A 98ª cerimônia do Oscar chegou ao fim após quase quatro horas de premiações, música ao vivo e algumas surpresas bem-vindas. Entre momentos de descontração comandados por Conan O’Brien e números musicais certeiros, a Academia conseguiu distribuir estatuetas para todos os títulos mais comentados da temporada.
No centro da noite, One Battle After Another saiu coroado Melhor Filme, fechando uma disputa equilibrada que também envolveu Sinners. A consagração foi acompanhada por vitórias de peso nas categorias de direção, montagem e elenco, consolidando o longa como o grande nome de 2026.
One Battle After Another vence Melhor Filme e exibe montagem pulsante
A vitória de One Battle After Another como Melhor Filme sintetizou o clima do evento: reconhecer trabalhos que uniram ambição técnica e potência dramática. O editor Andy Jurgensen já havia levantado a plateia mais cedo ao levar a estatueta de Melhor Montagem. Seu trabalho, elogiado nos bastidores por transformar três horas em uma experiência “propulsiva”, foi apontado como fator decisivo para manter o público imerso no campo de batalha retratado pelo roteiro adaptado de Paul Thomas Anderson.
O premiado diretor — que também assinou o texto — costura múltiplas linhas temporais sem jamais perder o ritmo, e Jurgensen traduziu essa visão com cortes que alternam brutalidade e introspecção. O resultado é um épico que, apesar da duração, parece curto, mérito que a Academia não deixou passar.
Jessie Buckley: performance arrebatadora em Hamnet garante Oscar de Melhor Atriz
Se havia uma aposta segura na noite, ela atendia pelo nome de Jessie Buckley. Desde a première de Hamnet, críticos já falavam que a atriz tinha o prêmio nas mãos, sentimento confirmado quando seu nome ecoou no Dolby Theatre às 22h29. Buckley interpreta Agnes Hathaway em uma abordagem intimista da peça de Maggie O’Farrell, entregando nuances de dor e amor que fizeram muita gente chorar no cinema.
O desempenho da britânica transmite profundidade sem recorrer a grandes explosões dramáticas; cada olhar e pausa reforça a tragédia silenciosa do texto. A vitória amplia a coleção de prêmios da atriz, que agora se junta a estrelas de gerações anteriores no hall das performances inesquecíveis. Para quem acompanha o Salada de Cinema, esse triunfo já vinha sendo apontado como o mais provável da temporada e confirma o status de Buckley como uma das intérpretes mais versáteis do momento. O feito também dialoga com discussões recentes sobre personagens femininas complexas, tema recorrente em produções analisadas por aqui.
Michael B. Jordan faz história em Sinners e solidifica o roteiro de Ryan Coogler
O Oscar de Melhor Ator para Michael B. Jordan por Sinners registrou outro momento emblemático. O ator tornou-se apenas o segundo a vencer interpretando gêmeos, façanha que ressalta sua capacidade de diferenciar personalidades sem recorrer a truques superficiais. Sua atuação — ora contida, ora explosiva — ganhou força nos prêmios de sindicato e criou a “oportunidade perfeita” citada por comentaristas durante a transmissão.
O longa ainda garantiu a Ryan Coogler o prêmio de Melhor Roteiro Original, coroando uma narrativa que analisa fé, redenção e violência com olhar crítico. Coogler, visivelmente emocionado, agradeceu pelos diálogos incisivos que permitiram a Jordan explorar camadas psicológicas dos irmãos protagonistas. A dobradinha reforça a identidade autoral do diretor-roteirista e se alinha ao histórico recente de vitórias de criadores negros na categoria, assunto aprofundado em reportagem anterior.
Imagem: Divulgação
Paul Thomas Anderson finalmente leva Melhor Diretor e coroa trajetória de 11 indicações
Após onze nomeações ao longo da carreira, Paul Thomas Anderson subiu ao palco com visível alívio para receber o Oscar de Melhor Diretor por One Battle After Another. O cineasta agradeceu à equipe pelo empenho em cenas complexas, incluindo sequências de batalha filmadas em plano-sequência que exigiam precisão cirúrgica de elenco e técnicos.
A vitória veio minutos depois de seu triunfo em Roteiro Adaptado, reforçando a ideia de que Anderson controla cada aspecto do processo criativo. Comentadores destacaram a disputa acirrada com Sinners, mas a balança pendeu para Anderson quando ele demonstrou, nas palavras de colegas, “como se conta uma história de guerra sem perder a humanidade”. A campanha vitoriosa ecoa a celebração de veteranos como Amy Madigan, que também fez história nesta edição — tema detalhado no artigo sobre sua conquista inédita.
Vale a pena assistir aos vencedores do Oscar 2026?
One Battle After Another mistura espetáculo visual e reflexão sobre violência, sustentado por direção precisa de Paul Thomas Anderson. Para quem busca um épico com ritmo surpreendentemente ágil, o filme é parada obrigatória.
Hamnet, por sua vez, oferece atuação arrebatadora de Jessie Buckley, ideal para espectadores interessados em dramas históricos que fogem do convencional e apostam no minimalismo emocional.
Já Sinners entrega performance dupla de Michael B. Jordan e roteiro eloquente de Ryan Coogler, unindo tensão moral e imagens marcantes. Em comum, os três títulos revelam um ano em que a Academia premiou narrativas autorais e interpretações profundamente humanas.



