Quase duas décadas se passaram desde que os infectados de 28 Days Later invadiram a cultura pop. Agora, 28 Years Later: The Bone Temple chega aos cinemas mantendo o público vidrado – não apenas pelo suspense, mas, sobretudo, pela presença de Cillian Murphy, novamente no papel de Jim.
Com direção de Nia DaCosta e roteiro de Alex Garland, o longa resgata elementos do filme de 2002, porém amplia a mitologia e coloca o protagonismo nas sutilezas de seus intérpretes. A seguir, o Salada de Cinema destrincha o desempenho dos atores, a condução de DaCosta e os caminhos adotados pelo roteiro, mantendo o foco nos fatos já divulgados.
O retorno silencioso de Cillian Murphy
Segundo a própria Nia DaCosta, ver Jim ainda na mesma casa do final de 28 Days Later era essencial para manter a verossimilhança. Em entrevista à revista GQ, a cineasta contou que Murphy surge preparando chá e torradas para a filha – um gesto doméstico que contrasta com o caos externo. Para a diretora, a cena precisava permanecer “pé no chão”, longe de uma volta grandiosa recheada de explosões.
A decisão realça o talento do ator. Murphy trabalha majoritariamente com expressões contidas e pausas calculadas, mostrando um Jim marcado pelo trauma, mas resiliente. O público e a crítica têm destacado justamente essa interpretação introspectiva, confirmada pelo impressionante índice de 94% de aprovação no Rotten Tomatoes. O número, inédito para a franquia, deve muito à forma como o astro faz o espectador sentir cada peso do passado.
DaCosta imprime sensibilidade ao terror
Nia DaCosta assume o comando da franquia ao lado de produtores veteranos, como Danny Boyle e Andrew Macdonald, porém dá seu toque pessoal. Ao invés de acelerar a ação logo de cara, ela aposta na tensão crescente, na construção de atmosfera e na conexão familiar de Jim com a filha. Ao embasar a narrativa em pequenos gestos, a diretora mantém a essência crua dos filmes anteriores sem abrir mão de uma estética mais refinada.
Essa abordagem rendeu não apenas elogios, mas também um desempenho de bilheteria que desbancou Avatar: Fire and Ash. O feito surpreendeu o mercado, pois o longa de James Cameron liderava as arrecadações até então. Para especialistas, a direção firme de DaCosta, aliada ao retorno de Murphy, criou o “combo” que faltava para alavancar o terror zumbi novamente ao topo das bilheterias.
Alex Garland revisita temas e expande o universo
Garland, roteirista do filme original, volta a assinar o texto e segue fiel às raízes: tensão social, instinto de sobrevivência e dilemas morais. Entretanto, o autor amplia o escopo incorporando novos personagens e correntes narrativas, a exemplo da relação paternal de Jim. Esse recorte humano reforça os aspectos dramáticos e oferece respiros estratégicos dentro do horror.

Imagem: Divulgação
Ao manter Jim na mesma cabana, Garland também sublinha a ideia de ciclo: a casa torna-se símbolo da tentativa de normalidade em um mundo ainda devastado. A escolha repete o padrão minimalista do primeiro longa, mas acrescenta camadas, já que o personagem agora ensina história para a filha – quase um ato de resistência cultural. Para fãs da saga, o roteiro equilibra nostalgia e progresso ao mesmo tempo em que sustenta a identidade da franquia.
Recepção do público e impacto nas bilheteiras
Os números falam por si: 28 Years Later: The Bone Temple estreou em 16 de janeiro de 2026, com 109 minutos de duração, e rapidamente derrubou o novo Avatar da liderança mundial. O Rotten Tomatoes entrega 94% de aprovação, acima dos índices obtidos por 28 Years Later, lançado um ano antes. A crítica especializada destaca o retorno de Murphy, a condução segura de DaCosta e o roteiro competente de Garland como tríade responsável pelo sucesso.
Além do protagonismo, o elenco traz nomes como Alfie Williams (Spike) e Jack O’Connell (Jimmy Crystal), que complementam a trama sem roubar o brilho do veterano. O desempenho coletivo ajudou a revigorar a franquia britânica e reacender o interesse por narrativas de zumbis, frequentemente eclipsadas por grandes blockbusters de ficção científica.
Vale a pena assistir?
Para quem acompanha a trajetória de Jim desde 2002, 28 Years Later: The Bone Temple representa um reencontro carregado de emoção. E, mesmo para novos espectadores, a combinação de atuação contida, direção sensível e roteiro consistente faz do filme um capítulo sólido dentro do terror contemporâneo.









