Depois de 27 dias ininterruptos no topo das bilheterias, Avatar: Fire and Ash perdeu a coroa diária para 28 Years Later: The Bone Temple. O quarto longa do universo criado por Danny Boyle arrecadou 2,1 milhões de dólares em sessões de pré-estreia na quinta-feira de véspera do feriado de Martin Luther King Jr.
Aos fãs de cinema que acompanham o Salada de Cinema, o número é simbólico: o filme de Nia DaCosta superou o épico de James Cameron justamente no 28º dia de exibição do rival, em um curioso alinhamento com o próprio título da produção de terror.
Uma estreia que desbanca um titã de bilheteria
O feito de 28 Years Later: The Bone Temple não é pequeno. Fire and Ash dominava o ranking doméstico desde 19 de dezembro, sustentado pelo prestígio da franquia Avatar, cujos dois primeiros capítulos estão entre as produções mais lucrativas da história. Destronar esse colosso, mesmo que por um dia, demonstra um interesse real do público pelo novo capítulo da saga de zumbis rápidos.
A força da marca, no entanto, não se converteu em números tão robustos quanto os do antecessor 28 Years Later, que havia conquistado 5,8 milhões de dólares na noite de prévias em 2025. A diferença se justifica em parte pelo feriado de Juneteenth que impulsionou aquele lançamento, mas revela também sinais de desgaste comercial: projeções indicam um fim de semana de estreia entre 20 e 22 milhões, abaixo dos 30 milhões registrados anteriormente.
Atuações que sustentam a tensão pós-apocalíptica
Parte da curiosidade em torno de 28 Years Later: The Bone Temple recai sobre o novo quarteto principal. Alfie Williams vive Spike, um sobrevivente que carrega a angústia de quem testemunha a humanidade ruir pela terceira vez. A avaliação inicial da crítica, refletida no selo Certified Fresh de 93% no Rotten Tomatoes, sugere que Williams entrega um papel contido, focado mais nos silêncios do que nos grandes discursos.
Ralph Fiennes, por sua vez, traz a experiência de décadas para compor um mentor ambíguo, transitando entre a esperança de reconstrução e o desespero latente. Jack O’Connell assume Jimmy Crystal, personagem descrito por analistas como motor emocional da trama, enquanto o ex-lutador Chi Lewis-Parry adiciona fisicalidade brutal ao grupo. Essa combinação de perfis amplia o espectro dramático da franquia, que sempre se apoiou no contraste entre humanidade e selvageria.
Direção e roteiro: caminhos diferentes na mesma franquia
Nia DaCosta, conhecida por Candyman, é a primeira cineasta a assumir um título da série 28 Days Later. A diretora evita repetir a estética de Danny Boyle e aposta em planos mais contemplativos, segundo relatos de críticos norte-americanos. Com orçamento estimado em 63 milhões de dólares, DaCosta investe em cenários em ruínas e num design de som que enfatiza o vazio das metrópoles abandonadas — elementos que, de acordo com especialistas, reforçam a atmosfera de inevitabilidade.
Imagem: Miya Mizuno
O roteiro traz novamente Alex Garland na função de escritor, desta vez ao lado de uma sala de roteiristas ampliada. O texto procura equilibrar a inquietação filosófica típica do autor — já vista em Ex Machina — com set pieces de terror puro que remetem ao original de 2002. Para alguns observadores, a dupla DaCosta-Garland oferece um olhar menos frenético e mais psicológico, contrastando com o ritmo pulsante que tornou 28 Days Later um marco do terror moderno.
Desempenho comercial ainda incerto
A boa recepção crítica não elimina o desafio financeiro. Enquanto 28 Years Later custou 60 milhões e saiu do circuito com 151,3 milhões globais, The Bone Temple parte de um orçamento ligeiramente superior e enfrenta expectativas de mercado mais rígidas. Analistas lembram que as plataformas digitais, o VOD e a televisão terão peso decisivo no resultado final, diluindo a dependência do circuito tradicional.
Além disso, o boca a boca positivo pode prolongar o fôlego da produção. Se mantiver o ticket médio atual, a obra tem chance de se estabilizar no top 5 semanal durante o restante de janeiro, período historicamente carente de lançamentos de peso. Ainda assim, competir com o poder de marca de Avatar seguirá como tarefa árdua até a chegada de estreias voltadas ao Oscar, em fevereiro.
Vale a pena assistir 28 Years Later: The Bone Temple?
Para quem acompanha a franquia desde o início, o quarto capítulo traz um refresco narrativo graças à mão de Nia DaCosta e ao elenco renovado. Atores como Ralph Fiennes entregam densidade, enquanto Alfie Williams assume a responsabilidade de puxar o espectador para dentro do caos. Mesmo com incertezas de bilheteria, o filme exibe nota crítica recorde na série e já mostra vigor suficiente para justificar a ida ao cinema.









