 anos depois. Se Radcliffe decidir encarar a sessão, encontrará não apenas um “garotinho fofo”, mas um registro histórico do início de uma das franquias mais rentáveis do estúdio – e que o Salada de Cinema continua acompanhando de perto.



