Jamie Lee Curtis sentou-se no painel do SXSW em Austin e, com a franqueza que a caracteriza, detalhou os bastidores de seu retorno como Laurie Strode em Halloween (2018). A atriz contou que topou o convite de Jason Blum acreditando que faria apenas “mais um” capítulo da saga, não três.
Com a informação de que a proposta real era uma trilogia, Curtis ficou chocada: “Se tivessem me dito desde o começo, eu não teria aceitado”, confessou. Ainda assim, o acordo com a Blumhouse redefiniu sua trajetória profissional e colocou a estrela novamente nas manchetes do cinema de terror, algo que o Salada de Cinema acompanha de perto.
Um convite simples que virou compromisso triplo
Quando o produtor Jason Blum bateu à porta, a intérprete de Laurie Strode ouviu apenas a ideia de retomar o embate entre sua personagem e Michael Myers em um filme isolado. O diretor David Gordon Green, porém, já arquitetava um arco de três partes que se completaria em Halloween Kills (2021) e Halloween Ends (2022).
O choque veio na sala de edição. “Estávamos mixando o som e David comentou: ‘Você sabe que é uma trilogia, né?’”, lembrou a atriz. Surpresa, ela correu a Blum pedindo um pequeno acordo de desenvolvimento como compensação. A negociação rendeu um crédito de produtora — o que Curtis definiu como “vanity deal” — e reforçou sua presença criativa no set.
A relação franca com o produtor econômico
Conhecido pelo modelo de orçamentos enxutos, Jason Blum ouviu de Curtis um elogio misturado a queixa: “Jason Blum é notoriamente mão de vaca. Como se faz filme barato? Não pagando as pessoas”, disparou. O executivo defende seu método argumentando que oferece participação nos lucros em vez de grandes salários iniciais.
O resultado financeiro comprova a lógica: Halloween (2018) custou pouco e somou US$ 255 milhões mundialmente; Halloween Kills arrecadou US$ 133 milhões mesmo em plena pandemia; e Halloween Ends fechou a conta com US$ 104 milhões. O modelo lembra o caso de Undertone, terror de baixíssimo custo que, segundo a Salada de Cinema noticiou, rendeu trinta vezes o investimento.
A performance que revitalizou a “final girl” original
Quarenta anos após o filme de John Carpenter, Jamie Lee Curtis reencontrou Laurie Strode como uma sobrevivente traumatizada, mas obstinada. Mesmo sem detalhes sobre cachê ou porcentagem divulgados publicamente, o retorno da atriz deu o tom emocional da nova fase e atraiu fãs antigos e novos.
Imagem: Divulgação
Com David Gordon Green no comando e roteiro assinado em parceria com Danny McBride, a trilogia focou na passagem do tempo, permitindo que Curtis mostrasse nuances inéditas na personagem — agora avó, mas ainda especialista em armadilhas para deter Michael Myers. O trabalho rendeu elogios consistentes à presença física e à entrega dramática da atriz, peça central para sustentar a atmosfera de perseguição que sempre definiu Halloween.
Direção e roteiro: economia que dialoga com estilo clássico
David Gordon Green manteve a essência slasher criada por Carpenter enquanto apostava em fotografia sóbria, trilha de sintetizadores atualizada pelo próprio Carpenter e cenas de violência direta. A limitação orçamentária imposta por Blumhouse exigiu criatividade: locações contidas, elenco compacto e foco em efeitos práticos.
Nos roteiros, McBride e Green optaram por diálogos que sublinham o trauma coletivo de Haddonfield. Ainda que Halloween Kills tenha recebido críticas por repetir estruturas do capítulo anterior, a dupla usou a protagonista para refletir sobre paranoia e legado familiar. Já Halloween Ends arriscou conduzir a narrativa para além da rivalidade clássica, decisão divisiva que, segundo Jamie Lee Curtis, encerra de vez sua participação.
Vale a pena assistir?
Para quem acompanha a franquia desde 1978, a trilogia Blumhouse oferece fechamento coerente ao arco de Laurie Strode, sustentado pela entrega absoluta de Jamie Lee Curtis. O pacote alia respeito ao estilo original, direção consciente do orçamento e uma protagonista que carrega quatro décadas de história nos ombros.



