Christian Bale gravou para a eternidade o sorriso cortante de Patrick Bateman. Vinte e cinco anos depois, o personagem voltou aos holofotes quando a Lionsgate anunciou um remake de American Psycho sob a batuta de Luca Guadagnino. E foi aí que começaram as dores de cabeça.
O próprio Bret Easton Ellis, autor do romance que inspirou o longa de 2000, contou em seu podcast que “vários atores de primeiro escalão” agradeceram e recusaram o convite. Segundo ele, ninguém quer encarar a sombra deixada por Bale.
O legado sangrento de Christian Bale
Em American Psycho, Bale deu vida ao banqueiro yuppie que troca ternos caros por serrotes nas horas vagas. Para chegar ao tom exato de ironia e horror, o inglês adotou método rígido: permaneceu no personagem durante toda a filmagem, confundindo colegas como Chloë Sevigny.
A entrega trouxe frutos. Com orçamento modesto de US$ 7 milhões, o filme faturou US$ 34,2 milhões e virou cult instantâneo. Além disso, virou combustível para memes que a Geração Z consome até hoje, transformando Bateman em símbolo do chamado “sigma male”.
Novo roteiro, nova abordagem
Ellis revelou que Scott Z. Burns, roteirista de Contágio, terminou uma versão completamente diferente do texto original de Mary Harron e Guinevere Turner. A promessa: nada de cenas espelhadas ou diálogos reciclados.
A produção ficará a cargo da Frenesy Film, enquanto Sam Pressman atuará como produtor executivo pela Pressman Film. Mesmo com todo esse aparato, o projeto segue sem cronograma de filmagem.
Dança das cadeiras para vestir o terno de Bateman
Logo que a ideia do remake veio a público em 2024, o burburinho de casting começou. Nomes como Robert Pattinson e Jacob Elordi circularam na imprensa especializada. Rumores apontaram ainda uma oferta oficial a Austin Butler em dezembro do mesmo ano.
Em 2025, surgiu a especulação de uma troca de gênero, com Margot Robbie no centro dos boatos. O murmúrio foi desmentido rapidamente, mas rendeu assunto — principalmente para quem acompanha a atriz desde sua química explosiva com Will Smith em Golpe Duplo.

Imagem: Divulgação
No momento, nenhum contrato foi assinado. Para Ellis, a insegurança paira sobre qualquer ator que tope competir com a aura construída por Bale, reconhecido hoje por papéis igualmente icônicos como Batman e John Connor.
Pressão psicológica no set antes mesmo da claquete
Assumir Patrick Bateman significa enfrentar comparações automáticas. Tentativas anteriores, como Matt Smith no musical de palco e Michael Kremko na sequência direta para vídeo, não arranharam o prestígio do original.
Para o estúdio, a equação é simples: sem astro à altura, não há filmagem. Por isso, a cadeira de protagonista virou a vaga mais temida de Hollywood — uma situação parecida com a que Glen Powell vive em Como Fazer uma Fortuna, onde o carisma do ator tenta carregar um projeto arriscado.
No entanto, Guadagnino e Ellis mantêm o discurso otimista. O diretor italiano, aclamado por Me Chame Pelo Seu Nome, teria liberdade total para reinventar o thriller, desde o tom até a estética oitentista. Falta apenas alguém corajoso o bastante para empunhar o machado.
Vale a pena revisitar American Psycho?
Mesmo um quarto de século depois, a atuação de Bale segue referência de entrega e preparação de personagem. Para quem ama análise de performance, o filme continua obrigatório. Se o remake sairá do papel, só o tempo dirá, mas a discussão já colocou American Psycho de volta às playlists de fãs de cinema — inclusive aqui no Salada de Cinema.



