A Paramount acelerou a adaptação de “Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow” – best-seller de Gabrielle Zevin apontado pelo The New York Times como um dos 100 livros mais importantes do século. A produção acaba de confirmar Daisy Edgar-Jones, de “Twisters”, como protagonista.
O longa marca o encontro da atriz com a cineasta Sian Heder, vencedora do Oscar por “CODA”. A combinação de um texto premiado, direção sensível e um talento em ascensão coloca o projeto no radar de quem acompanha o Salada de Cinema.
Daisy Edgar-Jones vive Sadie Green, a mente criativa por trás do jogo
Edgar-Jones interpretará Sadie Green, designer de videogames que, ao lado do amigo de infância Sam, cria um blockbuster nascido em um dormitório universitário. A escolha faz sentido: a britânica vem construindo uma filmografia baseada em personagens emocionalmente complexos, como vimos na minissérie “Normal People” e em “Where the Crawdads Sing”.
Seu histórico mostra afinidade com narrativas literárias. “Normal People” partiu do romance de Sally Rooney, enquanto “Onde Cantam os Pássaros” levou ao cinema o suspense de Delia Owens. Essa familiaridade com adaptações sugere que Edgar-Jones já domina o equilíbrio entre fidelidade ao texto e liberdade para imprimir personalidade, qualidade essencial para traduzir Sadie ao público.
Análise da trajetória da atriz e promessas para a nova interpretação
Em 2024, Edgar-Jones apareceu em “On Swift Horses” e comandou a destruição climática de “Twisters” ao lado de Glen Powell e Anthony Ramos. A diversidade de gêneros – romance de época, thriller e blockbuster de desastre – comprova versatilidade. Em “Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow”, a atriz terá a chance de explorar a rivalidade criativa, o luto e a amizade que atravessam décadas, núcleos dramáticos centrais no livro.
Se repetirmos a intensidade vista em “Normal People”, Sadie deve ganhar camadas que escapam do estereótipo de “gênio dos jogos”. A personagem enfrenta preconceito de gênero na indústria, crises de autoestima e pressões comerciais. Tudo isso dialoga com temas contemporâneos que costumam atrair a audiência do Discover. A performance, portanto, exige nuances semelhantes às de um duelo íntimo, ainda que ambientado em escritórios de tecnologia.
Sian Heder assume roteiro e direção, reforçando o pedigree do projeto
Heder não apenas dirige, mas também reescreve o roteiro a partir de versões de Zevin e Mark Bomback. A cineasta venceu o Oscar de melhor roteiro adaptado por “CODA” e acumulou experiência em séries como “Orange Is the New Black” e “Little America”. Seu olhar para dinâmicas familiares e para minorias promete um tratamento delicado à amizade entre Sam e Sadie, sem descuidar das dores físicas de Sam – elemento fundamental no romance.
O fato de a diretora assinar a palavra final do texto costuma gerar sinergia entre atuação e narrativa. Em “CODA”, por exemplo, Emilia Jones entregou uma atuação marcante, fruto da colaboração intensa com Heder. A repetição desse método pode elevar Edgar-Jones. Além disso, roteiristas de séries tendem a valorizar diálogos objetivos, ritmo ágil e construção de mundo – aspectos cruciais num filme que precisa mostrar anos de desenvolvimento de games sem perder o público.
Imagem: Dave Bedrosian
Procura-se Sam e Marx: seleção de elenco continua aberta
Até o momento, os papéis de Sam, protagonista masculino, e de Marx, colega de quarto que completa o trio fundador do estúdio, seguem sem intérpretes anunciados. A escolha desses nomes será decisiva para medir a química do grupo, já que a trama depende do equilíbrio entre competitividade e afeto. Vale lembrar que Sian Heder gosta de trabalhar com rostos conhecidos; não seria surpresa se algum ator de “CODA” ou “Orange Is the New Black” surgisse no set – estratégia semelhante à de Mike Flanagan, que costuma reunir parceiros frequentes, como se viu no projeto “O Exorcista” comandado pelo cineasta.
A Paramount ainda não divulgou calendário de gravações nem janela de estreia, mas a sinalização de elenco incompleto indica que a pré-produção vive fase de testes intensos. Nesse estágio, Heder e a equipe refinam o roteiro para equilibrar marcos da cultura gamer, passagens temporais e crises pessoais. O que se sabe é que a trama avançará por pelo menos dez anos, exigindo transformação física e emocional do elenco – oportunidade de ouro para demonstrações de alcance dramático.
Vale a pena esperar por “Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow”?
A soma de um material literário premiado, a direção já reconhecida de Sian Heder e o magnetismo de Daisy Edgar-Jones sugere um pacote robusto. A atriz conquistou o público com vulnerabilidade genuína e parece pronta para traduzir a genialidade inquieta de Sadie Green no universo dos jogos.
Com Sam e Marx ainda em aberto, o projeto permanece em construção, mas cada nova contratação deverá reforçar o interesse de quem acompanha produções baseadas em livros. “Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow” tem tudo para se tornar um estudo sensível sobre amizade criativa e custos do sucesso, temas que ressoam além das telas.
Assim, embora faltem detalhes como cronograma de filmagem ou previsão de estreia, a adaptação já figura entre os lançamentos mais observados da Paramount – e pode representar o papel mais significativo da carreira de Edgar-Jones até agora.









