Com a sexta temporada de Only Murders in the Building a caminho, a fome por boas histórias de mistério voltou a agitar os fãs. A quinta leva de episódios manteve o charme da Arconia, mas também soou repetitiva em alguns momentos, deixando muita gente órfã de reviravoltas mais ousadas.
Enquanto Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez não retornam ao palco do crime, vale explorar narrativas igualmente bem-humoradas, mas com enredos ainda mais intrigantes. A seguir, o Salada de Cinema apresenta dez séries que equilibram investigação e comédia com maestria.
Por que procurar alternativas à Arconia
Only Murders in the Building conquistou o público graças à química do trio central e ao uso inventivo de podcasts na trama. Contudo, repousar demais na mesma fórmula pode cansar até o fã mais fiel. Produções que combinam mistério, humor e personagens excêntricos ajudam a renovar o olhar e a descobrir outras formas de contar histórias policiais.
Além disso, conhecer títulos variados permite perceber diferentes abordagens de roteiro e direção. Algumas das séries listadas investem em formatos antológicos, outras em tramas contínuas; há quem brinque com múltiplos pontos de vista e até quem satirize a obsessão contemporânea por true crime.
Lista completa de séries que superam Only Murders in the Building
- Um Homem por Dentro (A Man on the Inside) – 2 temporadas
Ted Danson assume o papel de Charles Nieuwendyk, agente infiltrado em um asilo. A série brilha ao humanizar a velhice sem abrir mão de piadas certeiras, mérito do texto afiado da dupla de criadores Jill Alexander e Mark Heller. - Alta Capacidade (High Potential) – 1 temporada
A faxineira Morgan Gillory, vivida com energia por Kaitlin Olson, transforma QI altíssimo em ferramenta de investigação. O “procedural” ganha graça graças à direção dinâmica de Rob Thomas, que dosa ritmo frenético e humor irreverente. - Deadloch – 8 episódios
Inspirada por Broadchurch, a produção australiana conduz o espectador por viradas macabras sem medo de rir de si mesma. Kate McCartney e Kate McLennan, criadoras e roteiristas, fazem piada da febre de podcasts criminais enquanto entregam suspense sólido. - Afterparty (The Afterparty) – 2 temporadas
Tiffany Haddish comanda uma investigação que muda de gênero a cada episódio, recurso que demonstra a habilidade do showrunner Christopher Miller em brincar com estruturas narrativas, como o “Rashomon” de Akira Kurosawa. - Castle – 8 temporadas
Nathan Fillion e Stana Katic sustentam diálogos rápidos, cheios de sarcasmo e referências à cultura pop. Andrew W. Marlowe, criador, equilibra casos semanais e arco romântico, fórmula que ainda inspira rankings de bordões inesquecíveis da TV. - Miss Fisher’s Murder Mysteries – 3 temporadas
Essie Davis brilha como Phryne Fisher, detetive elegante da Melbourne dos anos 1920. A direção de Tony Tilse enche os olhos com figurinos luxuosos, enquanto os roteiros de Deb Cox equilibram ação, charme e temas progressistas. - Ludwig – 1 temporada
David Mitchell interpreta John Taylor, gênio dos quebra-cabeças que assume o lugar do irmão gêmeo desaparecido na polícia. A tensão de identidade é o motor dramático escrito por Sarah Phelps, reforçado pela atuação contida de Mitchell. - Psych – 8 temporadas
James Roday Rodriguez e Dulé Hill formam a dupla mais tresloucada do gênero. O criador Steve Franks garante episódios que parodiam desde filmes de terror até realities, sempre ancorados no timing cômico perfeito dos protagonistas. - Monk – 8 temporadas
Tony Shalhoub constrói Adrian Monk com um arsenal de manias que transita entre o riso e a compaixão. Os roteiros de Andy Breckman transformam cada fobia em pista, enquanto mantêm o mistério sobre o assassinato da esposa do detetive. - Assassinato por Escrito (Murder, She Wrote) – 12 temporadas
Angela Lansbury encarna a escritora Jessica Fletcher, personagem criada por Peter S. Fischer, Richard Levinson e William Link. O mosaico de diretores veteranos – de Seymour Robbie a Anthony Pullen Shaw – garante longevidade ao formato investigativo clássico.
Destaques de atuação e bastidores criativos
Quem sente falta do entrosamento de Martin, Short e Gomez encontrará substitutos à altura. Ted Danson alterna vulnerabilidade e malícia em Um Homem por Dentro, enquanto Kaitlin Olson injeta energia caótica em Alta Capacidade. Já Tony Shalhoub confirma por que levou três estatuetas do Emmy ao retratar o transtorno obsessivo-compulsivo de Monk sem caricatura exagerada.
Nos bastidores, roteiristas e diretores dão o tom de cada série. Christopher Miller, por exemplo, usa o elenco versátil de Afterparty para experimentar estilos que vão do musical ao suspense noir. Em Deadloch, McCartney e McLennan demonstram domínio do tom ácido, criando cenas que lembram os episódios mais críticos de Black Mirror na maneira de ironizar comportamentos contemporâneos.
Onde assistir e como maratonar
As produções estão espalhadas por diversos serviços. Deadloch mora no Prime Video, Monk e Psych podem ser vistos no catálogo do Peacock, enquanto Afterparty é exclusivo da Apple TV+. Castle e Miss Fisher’s Murder Mysteries circulam em emissoras e plataformas de aluguel digital, já Um Homem por Dentro e Ludwig chegam via canais sob demanda internacionais.
Imagem: Divulgação
O tempo de episódio também varia. Séries longas como Assassinato por Escrito ou Psych entregam centenas de horas de diversão, ideais para quem gosta de maratonas prolongadas. Por outro lado, Deadloch e Ludwig cabem em um fim de semana e oferecem resolução rápida, sem deixar pontas soltas.
Vale a pena maratonar?
Se a espera pela nova temporada de Only Murders in the Building parece interminável, essas dez produções garantem doses generosas de humor, suspense e atuações memoráveis. Cada uma oferece um tempero diferente, seja na ambientação de época, no recurso narrativo inusitado ou na dinâmica entre parceiros improváveis.
Ao explorar esses títulos, o espectador nota como roteiristas e diretores conseguem reinventar a clássica fórmula “quem matou?”. A presença de protagonistas carismáticos – de Jessica Fletcher a Morgan Gillory – confirma que a força de qualquer mistério está, antes de tudo, na humanidade dos personagens.
Em suma, há vida investigativa além da Arconia. Basta escolher a série que mais combina com seu gosto, preparar a pipoca e mergulhar em novas camadas de suspeita, risadas e reviravoltas.









