Quarenta e dois anos depois de ter fincado a espada pela primeira vez no cinema, Arnold Schwarzenegger está preparado para retomar o trono em King Conan. O ator confirmou a novidade durante o Arnold Sports Festival, reforçando que a nova aventura serve como continuação direta de Conan, o Bárbaro (1982) e Conan, o Destruidor (1984).
A produção ainda está na fase de roteiro, mas já conta com um nome de peso no comando: Christopher McQuarrie, parceiro frequente de Tom Cruise nos últimos Missão: Impossível. A combinação entre o astro e o cineasta promete reacender uma franquia que estava adormecida desde o reboot conduzido por Jason Momoa em 2011.
Schwarzenegger volta ao ringue adaptado à idade
Aos 76 anos, Schwarzenegger deixou claro que não pretende esconder o tempo que passou. Segundo ele, o roteiro de King Conan foi pensado para um protagonista mais velho, algo distante do guerreiro musculoso que empunhava machados sem camisa na década de 80. “Eles escrevem o papel para minha idade”, contou o ator, garantindo, porém, que ainda haverá espaço para as tradicionais cenas de ação.
Nessa nova fase, Conan aparece após quatro décadas reinando sobre o próprio império. Forçado a abdicar, o personagem enfrentará batalhas internas e externas para retomar o poder. A premissa abre caminho para conflitos mais estratégicos, potencializando a presença cênica de Schwarzenegger, que evoluiu como intérprete desde os grunhidos monossilábicos do original.
Christopher McQuarrie assume roteiro e direção
Escolher McQuarrie para escrever e dirigir King Conan é uma cartada certeira do estúdio. Reconhecido pela fluidez narrativa em A Ameaça Fantasma e Acerto de Contas Parte Um, o diretor costuma equilibrar ação física e construção de personagem. Sua experiência com Tom Cruise, astro igualmente veterano, indica que o cineasta sabe como valorizar ícones envelhecidos sem sacrificar o ritmo.
Além disso, McQuarrie assinou roteiros de Edge of Tomorrow e Top Gun: Maverick, dois exemplos de como efeitos visuais podem servir à evolução dramática dos protagonistas. Para King Conan, ele terá orçamento robusto — detalhe confirmado por Schwarzenegger —, o que deve garantir criaturas, magia e cenários grandiosos alinhados à fantasia pulp que tornou o bárbaro popular.
O legado de Conan: sucessos, tropeços e a nova chance
Conan, o Bárbaro foi um fenômeno de bilheteria em 1982, apresentando ao mundo um Schwarzenegger ainda em transição do fisiculturismo para a atuação. Apesar do sucesso comercial, a continuação de 1984 recebeu críticas pesadas, e o reboot de 2011, com Jason Momoa, fracassou nas bilheterias, praticamente enterrando a marca.
Imagem: Abaca Press
O anúncio de King Conan, portanto, funciona como uma tentativa de harmonizar nostalgia e reinvenção. O próprio ator reconhece que o público atual espera espetáculo visual compatível com os blockbusters modernos. Dessa forma, cenários digitais e criaturas fantásticas devem conviver com coreografias mais contidas, respeitando a condição física do protagonista.
Outros retornos de Schwarzenegger no radar
Durante o mesmo evento, o ex-governador da Califórnia adiantou que a agenda não se limita ao trono de Aquilônia. Ele revelou conversas para reprisar Dutch em um novo filme da série Predador, dirigido por Dan Trachtenberg — responsável por Predador: Badlands, citado pelo ator como exemplo positivo. A possível volta de Dutch se alinha a rumores já ventilados em Predador: Terras Selvagens.
Schwarzenegger ainda comentou a recepção de um esboço para Comando 2, sequência do clássico de 1985. Com tantos projetos, o astro reforça a sensação de que os anos 80 continuam a ser mina de ouro para Hollywood. Para o leitor do Salada de Cinema, a mensagem é clara: Arnold não pretende pendurar a bandana tão cedo.
Vale a pena ficar de olho em King Conan?
Mesmo sem data de filmagem definida — projeções apontam início de produção apenas no próximo ano e estreia depois de 2028 —, King Conan já desponta como um dos retornos mais aguardados da cultura pop. A reunião de Schwarzenegger, McQuarrie e um orçamento generoso cria expectativas de que a saga do bárbaro receba tratamento digno de seus melhores momentos.
Quem acompanha a franquia desde 1982 deve ganhar um epílogo que respeita a trajetória do personagem, enquanto novos espectadores terão acesso a uma aventura de fantasia temperada pela experiência de um protagonista que, literalmente, já viu de tudo. Resta aguardar a confirmação do cronograma e o primeiro vislumbre oficial para descobrir se o rei ainda empunha a espada com a mesma autoridade.



