O universo Star Wars segue agitado nos bastidores. Prestes a deixar a presidência da Lucasfilm, Kathleen Kennedy abriu o jogo sobre quais longas continuam no radar do estúdio e quais foram engavetados, ao menos por enquanto. O futuro da galáxia muito, muito distante agora passará pelas mãos de Dave Filoni, novo Chief Creative Officer, e de Lynwen Brennan, vice-presidente executiva.
Entre roteiros “hilários”, projetos “quebradores de molde” e paixões antigas que insistem em ressurgir, Kennedy fez um balanço raro e direto. Para o leitor do Salada de Cinema, organizamos os principais pontos dessa conversa, focando na visão criativa, no desempenho esperado dos atores e no trabalho dos diretores e roteiristas envolvidos.
Dawn of the Jedi: visão autoral de Mangold e Willimon esbarra em cautela
James Mangold, responsável pelo vigor narrativo de Logan, escreveu ao lado de Beau Willimon (House of Cards) um roteiro que recua 25 mil anos na cronologia para mostrar a gênese dos Jedi. Kennedy descreveu o texto como “incrível” e admitiu que ele rompe padrões ao adotar um tom quase mitológico, banhado por influências bíblicas e western. A ideia, segundo fontes internas, é acompanhar personagens desconhecidos, oferecendo liberdade plena ao elenco.
Esse frescor, porém, assusta executivos que temem afastar o fã médio. O estúdio quer ver garantias de que o público aceitará heróis sem sobrenome Skywalker. Em termos de casting, fala-se em apostar em nomes sólidos de prestígio dramático, mas ainda abertos a contratos de longa duração. O desafio será encontrar intérpretes capazes de equilibrar intensidade emocional e fisicalidade, já que Mangold planeja cenas de ação filmadas em locações naturais, com fotografia realista.
Taika Waititi usa humor para seduzir a galáxia
Conhecido por atualizar o tom de Thor: Ragnarok, Taika Waititi entregou um roteiro descrito como “hilário e ótimo”. A julgar por seu histórico, o cineasta deve misturar irreverência, cor vibrante e piadas autorreferentes, algo que divide os fãs de Star Wars. Há quem tema excesso de humor, mas Kennedy garante que a proposta mantém o coração da saga: família, esperança e redenção.
No papel principal, Waititi cogita escalar novos rostos, evitando comparações diretas com lendas consagradas. Rumores apontam testes com comediantes que também sabem manejar tensão dramática, fórmula que já deu certo em Guardiões da Galáxia. Caso avance, o filme será um exercício de timing cômico aliado a efeitos práticos, terreno fértil para performances que exijam improviso controlado.
Lando de Donald Glover pode devolver charme a uma era esquecida
Donald Glover não apenas quer voltar ao papel de Lando Calrissian; ele também assinou o roteiro ao lado do irmão Stephen Glover. A dupla procura se afastar do fan service visto em Solo: A Star Wars Story. A ideia é um heist movie espacial, centrado no carisma debochado de Lando e em diálogos afiados. Caso o projeto receba sinal verde, Glover atuará e produzirá, repetindo o modelo de Atlanta, série que lhe rendeu Emmys.
Imagem: Walt Disney Studios Moti Pictures via MovieStillsDB
O roteiro foca na juventude do contrabandista, apostando em set pieces que coloquem em evidência o magnetismo do ator. Kennedy elogiou o texto, mas lembrou que decisões finais caberão a Filoni e Brennan. O grande trunfo aqui é ter um protagonista que já conquistou boa parte do público e, ao mesmo tempo, espaço para coadjuvantes inéditos brilharem.
Simon Kinberg revisita a saga em nova trilogia ainda sem título
Roteirista de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, Simon Kinberg está lapidando uma trilogia que ocorreria depois dos eventos do Episódio IX. Segundo Kennedy, o tratamento de 70 páginas reformulou por completo a primeira versão e arrancou entusiasmo de Filoni. O autor planeja alinhar ação grandiosa com conflitos familiares, base do DNA Star Wars.
Em termos de elenco, especula-se a busca por um mix de veteranos dispostos a retornar e novatos que possam carregar a franquia até meados da década de 2030. A direção ainda não foi definida, mas Kinberg deseja diferentes cineastas a cada filme, repetindo o modelo de Guerra nas Estrelas clássico, que alternou estilos sem perder coesão temática.
Vale a pena ficar de olho?
Cada um desses filmes de Star Wars apresenta identidade própria, desde a ousadia histórica de Dawn of the Jedi até o humor de Taika Waititi, passando pelo charme de Donald Glover e a ambição épica de Simon Kinberg. Para quem acompanha o desenvolvimento de produções cinematográficas, acompanhar essa corrida criativa vale tanto quanto assistir ao resultado final. Os próximos anos dirão quais narrativas chegarão às telonas — e quais performances se tornarão icônicas na galáxia criada por George Lucas.



