Colleen Hoover já tinha levado suas histórias românticas às telonas antes, mas Reminders of Him marca um passo diferente: um drama com classificação PG-13 que quase esbarrou no limite do R-rated. A polêmica surgiu quando a diretora Vanessa Caswill decidiu excluir uma cena de sexo detalhada, presente em várias páginas do livro lançado em 2022.
Mesmo sem o momento mais explícito, o longa de 114 minutos mantém o coração da obra original: Kenna Rowan (Maika Monroe), ex-presidiária tentando reconstruir a vida, e Ledger Ward (Tyriq Withers), homem ligado ao passado trágico dela. A química do casal sustenta a narrativa, agora livre para atingir o público adolescente que impulsionou as vendas dos romances de Hoover.
Adaptação prioriza alcance e sacrifica detalhe literário
Durante entrevista à revista People, Vanessa Caswill revelou que filmou a cena de sexo descrita no livro, mas optou por removê-la após conversas com o estúdio. O objetivo era garantir a classificação PG-13, permitindo que leitores mais jovens vissem Reminders of Him nos cinemas a partir de 5 de março de 2026.
Segundo a diretora, o material gravado agradou aos executivos, porém a inclusão tiraria o filme do patamar comercial planejado. A decisão dialoga com discussões recentes sobre classificação indicativa, tema que também ronda outros projetos, como o terror Grind, elogiado no SXSW por dosar violência e público-alvo.
Roteiro mantém essência de Hoover sob nova lente
O script, assinado por Lauren Levine em parceria com a própria autora, corta páginas inteiras do romance original, porém respeita seus acontecimentos centrais. Hoover declarou que sua meta era equilibrar a fidelidade aos leitores e a viabilidade do formato cinematográfico, consciente de que nem todo detalhe caberia no tempo de projeção.
A ligação emocional de Kenna com o passado recebe foco especial, enquanto o relacionamento com Ledger ganha nuances através de diálogos contidos, toques sutis e silêncios calculados. Esse caminho evita o melodrama excessivo e dialoga com outras adaptações contemporâneas da escritora, como It Ends With Us, atualmente envolvida em controvérsias de bastidores.
Atuações priorizam fragilidade e empatia
Maika Monroe carrega a maior parte do peso dramático ao retratar Kenna. A atriz acentua gestos contidos e olhares hesitantes para traduzir o sentimento de culpa que move a personagem. Já Tyriq Withers adota postura protetora sem soar paternalista, assegurando equilíbrio na dinâmica do casal.

Imagem: Divulgação
O restante do elenco atua como suporte, criando um microcosmo que ressalta as dificuldades de reintegração social. Ainda que os coadjuvantes tenham menos tempo de tela, suas interações ampliam o senso de comunidade, ponto-chave da trama original de Hoover.
Direção de Vanessa Caswill aposta na sutileza
Caswill emprega câmera próxima aos rostos para captar microexpressões, sobretudo nas cenas ambientadas no apartamento de Kenna. A fotografia suave reforça a atmosfera de intimidade, mesmo sem o conteúdo sexual explícito que ficou na ilha de edição.
Para alguns espectadores, a remoção da cena pode parecer suavizar demais o conflito interno dos protagonistas. Por outro lado, a escolha favorece uma exibição mais ampla e, possivelmente, uma longa carreira em plataformas de streaming, estratégia semelhante à adotada pela A24 com produções que equilibram provocação e acesso, caso de Undertone, destaque recente de bilheteria.
Vale a pena assistir?
Reminders of Him atende aos fãs que buscavam ver a obra de Colleen Hoover ganhar imagens; faz isso sem comprometer a classificação indicativa e com um duo central que sustenta o enredo. Para quem acompanha o Salada de Cinema, o longa surge como exemplo de adaptação que negocia fidelidade e mercado, ainda que abra mão de momentos marcantes do texto original.



