Halle Berry, eternizada como a mutante Tempestade nos três primeiros longas de X-Men, abriu o jogo sobre um episódio tenso nos bastidores da produção original. A vencedora do Oscar disse que não aguentou mais o que considerava um comportamento abusivo do diretor Bryan Singer e resolveu enfrentá-lo na frente de todos.
O relato foi dado à revista Entertainment Weekly e, segundo a atriz, transformou aquele dia em um dos mais marcantes da sua trajetória profissional. A conversa direta com o cineasta acabou motivando parte do elenco e da equipe a demonstrar o próprio descontentamento.
O confronto de Halle Berry com Bryan Singer
Durante as gravações de X-Men (2000), Berry afirma que Singer vinha acumulando atitudes que prejudicavam o clima no set. A situação teria chegado ao limite quando, diante de um novo atrito, ela o mandou, nas palavras dela, “para bem longe” e explicou “como ele poderia chegar lá”.
Mesmo vestida com o uniforme de Tempestade, a atriz decidiu não esperar mais por providências externas. Depois do embate, pegou suas coisas – incluindo o figurino – e embarcou em um voo de volta para casa. “Foi merecido”, declarou, classificando o momento como um dos melhores que já viveu em filmagens.
Repercussão entre elenco e equipe
Berry garante que não estava sozinha na insatisfação. Colegas de elenco teriam incentivado a atriz a tomar a frente porque sabiam que ela se posicionaria. “Todo mundo estava irritado”, relembrou.
O ator Alan Cumming, intérprete do Noturno em X2 (2003), já havia contado um episódio semelhante, em que Berry encerrou uma discussão com Singer dizendo: “Já ouvi o suficiente. Você pode beijar meu traseiro negro.” O diretor nega qualquer má conduta sexual e os relatos de comportamento antiético em set, mas as histórias de bastidores continuam aparecendo sempre que alguém repassa memórias da produção.
Trajetória de Bryan Singer após os primeiros X-Men
Depois de comandar os dois primeiros filmes mutantes, Singer trocou a Marvel pela DC e assumiu Superman – O Retorno (2006). A cadeira de diretor de X-Men: O Confronto Final acabou nas mãos de Brett Ratner, e outros cineastas, como Gavin Hood e Matthew Vaughn, também deixaram sua marca na franquia.
Imagem: Divulgação
O retorno de Singer aconteceu em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014) e X-Men: Apocalipse (2016). Porém, novas queixas sobre o ambiente de trabalho culminaram na sua demissão de Bohemian Rhapsody (2018). Desde então, o cineasta não lança projetos, apesar de ter sido anunciado para um drama de época no ano passado – movimento oposto ao de Gore Verbinski, que recentemente voltou às manchetes com a comédia sci-fi insana Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra.
Carreira de Halle Berry depois da franquia mutante
Após deixar os mutantes de lado, Halle Berry embarcou em produções variadas, de Kingsman: O Círculo Dourado (2017) ao frenético John Wick 3: Parabellum (2019). Na TV, liderou a série de ficção científica Extant, reforçando sua versatilidade diante das câmeras.
Berry segue lembrada por trabalhos icônicos, como A Última Ceia, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, e a aventura 007 – Um Novo Dia para Morrer. Seu filme mais recente, Crime 101, divide tela com Chris Hemsworth e Mark Ruffalo e mantém ótima avaliação crítica, ostentando 87% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Vale a pena revisitar a trilogia original de X-Men?
Para quem deseja entender a importância de Tempestade dentro do universo cinematográfico dos mutantes, a resposta continua sendo sim. A performance de Halle Berry, somada à ousadia de Singer ao adaptar a equipe para o cinema no início dos anos 2000, ajuda a contextualizar a evolução dos filmes de super-herói. Mesmo com os bastidores turbulentos, X-Men, X2 e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido representam passos decisivos para o gênero, algo que o Salada de Cinema sempre destaca ao analisar a influência desses títulos no mercado atual.



