A diretora de arte Sally Choi recebeu US$ 6.741,36 pelo trabalho em Obsessão, o terror lançado em 14 de maio de 2026 que caminha para arrecadar US$ 250 milhões mundo afora — produzido com apenas US$ 750 mil. O relato, publicado nas redes sociais da profissional em junho de 2026, expõe uma conta que não fecha para nenhum dos lados.
O que Sally Choi revelou sobre o pagamento em Obsessão?
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Choi recebeu US$ 300 por dia de trabalho durante as gravações. Após descontos fiscais, o total líquido foi de US$ 6.741,36 — sem incluir reembolso de quilometragem. O relato foi feito pelo Instagram da profissional, em tom de desabafo.
“Tenho carregado um grande peso nos últimos dois anos desde a produção de Obsessão, então vou falar a verdade”, escreveu ela na abertura do texto. “Isso resultou em US$ 6.741,36 após os impostos. Sem incluir despesas com quilometragem.”
Choi também admitiu que, na época, tinha apenas um curta-metragem no currículo — o que a colocava no patamar mínimo de remuneração para produções independentes de baixo orçamento. O piso salarial era a norma contratual do setor; ela o aceitou. O que ninguém previa era que o filme se tornaria um dos fenômenos de bilheteria do ano.

Por que esse caso importa além do valor em si?
O problema não é apenas o número. É o que ele representa dentro de uma lógica bem conhecida da indústria independente: quando um filme fracassa, os baixos salários da equipe técnica são justificados pelo risco. Quando ele estoura, esse raciocínio some — e o risco continua sendo só de quem estava na linha de frente do trabalho criativo.
A direção de arte é um dos departamentos que mais define a identidade visual de um filme. É essa área que escolhe cenários, paletas de cor, texturas e objetos de cena — tudo o que faz Obsessão parecer Obsessão e não qualquer outro terror de baixo orçamento. Dizer que isso vale US$ 6 mil enquanto o estúdio contabiliza centenas de milhões é uma escolha, não uma consequência natural do mercado.
Choi foi direta sobre esse arrependimento: “Me arrependo todos os dias de não ter mudado o rumo dessa produção. Fui aconselhada a não fazer isso e, ingenuamente, dei ouvidos.” A declaração levanta uma questão pertinente: quem a aconselhou, e por quê esse conselho favorecia quem estava do outro lado do contrato?
Quem está no elenco de Obsessão?
- Michael Johnston — astro principal do filme
- Inde Navarrette — parte do elenco central
- Cooper Tomlinson — parte do elenco central
- Megan Lawless — parte do elenco central
- Andy Richter — parte do elenco central
- Chloe Breen — parte do elenco central
O filme é dirigido por Curry Barker e acompanha um homem que quebra o “Salgueiro do Desejo Único” para conquistar uma mulher — e descobre que desejos têm um preço sombrio. A premissa simples, aliada à execução eficiente, ajuda a explicar por que o público embarcou na proposta mesmo sem grandes estrelas ou marketing massivo.
O que o caso de Obsessão diz sobre o cinema independente de alto impacto?
Existe uma categoria específica de filme que vive numa zona cinzenta perigosa para a equipe técnica: orçamento baixo o suficiente para justificar salários mínimos, mas potencial comercial alto o suficiente para gerar retornos extraordinários. Obsessão se encaixa perfeitamente nesse perfil.
Quando a relação entre investimento e retorno é de 1 para 333 — US$ 750 mil de orçamento contra uma projeção de US$ 250 milhões —, os contratos assinados no início da produção deixam de refletir qualquer proporcionalidade real. Não existe mecanismo automático no cinema independente que redistribua esse ganho inesperado. Os contratos foram fechados, os salários foram pagos, e a conversa sobre equidade só acontece quando alguém decide falar publicamente.
O caso de Choi provavelmente não é isolado. A própria diretora de arte sugere isso ao mencionar que foi “aconselhada” a não renegociar — o que indica que a conversa existiu, foi suprimida, e outros membros da equipe podem ter vivido situação semelhante. O que muda aqui é que ela escolheu não ficar em silêncio.









