Sydney Sweeney admite que não consegue soltar Cassie Howard — e essa confissão diz mais sobre a 3ª temporada de Euphoria do que qualquer análise de roteiro. Em entrevista recente, a atriz revelou que ainda pensa no que mais Cassie poderia viver, mesmo depois de concluídos os oito episódios da temporada final na HBO Max.
O salto temporal jogou Cassie num mundo adulto que ela nunca pediu
Quando Euphoria voltou para sua 3ª temporada, a série não retomou Cassie de onde a havia deixado — uma adolescente corroída pela insegurança. Havia um salto temporal significativo, e a personagem surge casada com Nate (interpretado por Jacob Elordi), lidando com falência doméstica e trabalhando como modelo no OnlyFans para quitar dívidas do marido. É uma trajetória que comprime décadas de escolhas ruins em poucos episódios.

Sweeney mergulhou fundo nesse arco. A temporada reservou para Cassie sequências que transitam entre o melodrama e o absurdo — incluindo uma cena em que a personagem caminha por Los Angeles em escala gigante, dominando os homens abaixo de si. É a linguagem onírica que Euphoria sempre usou para externalizar estados internos, e sugere que, por baixo de toda a espiral comportamental, Cassie ainda carrega uma fantasia de poder que o mundo real nunca lhe deu.

A sexualização de Cassie é parte da tese da série, não falha de roteiro
Um dos pontos mais delicados levantados por Sydney Sweeney é a forma como a série usa o corpo de Cassie. Ao longo de três temporadas, a personagem é constantemente lida pelo olhar masculino — e a série raramente poupa o espectador dessa desconfortável onipresença. Isso gerou debates reais sobre onde termina a crítica à objetificação e onde começa a repetição dela.
A posição de Sweeney não é a de vítima nem a de apologista: ela entende que essa tensão é constitutiva da personagem. Cassie aprendeu desde cedo que seu valor é medido pela aprovação dos outros, e a série usa isso como combustível narrativo — às vezes com precisão cirúrgica, às vezes de forma que pode parecer gratuita dependendo de quem assiste. O OnlyFans na 3ª temporada é, nesse sentido, menos escândalo e mais lógica cruel: Cassie monetizando exatamente o que sempre lhe foi tomado sem compensação.

A morte de Rue afeta Cassie de um jeito que a série precisava mostrar
Sweeney também falou sobre sua reação emocional à morte de Rue Bennett, a personagem de Zendaya que funciona como coração moral de Euphoria desde o início. Chorar pelo fim de Rue não é detalhe de bastidor — é dado relevante sobre como a atriz se conectou ao arco completo da série, que termina com Cassie ainda em movimento, ainda sobrevivendo, apesar do casamento falido com Nate e da trágica perda da amiga de colégio.
Esse desfecho — Cassie funcionando, mas não exatamente florescendo — é precisamente o que incomoda Sweeney. Segundo ela própria, nunca vai se sentir satisfeita com onde a personagem chegou. Não é insatisfação com o trabalho realizado, mas com o teto que a história impôs à Cassie: uma mulher que sobrevive ao caos sem necessariamente cruzar para outro lado dele.
Uma indicação ao Emmy já no horizonte, e a questão do que vem depois
Sweeney já foi indicada ao Emmy pela 2ª temporada de Euphoria, em 2022. Com a 3ª temporada entregando um arco consideravelmente mais ambicioso para Cassie — e sendo a temporada final da série —, a performance volta ao radar da premiação. Os dados de audiência apontam para números expressivos apesar do controvérso recebimento crítico de alguns aspectos da temporada, o que coloca a série numa posição curiosa: popular o suficiente para premiar, divisiva o suficiente para gerar debate.
O que está claro é que Sydney Sweeney construiu, ao longo de três temporadas, uma das performances mais fisicamente e emocionalmente exigentes da televisão recente. O fato de ela não conseguir fechar a conta de Cassie diz algo sobre o tipo de personagem que vale a pena interpretar — aquelas que sobram na memória justamente porque a história não as resolve por completo.
Fonte: variety.com










