A aguardada continuação “28 Years Later: The Bone Temple” chegou aos primeiros termômetros críticos e já quebrou um marco importante da franquia de horror pós-apocalíptica. O quarto capítulo, comandado por Nia DaCosta, surgiu apenas seis meses depois do retorno da série aos cinemas, encerrando um hiato de duas décadas que separava o original “28 Days Later” das novas produções.
Com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa desponta como o mais bem avaliado do universo criado por Danny Boyle e Alex Garland. A pontuação, calculada a partir de 70 críticas até o momento, ultrapassa os 89% registrados pelo antecessor imediato e reforça o fôlego comercial do projeto, que já tem um quinto filme confirmado.
Projeção crítica coloca “The Bone Temple” no topo da saga
Desde o lançamento de “28 Days Later” em 2002, cada sequência conviveu com comparações constantes, tanto na bilheteria quanto na recepção especializada. Agora, “28 Years Later: The Bone Temple” encabeça o ranking interno com seus 93%, superando a estreia de Boyle (87%) e o segundo título, “28 Weeks Later”, que havia ficado com 73%.
O índice reflete a avaliação de veículos internacionais que elogiaram a fusão de horror visceral com elementos de tragicomédia. Em análise para a imprensa estrangeira, Gregory Nussen atribuiu nota 9 de 10 ao filme, classificando-o como “assombroso” e “mais inquietante do que o mal que vagueia pela floresta”. Ele ainda destacou a habilidade da diretora em modular tensão e melancolia, mantendo a narrativa sempre em movimento.
Direção de Nia DaCosta imprime marca trágica e intimista
Responsável pelo polêmico “The Marvels”, DaCosta encontrou em “28 Years Later: The Bone Temple” um terreno fértil para explorar temas sombrios sem abrir mão de uma estética autoral. A cineasta assume o comando após Danny Boyle retomar a saga apenas no filme anterior, e, segundo o consenso crítico, demonstra domínio do ritmo ao alternar momentos de ação frenética com passagens contemplativas.
A roteirização continua nas mãos de Alex Garland, que coescreve a trama ao lado da diretora. A dupla investe em dualidades morais, destacando como a humanidade reage ao caos prolongado. A estrutura em três atos valoriza peças dramáticas curtas, quase teatrais, focadas em dilemas éticos que perpassam sobreviventes e infectados.
Entre os pontos sublinhados pelos especialistas, chamam atenção:
- A ambientação claustrofóbica de ruínas britânicas, apelidadas de “Templo de Ossos”, que empresta ao roteiro um subtexto religioso sobre culpa e redenção;
- O uso de silêncio como ferramenta narrativa, pontuado por trilha minimalista, recurso que, segundo críticos, intensifica o sentimento de imprevisibilidade;
- Inserções de flashbacks que expandem a mitologia sem interromper o fluxo principal.
Elenco entrega performances contrastantes e viscerais
Jack O’Connell retorna como Jimmy Crystal, personagem inspirado no controverso apresentador Jimmy Savile. Nesta etapa, o antagonista lidera os “Jimmys”, gangue de acrobatas violentos que recruta o jovem Spike, vivido por Alfie Williams. O relacionamento mestre-discípulo surge como núcleo dramático da narrativa e foi descrito por Nussen como “duro golpe emocional” em meio a cenas de carnificina.
Imagem: Divulgação
Do outro lado, Ralph Fiennes interpreta o Dr. Ian Kelson, pesquisador que mantém contato direto com infectados em busca de cura. A crítica aponta para uma dinâmica quase espelhada entre Kelson e Crystal: enquanto um tenta salvar o que resta de humanidade, o outro explora o desespero alheio. O magnetismo dos atores, segundo diversas revistas especializadas, sustenta diálogos carregados de subtexto. Na avaliação mais citada, “são duas faces da mesma moeda estranhamente fascinante”.
Ainda que em participação limitada, Cillian Murphy reaparece como Jim, protagonista do primeiro filme, após 24 anos fora da cronologia principal. Tanto o ator quanto DaCosta confirmaram a brevidade desse retorno, mas o gesto garante gancho direto para a conclusão da nova trilogia, já agendada pela Sony para depois de 2026.
Caminho aberto para o quinto filme e expectativas de público
Apesar de algumas divisões entre espectadores em “28 Years Later” — cuja audiência no Rotten Tomatoes estacionou em 63% —, o desempenho crítico excepcional de “The Bone Temple” motivou o estúdio a oficializar o próximo longa antes mesmo da estreia comercial do atual. A continuação, ainda sem subtítulo, reconduzirá Boyle à direção e manterá Murphy no centro da trama.
No plano de produção, o respaldo vem não só da avaliação positiva, mas também do histórico de bilheteria. A estratégia de lançar sequências em janelas curtas tenta capitalizar a lembrança recente do público. Caso repita o impacto dos 70 primeiros reviews, a franquia consolidará seu retorno no calendário de grandes lançamentos de janeiro, período geralmente tranquilo para blockbusters e favorável a thrillers de médio orçamento.
Vale a pena assistir?
Até aqui, o veredito especializado aponta para um terror renovado, sustentado por direção confiante, texto afiado e atuações marcantes. Com a chancela de 93% no Rotten Tomatoes, “28 Years Later: The Bone Temple” se posiciona como o capítulo mais bem avaliado da série, fato suficiente para atrair curiosos e fãs de longa data. Para quem acompanha as análises do Salada de Cinema, a produção desponta como estudo relevante sobre como reiniciar e, simultaneamente, amadurecer uma franquia que parecia adormecida.









