Sete anos depois de seu último lançamento, a Laika está pronta para voltar aos cinemas com Wildwood, adaptação em stop-motion da série literária de Colin Meloy. A novidade foi confirmada para 23 de outubro, data em que o longa chega às salas norte-americanas em parceria com a Fathom Entertainment.
Dirigido por Travis Knight e roteirizado por Chris Butler, o projeto reúne um elenco de respeito — de Angela Bassett a Jacob Tremblay — e se vende como a maior produção já concebida pelo estúdio de Coraline. A seguir, o Salada de Cinema destrincha o que já se sabe sobre o filme, suas ambições e os nomes envolvidos.
Lançamento quebra jejum de sete anos da Laika
Desde O Elo Perdido, de 2019, a Laika não colocava um título inédito nos cinemas. O hiato foi o mais longo da empresa e deixou fãs da animação artesanal em alerta. Agora, com Wildwood programado para 23 de outubro, o estúdio aposta em retomada grandiosa, ampliando o universo criado nos livros de Meloy e ilustrado por Carson Ellis.
Embora a estreia esteja confirmada apenas para os Estados Unidos, a distribuição internacional ficará a cargo da FilmNation, responsável por posicionar a fantasia épica em outros mercados ainda não detalhados. A estratégia vem embalada pela proximidade do Halloween, época em que histórias sombrias costumam ganhar tração e diálogo fácil com o público que procura “um novo Coraline”.
Elenco estelar promete atuações marcantes
Wildwood conta com um time de dubladores que costuma chamar atenção pela versatilidade. Carey Mulligan — indicada ao Oscar por Bela Vingança — se junta a nomes como Mahershala Ali, vencedor de duas estatuetas por Moonlight e Green Book, na missão de dar voz a criaturas fantásticas e habitantes da Floresta Encantada.
Peyton Elizabeth Lee lidera o elenco vocal como Prue McKeel, garota que atravessa o bosque para resgatar o irmão mais novo. Ao seu lado, Jacob Tremblay, já reconhecido por trabalhos emotivos em O Quarto de Jack e Milagres do Paraíso, interpreta Curtis Mehlberg, oferecendo a combinação de ingenuidade e coragem que a trama exige. Angela Bassett, Awkwafina, Jake Johnson, Charlie Day, Amandla Stenberg, Jemaine Clement e Maya Erskine completam o grupo, cada um trazendo um histórico de performances que mescla drama, humor e aventura.
Embora a animação em stop-motion mantenha os rostos dos atores fora de cena, a experiência demonstra que a entonação certa faz diferença na construção emocional. Basta lembrar como Dakota Fanning conduziu Coraline ou como Charlize Theron deu vida à mãe de Kubo. Nesse sentido, a expectativa é que Ali e Bassett, por exemplo, tragam profundidade ao texto, enquanto Awkwafina e Day funcionem como alívio cômico pontual.
Direção e roteiro: a assinatura artesanal de Travis Knight e Chris Butler
Travis Knight assume a cadeira de diretor depois de Kubo e as Cordas Mágicas, indicado ao Oscar, e do live-action Bumblebee. Além de comandar Wildwood, ele também exerce função de presidente-CEO da Laika, reforçando o caráter pessoal do projeto. Segundo Knight, esta é “a maior construção de mundo” já feita pelo estúdio, mas também sua narrativa mais íntima.
Imagem: Everett Collecti
A adaptação do roteiro ficou nas mãos de Chris Butler, colaborador de longa data e responsável por ParaNorman. Butler traduz para a tela elementos que, nos livros, combinam música indie, folclore do Noroeste dos Estados Unidos e temas sobre amadurecimento. A dupla Knight-Butler aposta novamente na animação quadro a quadro, técnica que exige paciência e precisão milimétrica, mas que se converte em textura visual única — um diferencial competitivo quando a maioria das animações, hoje, depende inteiramente de softwares 3D.
Desafios de bilheteria e o apelo da fantasia sombria
Lançar uma animação original em 2026 não é tarefa simples. O mercado norte-americano vem privilegiando continuações de franquias consagradas; basta observar o desempenho recente da Pixar, cujas maiores bilheterias surgem de sequências. Nesse cenário, Wildwood chega sem a proteção de uma marca já estabelecida nas telas, embora carregue fãs dos livros como base inicial.
Até o momento, outubro não conta com outra grande animação familiar anunciada, o que pode favorecer a produção. Ainda assim, concorrerá com dramas adultos como The Social Reckoning e Digger. O posicionamento no “mês das bruxas” parece estratégico: a trama de floresta encantada, criaturas estranhas e atmosfera levemente macabra conversa bem com o período, assim como Coraline fez em 2009.
Outro ponto de atenção é a exibição limitada da Fathom Entertainment, conhecida por eventos de cinema pontuais. Caso a parceria se amplie para um circuito tradicional, Wildwood terá mais chances de atingir público amplo e capitalizar o boca a boca, fator crucial para títulos de animação em stop-motion.
Vale a pena ficar de olho em Wildwood?
Com elenco de peso, direção experiente e a fama de excelência artesanal da Laika, Wildwood desponta como um dos lançamentos mais curiosos do calendário de 2026. Quem admira animação feita à mão e histórias de fantasia sombria encontra motivo de sobra para acompanhar de perto este retorno do estúdio.









