Antes tratado como aposta de blockbuster capaz de gerar uma nova franquia, The Gray Man parece ter perdido fôlego dentro da Netflix. A adaptação do romance de Mark Greaney, estrelada por Ryan Gosling, custou cerca de US$ 200 milhões e estreou em 2022 com a ambição declarada de ganhar sequência e derivados.
No entanto, ao conversar no tapete vermelho de “The Bluff”, Anthony Russo admitiu que “não há nenhuma novidade com impulso” sobre os projetos anunciados. A declaração coloca em xeque o retorno de Gosling, de Dhanush e da própria dupla de diretores para o universo de espionagem.
Plano ambicioso ficou sem tração
Antes mesmo da estreia, a Netflix e os Irmãos Russo revelaram intenções de transformar The Gray Man em saga global. Chegou a ser confirmado um derivado escrito por Paul Wernick e Rhett Reese, dupla de Deadpool, além de uma sequência direta com o elenco principal.
Apesar do pico de audiência registrado no primeiro fim de semana, cada atualização posterior reduziu as expectativas. Em maio de 2024, circulou a informação de que Gosling nem sequer havia iniciado negociações formais para voltar ao papel de Court Gentry. Em março de 2025, Anthony Russo reforçou que há interesse, mas reconheceu que conflitos de agenda emperram qualquer avanço.
O cenário lembra outras investidas do streaming em franquias caríssimas que acabaram em limbo, como Red Notice e o reboot de Spenser Confidential. Enquanto isso, a empresa enfrenta até processos de propriedade intelectual, como o recente caso envolvendo marcas de Stranger Things e Round 6, o que adiciona mais pressão interna por resultados concretos.
Atuações que sustentaram o thriller
Mesmo sem garantir continuidade, o longa trouxe um elenco de peso que deu identidade ao projeto. Ryan Gosling conduziu a trama com um protagonista contido, mas físico, enquanto Chris Evans, de bigode e humor ácido, assumiu o posto de antagonista com energia quase caricatural.
A química entre os dois atores foi um dos pontos mais comentados pelo público. Ana de Armas ganhou tempo de tela como agente habilidosa, oferecendo contraponto ágil às cenas pesadas de ação. Jessica Henwick, Regé-Jean Page e Billy Bob Thornton completaram o time com participações que ampliaram o universo de intrigas governamentais.
Para quem acompanha o Salada de Cinema, vale lembrar que o filme, apesar das críticas mornas, consolidou Gosling como astro de ação contemporâneo, abrindo caminho para discussões sobre sua versatilidade pós-La La Land.
Imagem: Divulgação
Direção dos Irmãos Russo após a Marvel
Anthony e Joe Russo carregavam o prestígio de terem conduzido Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato. Entretanto, a jornada pós-Marvel tem sido irregular. Cherry não convenceu a crítica, e The Gray Man não alcançou o impacto comercial esperado, apesar da escala global de produção.
A dupla seguiu apostando em universos interconectados, como no caso de Citadel, mas esbarrou em obstáculos semelhantes: orçamentos altos, cronogramas apertados e recepção morna. Nesse contexto, o discurso de Anthony Russo sobre “muita gente ainda pensando no assunto” soa mais como esperança do que como sinal de retomada imediata.
Roteiro e possibilidades de expansão
Baseada em uma série de 15 livros, a franquia dispõe de material abundante. Paul Wernick e Rhett Reese planejaram um derivado centrado em personagem não revelado, enquanto os Russo aventaram produzir um filme focado em Avik San, interpretado por Dhanush.
Contudo, a falta de acertos contratuais com o elenco principal e o calendário apertado dos diretores mantêm qualquer roteiro em hibernação. A Netflix, por sua vez, parece priorizar projetos com retorno comprovado, como a série de filmes Resgate, também escrita por Joe Russo e estrelada por Chris Hemsworth.
Vale a pena assistir The Gray Man?
Para quem curte thrillers de espionagem cheios de cenas de perseguição, The Gray Man entrega ação coreografada, carisma de estrelas e acabamento visual de blockbuster. Ainda que o futuro da franquia seja incerto, o filme original funciona como experiência isolada, apresentando personagens vibrantes e um ritmo que não dá trégua.
Se a sequência nunca sair do papel, resta ao espectador aproveitar esta aventura única e imaginar, com base nos livros de Mark Greaney, quais novos desdobramentos Court Gentry poderia enfrentar nos bastidores da CIA.



