Gege Akutami não economiza munição em Jujutsu Kaisen Modulo 22. O capítulo escancara que a história entrou na reta final, alinhando personagens, poderes e dilemas morais num tabuleiro pronto para explodir.
O encontro de Yuji Itadori e Mahito, guiado pela técnica de Maru, serve de estopim para uma série de decisões radicais que pretendem reescrever o próprio conceito de energia amaldiçoada no Japão. A seguir, destrinchamos o que faz deste capítulo um marco dentro do universo criado pelo autor.
O início do fim para Jujutsu Kaisen Modulo
Desde as primeiras páginas, o roteiro deixa claro que todas as linhas narrativas convergem. Maru, ao manipular o limbo entre a vida e a morte, inaugura oficialmente o “ato final” e convoca Itadori para o centro do palco. A proposta é simples, mas ambiciosa: acabar com o nascimento de Espíritos Amaldiçoados de uma vez por todas.
Akutami – roteirista e, na prática, o “diretor” de sua própria obra – corrige, aqui, uma pendência antiga da série original: o objetivo de criar um mundo livre de maldições, ideia que havia se diluído na reta final do mangá principal. O capítulo 22 resgata o propósito inicial e ajusta o compasso dramático, trazendo frescor e sensação de urgência.
Yuji Itadori versus Mahito: revanche em Shibuya
A escolha de colocar Yuji diante de Mahito no mesmo plano etéreo visto após a morte de Sukuna ativa de imediato a memória afetiva do leitor. A luta é curta, mas brutal: Mahito abre a própria Domain Expansion, apenas para descobrir que o poder de corte e desmantelamento de Itadori agora excede seus limites.
Na “encenação” desse confronto, Akutami aproveita para mostrar a evolução de Itadori como protagonista. O personagem já não hesita; domina suas habilidades e toma de Mahito a Idle Transfiguration, peça essencial ao plano de Maru. A dinâmica quase teatral do duelo lembra a construção de lutas de animes recentes, como o embate de Vegeta em Dragon Ball Super, onde a narrativa também reposiciona o herói principal.
Maru, o arquiteto da erradicação da energia amaldiçoada
Se Yuji entrega a força bruta, Maru surge como estrategista. O capítulo enumera passo a passo a operação que pretende dissolver a energia amaldiçoada em escala nacional. Para isso, ele precisa de dois catalisadores: o Mul, fonte alienígena de energia puríssima, e o anel de Yuta, carregado por décadas.
Imagem: Divulgação
Com esses suprimentos, Maru pretende aplicar a Idle Transfiguration simultaneamente em toda a população japonesa, separando energia e alma. O roteiro destaca uma preocupação ética: os atuais feiticeiros e os Simurianos que já dominam técnicas não serão alterados, evitando mutilar suas identidades. A mudança afetará apenas as gerações futuras, equalizando o jogo entre humanos e Simurianos.
Consequências e lacunas ainda abertas
Embora o plano soe definitivo, Akutami insere uma ressalva importante pela boca de Itadori: eliminar a energia não extinguirá todos os Espíritos Amaldiçoados. Feiticeiros mortos sem energia amaldiçoada podem retornar como espíritos vingativos, e haveria ainda criaturas fora do Japão.
O autor sinaliza, portanto, que o conflito não termina com um único feitiço nacional. Há arestas a aparar nos próximos capítulos, inclusive o destino de Dabura e Mahoraga, cuja batalha colossal segue em segundo plano, mas promete impacto direto nesse desfecho. O suspense cumpre bem a função de retenção de público, algo essencial para quem acompanha através de plataformas de leitura rápida, como fazemos aqui no Salada de Cinema.
Vale a pena acompanhar Jujutsu Kaisen Modulo?
Jujutsu Kaisen Modulo 22 mantém ritmo acelerado, reintroduz motivações esquecidas e entrega um duelo simbólico que satisfaz fãs antigos. Ao mesmo tempo, o roteiro pavimenta novas tensões, impedindo qualquer sensação de “dever cumprido” prematuro. Se o objetivo é saber como Akutami fechará a conta do universo criado, este capítulo se torna leitura obrigatória – e um aperitivo eficiente para o caos que vem aí.




