“28 Years Later: The Bone Temple” chegou aos cinemas carregando o peso de revigorar uma franquia que parecia ter perdido o fôlego no capítulo anterior. Em pouco tempo, o filme não apenas reconquistou críticos e público como também quebrou um recorde nada modesto no agregador Rotten Tomatoes: 94% de aprovação da crítica especializada e 90% do público, a melhor marca do universo iniciado em 2002.
Dirigido por Nia DaCosta e roteirizado por Alex Garland, o longa mergulha em dilemas morais que contrastam fé e niilismo em meio ao caos pós-apocalíptico. Para quem acompanha o Salada de Cinema, vale destacar que o foco, desta vez, está menos na ação visceral e mais na construção psicológica dos personagens, um risco que se mostrou recompensado pela recepção calorosa.
Atuações elevam a tensão em 28 Years Later: The Bone Temple
Entre tantos elementos elogiados, as performances se impõem como o maior trunfo de “28 Years Later: The Bone Temple”. Ralph Fiennes, vivendo o ponderado Dr. Ian Kelson, domina a tela ao explorar as nuances de um cientista dividido entre a ciência e a esperança de cura para os infectados. Suas cenas ao lado de Chi Lewis-Parry, que interpreta o contaminado Samson, entregam um jogo de olhares que dispensa diálogos extensos e amplia o peso dramático.
No extremo oposto, Jack O’Connell assume o carismático – e ao mesmo tempo ameaçador – Sir Jimmy Crystal, líder de um culto acrobático chamado Jimmys. O ator injeta uma energia quase messiânica no personagem, criando um antagonista hipnótico. Alfie Williams completa o trio central como Spike, jovem que vê no grupo uma chance de propósito em um mundo despedaçado. Sua jornada de autodescoberta dá o tom humano necessário para que o espectador se conecte ao conflito principal.
Nia DaCosta encontra o equilíbrio entre introspecção e suspense
DaCosta, que já havia demonstrado talento para o horror em “A Lenda de Candyman”, entrega aqui um domínio de ritmo digno de nota. Ela aposta em takes mais longos para aprofundar a intimidade com os personagens, mas não passa do ponto: nos momentos de tensão, a cineasta puxa o freio da contemplação e injeta cortes rápidos, elevando o clima de urgência.
A diretora também prova sensibilidade ao colocar em cena discussões sobre fé, sem cair em moralismos. A fotografia usa tons pálidos e ambientes fechados para reforçar o peso existencial, contrastando com breves explosões de cor durante os rituais do culto. Esse contraste visual sublinha o embate filosófico entre Kelson e Sir Jimmy, determinante para o êxito da narrativa.
Roteiro de Alex Garland traz profundidade, mas divide opiniões sobre ritmo
Alex Garland, retornando como roteirista da série, investe em diálogos densos que esmiúçam temas de culpa e redenção. A escolha agrada a parcela do público sedenta por desenvolvimento de personagem, mas gerou queixas pontuais sobre a escassez de grandes set pieces de ação ou aparições frequentes dos infectados.
Imagem: Divulgação
Mesmo assim, Garland acerta ao construir um paralelo entre dois líderes – Kelson e Sir Jimmy – que se percebem como salvadores de mundos distintos. Esse desenho narrativo funciona como motor de tensão até o confronto derradeiro, justificando o elevado índice de aprovação tanto da crítica quanto do público, algo raro em franquias longas.
Recepção supera capítulos anteriores e muda o futuro da franquia
O impacto imediato dos índices no Rotten Tomatoes não pode ser subestimado. Para efeito de comparação, “28 Days Later” (2002) registrou 87% dos críticos e 85% do público; “28 Weeks Later” (2007) caiu para 73% e 66%, respectivamente. O primeiro “28 Years Later”, lançado em 2025, até animou a crítica com 89%, mas não convenceu a audiência, despencando para 63%.
Diante do histórico, “The Bone Temple” marca um ponto de virada. Ainda que a projeção de US$ 13,2 milhões no primeiro fim de semana represente menos da metade dos US$ 30 milhões do longa anterior, o boca-a-boca positivo tende a prolongar a vida do filme nas salas. A Sony já confirmou que o terceiro capítulo dessa nova trilogia está em desenvolvimento, graças à resposta inicial encorajadora.
Vale a pena assistir 28 Years Later: The Bone Temple?
Para quem busca pura adrenalina, o ritmo mais comedido pode surpreender. Contudo, a combinação de atuações intensas, direção segura e roteiro reflexivo oferece um capítulo indispensável à saga. Se o objetivo é ver a franquia evoluir além do horror visceral, “The Bone Temple” entrega exatamente essa renovação, justificando a curiosidade pelo próximo passo dessa história.



