A quarta temporada de Will Trent não perdeu tempo para chocar o público. Logo no segundo episódio, “Love Takes Time”, a produção da ABC eliminou James Ulster, vilão recorrente interpretado por Greg Germann. A decisão, confirmada pelos showrunners Liz Heldens, Karine Rosenthal e Daniel Thomsen, muda o tabuleiro narrativo e aprofunda a crise emocional do agente do GBI vivido por Ramón Rodriguez.
Além da reviravolta, o capítulo destaca a dinâmica entre Ulster, Will e a nova personagem Susan, de Michaela Watkins, responsável por conduzir a trama a um clímax claustrofóbico. A seguir, o Salada de Cinema destrincha como as escolhas de elenco, roteiro e direção tornaram esse momento um dos mais intensos do drama policial.
Impacto da morte de Ulster no arco de Will Trent
No desfecho do episódio, Ulster se coloca na linha de fogo e recebe o disparo que mirava Will, morrendo nos braços do protagonista. Para os roteiristas, a cena representa “o belo rosto do desmoronamento” do agente, que já vinha sofrendo alucinações e crises de ansiedade desde a estreia da temporada. Os diálogos curtos entre Will e seu verdadeiro pai, o xerife Caleb Roussard (Yul Vazquez), reforçam que a morte não encerra o conflito interno; ele continua ouvindo o eco de Ulster em sua cabeça.
O showrunner Daniel Thomsen frisa que o som de campainha ao final do episódio indica “negócios inacabados”. Isso sugere que Germann pode reaparecer em visões, recurso visual que a série usa para mergulhar na psique do protagonista. A estratégia oferece aos diretores liberdade para cenas que “quebram a realidade”, algo incomum em procedurais mais tradicionais.
Greg Germann e Ramón Rodriguez entregam duelo visceral
Boa parte do capítulo se passa em um depósito transformado em sala de jantar improvisada, onde Ulster e Will compartilham momentos de tensão e cumplicidade forçada. Greg Germann, conhecido por papéis cômicos, abraça o tom ameaçador sem abandonar o carisma, característica que o torna ainda mais inquietante. Seu Ulster equilibra charme e crueldade, mantendo o público em dúvida sobre seus verdadeiros motivos até o último segundo.
Ramón Rodriguez, por sua vez, interpreta Will Trent em estado limite. Desde as alucinações no episódio de estreia até a luta física contra o inimigo, o ator alterna fragilidade e fúria com precisão. O olhar perdido após o disparo que mata Ulster sintetiza a colisão entre dever profissional e trauma pessoal. Essa complexidade sustenta a aposta dos showrunners de colocar o protagonista diante da própria escuridão.
Direção e roteiro potencializam o suspense com estética cinematográfica
Com Histórico em séries como Friday Night Lights, Liz Heldens conduz a sala de roteiristas ao lado de Karine Rosenthal e Daniel Thomsen. O trio evita resolver tramas rapidamente, preferindo camadas psicológicas que se estendem ao longo dos episódios. A morte de Ulster é tratada mais como gatilho para questionamentos futuros do que como clímax definitivo.
Imagem: Divulgação
Na direção, a escolha de planos fechados e luz amarelada intensifica a sensação de cárcere. A mise-en-scène da “cozinha” montada por Susan reproduz um lar distorcido, quase onírico, contribuindo para a atmosfera de pesadelo. Esses detalhes fazem a produção se afastar do procedural convencional, aproximando-se de um thriller psicológico. O ritmo é cuidadoso: diálogos curtos, pausas longas e, de repente, explosões de violência.
Michaela Watkins equilibra humor e ameaça como Susan
A entrada de Michaela Watkins, veterana do humor improvisacional, acrescenta uma camada de imprevisibilidade. Segundo Heldens, a equipe procurava alguém capaz de “ir do simpático ao aterrorizante em um piscar de olhos”. Watkins preenche o requisito ao interpretar Susan como vítima e algoz. Ela aplica choques elétricos em Will e Ulster com naturalidade perturbadora, mas exibe vulnerabilidade ao expor a decepção amorosa que alimenta suas ações.
Os showrunners salientam a importância de válvulas de escape cômicas em meio aos temas sombrios. Watkins oferece pequenos momentos de ironia que aliviam a tensão sem comprometer a gravidade da situação. O contraste entre o sorriso hospitaleiro da personagem e a brutalidade de suas ações cria uma ambiguidade fascinante, tornando-a antagonista à altura do falecido Ulster.
Vale a pena assistir à quarta temporada de Will Trent?
Para quem acompanha a série desde o início ou busca dramas policiais com abordagem psicológica, a nova leva de episódios mantém o nível elevado. A combinação de atuações intensas, direção ousada e roteiros que não temem explorar o trauma faz a temporada 4 justificar cada minuto de tensão.









