Quase 30 anos após causar estranhamento e fascínio nas salas de exibição, O Quinto Elemento (The Fifth Element) ganha nova chance de brilhar na telona. O longa de Luc Besson será exibido em 26 e 27 de julho como parte da série Big Screen Classics, iniciativa da Fathom Entertainment dedicada a relançar obras icônicas.
O retorno acontece depois de reestreias em 2017 e 2024 e coloca novamente Gary Oldman, Bruce Willis e Milla Jovovich diante de plateias saudosas – ou curiosas pela primeira experiência. Abaixo, o Salada de Cinema reúne os pontos que sustentam o status de cult da produção de 1997.
Reestreia de O Quinto Elemento agita programação de clássicos
A Fathom Entertainment incluiu o filme de Besson em uma lista que conta ainda com Cidadão Kane, Ben-Hur e O Silêncio dos Inocentes. Cada sessão terá introdução gravada pelo crítico Leonard Maltin, presença recorrente na série de reprises.
Em 1997, a aventura futurista arrecadou US$ 63 milhões nos Estados Unidos e US$ 200 milhões nos mercados internacionais, desempenho que garantiu à Columbia Pictures retorno sobre o orçamento de US$ 90 milhões. O interesse de exibição permanece alto: ingressos para as datas especiais já estão em pré-venda.
Elenco continua a brilhar quase três décadas depois
Gary Oldman interpreta Jean-Baptiste Emanuel Zorg com sotaque indefinível, figurino extravagante e tiques que beiram o cartunesco. A composição, celebrada por parte da crítica e vista como arriscada por outra, mantém frescor e faz do vilão peça-chave da narrativa. Desde então, o ator ampliou a filmografia com Harry Potter, Batman: O Cavaleiro das Trevas, Oppenheimer e o papel que lhe rendeu o Oscar em O Destino de uma Nação.
Bruce Willis, no papel do taxista Korben Dallas, oferece carisma pragmático e timing cômico que equilibram o tom operístico do roteiro. Já Milla Jovovich, então em ascensão, transforma Leeloo em figura carismática por meio de linguagem corporal singular e domínio de um idioma fictício criado especialmente para a produção. A química entre o trio sustenta a tensão épica sem sacrificar o humor.
Direção inventiva de Luc Besson permanece atual
Besson, que depois comandaria Lucy e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, constrói aqui um universo pop influenciado tanto por histórias em quadrinhos francesas quanto por ópera e cultura de moda dos anos 90. Os enquadramentos verticais e o uso de cores vibrantes favorecem a imersão em um século XXIII de neon, ruídos urbanos e cabines de táxi voadoras.
Imagem: Abaca Press/INSTARs
O cineasta assina o roteiro ao lado de Robert Mark Kamen, e a dupla dosa aventura com tons de romance pulp. A montagem, responsável pela única indicação ao Oscar (edição de efeitos sonoros), valoriza cortes rápidos durante perseguições enquanto preserva pausas dramáticas em sequências operísticas, a exemplo da memorável apresentação da Diva Plavalaguna.
Som e visual: os trunfos de uma aventura espacial cult
A trilha de Éric Serra combina batidas eletrônicas, elementos tribais e coral, criando identidade sonora que reforça a mistura de gêneros – ação, comédia, ficção científica. No cinema, a remasterização promete destacar desde explosões no espaço até sutilezas na voz de Jovovich no idioma divino.
O design de produção, inspirado em ilustrações de Jean Giraud (Moebius) e Jean-Claude Mézières, salta aos olhos em projeção grande. Figurinos de Jean-Paul Gaultier, como a icônica bandagem branca de Leeloo, permanecem referências na cultura pop. A nova cópia ajuda o público a notar detalhes de cenografia que, em telas menores, passam despercebidos.
Vale a pena rever O Quinto Elemento nos cinemas?
Reencontrar a aventura de Korben Dallas nos dias 26 e 27 de julho significa testemunhar Gary Oldman no auge da ousadia, redescobrir o olhar colorido de Luc Besson para o futuro e, principalmente, comprovar por que o longa sustenta 71 % de aprovação no Rotten Tomatoes. Para fãs veteranos ou novos exploradores do cosmos cinematográfico, a experiência em tela grande continua, literalmente, de outro mundo.









