Smallville completou uma década no ar explorando a juventude de Clark Kent antes de vestir oficialmente o uniforme do Superman. Entre mudanças de tom, saídas de elenco e novas ameaças, cada temporada trouxe um sabor diferente para o público.
Neste ranking, organizado do desempenho menos marcante ao mais poderoso, avaliamos a atuação do elenco, as escolhas dos roteiristas Alfred Gough e Miles Millar e o impacto de cada arco narrativo na mitologia do herói kryptoniano.
Um panorama rápido de Smallville
Lançada em 2001, a produção protagonizada por Tom Welling (Clark Kent) e Michael Rosenbaum (Lex Luthor) tornou-se a série de super-herói live-action mais longeva da TV. Do ensino médio de Clark à transição para o Planeta Diário, a atração acompanhou, ano após ano, a evolução do protagonista e de seu antagonista, oferecendo origens emocionais para ambos.
Apesar de oscilar em ritmo e tom, Smallville nunca entregou uma temporada ruim de fato. Mesmo as partes mais criticadas guardam momentos memoráveis, seja por atuações inspiradas, seja por episódios que ampliam a mitologia da DC.
Como este ranking foi pensado
Para posicionar cada ano da série, consideramos três critérios: consistência do roteiro, relevância para a jornada de Clark e qualidade das performances. A ordem abaixo segue do ponto percebido como mais frágil até o clímax criativo.
Vale lembrar que um lugar mais baixo não implica falta de qualidade, apenas indica que, dentro do contexto geral, outros segmentos se sobressaem. Caso procure outras listas de televisão, confira também este ranking de séries quase perfeitas, produzido aqui no Salada de Cinema.
O elenco e a equipe criativa em foco
Tom Welling manteve a consistência desde a estreia, equilibrando a ingenuidade adolescente com a responsabilidade crescente de um herói em formação. Michael Rosenbaum, por sua vez, ofereceu nuances raras a Lex Luthor, sendo peça-chave até mesmo nas temporadas em que aparece menos.
Imagem: Divulgação
No bastidor, diretores como Mike Rohl e Glen Winter souberam alternar episódios intimistas e grandes set pieces, enquanto roteiristas convidados, a exemplo de Geoff Johns, inseriram referências que agradaram tanto novatos quanto fãs de quadrinhos.
Ranking definitivo das temporadas de Smallville
- 5ª temporada – Ao sair do ensino médio, Clark, Lana e Chloe encaram a vida universitária, mas o fôlego inicial se esgota após o episódio 12. As entradas de Brainiac (James Marsters) e a despedida emotiva de Jonathan Kent (John Schneider) elevam o material, ainda que o ritmo caia nos capítulos finais.
- 4ª temporada – O último ano escolar ganha energia com a chegada de Lois Lane (Erica Durance) e do vilão dual Jason/Genieve Teague, interpretados por Jensen Ackles e Jane Seymour. Mesmo com pequenos tropeços, encerra bem a fase colegial de Clark.
- 6ª temporada – A introdução de Oliver Queen/Arqueiro Verde (Justin Hartley) muda o jogo e planta a semente da futura Liga da Justiça. Lex, possuído por Zod no primeiro episódio, afasta-se de vez de Clark, enquanto Jimmy Olsen (Aaron Ashmore) estreia na série.
- 7ª temporada – Mais adulta, inclui Kara Zor-El/Supergirl (Laura Vandervoort) e aprofunda a virada definitiva de Lex para o lado sombrio, oferecendo a Michael Rosenbaum alguns de seus melhores momentos. A fragmentação de subtramas, porém, limita o impacto coletivo.
- 8ª temporada – Sem Lex nem Lana, surge Tess Mercer (Cassidy Freeman) e o Arqueiro assume lugar fixo na equipe. O polêmico arco de Doomsday ganha força graças à atuação de Sam Witwer, mesmo destoando da cronologia tradicional do Superman.
- 1ª temporada – O formato “monstro da semana” apresenta Smallville ao público, construindo o vínculo inicial Clark/Lex e estabelecendo a atmosfera de cidade interiorana. Baixas apostas, mas alto carisma.
- 9ª temporada – Livre do drama colegial, Clark encara o clone Major Zod (Callum Blue) e aprofunda o romance com Lois. Participações de Amanda Waller (Pam Grier) e da Sociedade da Justiça ampliam o universo DC dentro da série.
- 2ª temporada – Lionel Luthor (John Glover) vira presença constante e Christopher Reeve faz participação crucial, revelando a Clark a destruição de Krypton. Pete Ross descobre o segredo do amigo, reduzindo o peso do ocultamento.
- 10ª temporada – O adeus de Smallville foca na transição final de Clark para Superman. Lois conhece a verdade, Oliver se assume herói publicamente e Lex retorna para encerrar o ciclo. Apesar de um Darkseid discreto, o clima de celebração impera.
- 3ª temporada – Equilíbrio perfeito entre o drama adolescente e a expansão do lore kryptoniano. Lex investiga conspiração envolvendo Lionel e Morgan Edge, enquanto Perry White e Jor-El surgem em tramas que impulsionam Clark rumo ao destino heroico. Considerada o ponto alto da série.
Efeitos das mudanças criativas ao longo dos anos
Cada bloco de episódios reflete a necessidade de manter a série viva sem trair seu conceito original. A troca de vilões e a entrada de personagens clássicos geraram variações de tom que, ora agradaram pela ousadia, ora dividiram a base de fãs.
Mesmo assim, a espinha dorsal permaneceu firme: o relacionamento complexo entre Clark e Lex. Essa dualidade, introduzida logo no piloto, ainda ressoa quando olhamos o conjunto completo, justificando por que Smallville permanece relevante mesmo após o boom recente de produções heroicas.
Vale a pena maratonar Smallville?
Com suas virtudes e deslizes, Smallville entrega uma jornada coesa de amadurecimento, tanto do protagonista quanto da televisão de super-heróis. Para quem busca entender como Clark Kent tornou-se o símbolo de esperança que conhecemos – e para quem gosta de boas performances em longos arcos dramáticos – esta maratona continua sendo uma escolha certeira.



