Russell Crowe e Ridley Scott formaram uma das duplas mais comentadas do início dos anos 2000 depois de Gladiador. Quando ambos anunciaram que voltariam às câmeras para Robin Hood, em 2010, a expectativa girava em torno de outro grande épico histórico. O resultado, no entanto, ficou aquém do esperado.
Em nova publicação na rede X, o ator comentou abertamente que 17 minutos foram retirados da versão exibida nos cinemas. Para ele, esse corte eliminou cenas vitais de ligação emocional, comprometendo a experiência do público e a recepção crítica do longa.
Retorno da dupla Ridley Scott e Russell Crowe
Depois de projetos como Gladiador, Uma Boa Ano e Rede de Mentiras, Robin Hood marcou a quinta colaboração da dupla. Dessa vez, Scott quis apresentar uma saga de origem que mostrasse como o lendário fora-da-lei ganhou fama. A produção custou cerca de US$ 200 milhões e somou US$ 321 milhões nas bilheterias mundiais, valor distante do ponto de equilíbrio estimado em US$ 500 milhões.
Crowe, que novamente assumiu o papel de protagonista, descreveu nas redes que a intenção original era narrar a história em três partes. Segundo o ator, o conceito de Robin Hood como um “título herdado” em vez de um único homem partiu dele. A ideia dialoga com mitos antigos do “Green Man”, reforçando a atmosfera sombria escolhida pelo diretor.
Elenco de peso, recepção morna
A superprodução reuniu Cate Blanchett, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac, Matthew Macfadyen e Max von Sydow. Mesmo com tantas estrelas, a nota de 43% no Rotten Tomatoes indicou frustração de críticos, que classificaram o filme como excessivamente sisudo e sem o senso de aventura característico do folclore inglês.
As atuações, ainda assim, foram apontadas como ponto forte — especialmente Blanchett, cuja Marianne ganhou mais tempo de tela na versão estendida de 156 minutos. Vale lembrar que o próprio Crowe auxiliou na produção, repetindo parceria que havia dado certo em Gladiador. A expectativa era repetir a química que transformou o general Máximus em ícone pop, mas o roteiro de Brian Helgeland optou por um tom mais realista, algo que dividiu opiniões.
O impacto do corte de 17 minutos
De acordo com Crowe, cada minuto retirado comprometeu a “teia emocional” que unia ações e motivações. Ele sugere que qualquer filme perderia força caso 17 minutos de cenas sensíveis fossem descartados. Na edição para cinema, o tempo de exibição ficou em 140 minutos; já o diretor’s cut, disponível em plataformas digitais, adiciona batalhas ampliadas e aprofunda o relacionamento entre Robin e Marianne.
Imagem: Divulgação
Esse tipo de intervenção em blockbusters não é incomum, mas no caso específico de Robin Hood teria acentuado críticas sobre falta de desenvolvimento dos personagens. Muitos espectadores compararam negativamente com Gladiador, cujo equilíbrio entre cenas de ação e drama familiar ajudou a conquistar Oscar e público. Para Crowe, a comparação é inevitável justamente porque o potencial dramático foi limado na ilha de edição.
Planos para uma trilogia nunca concretizada
Nos bastidores, o longa foi concebido para abrir terreno para continuações. A ideia de passar o manto de Robin através de gerações criaria espaço para novos conflitos e diferentes protagonistas. No entanto, a performance modesta nas bilheterias e a recepção crítica esfriaram o entusiasmo do estúdio.
Esse adiamento de sequências impediu que o público visse a evolução imaginada pela equipe criativa. O fracasso comercial também selou, até o momento, o fim da parceria entre Scott e Crowe, que não colaboram desde então. Outros nomes populares, como Gary Oldman, continuam ganhando destaque em relançamentos — vide o retorno de O Quinto Elemento aos cinemas em julho —, mas Robin Hood ficou sem segunda chance em tela grande.
Vale a pena revisitar Robin Hood?
Para quem busca compreender por que uma produção tão ambiciosa não alcançou o patamar de Gladiador, assistir ao diretor’s cut é o caminho indicado pelo próprio Crowe. A versão alongada oferece mais contexto às escolhas de Marianne, evidencia a brutalidade das batalhas e traz de volta trechos que aproximam o espectador das motivações de Robin.
No universo de grandes épicos, Robin Hood talvez não seja lembrado com o mesmo carinho de outros filmes de Ridley Scott, mas permanece como estudo interessante sobre as consequências de cortes de estúdio. O Salada de Cinema seguirá de olho em qualquer possível retomada dessa parceria ou em novos projetos que explorem a lenda do arqueiro de Nottingham.



