Durante quatro temporadas, Attack on Titan (Shingeki no Kyojin) enganou público e crítica com uma história que parecia simples: a luta da humanidade contra monstros devoradores. A série, no entanto, vira esse tabuleiro de cabeça para baixo quando Eren Yeager — até então o herói — revela-se o maior perigo de todos.
Com 94 episódios e aprovação de 96% no Rotten Tomatoes, a produção animada equilibra ação brutal, reflexão política e um dos “plot twists” mais desconcertantes da ficção científica recente. No Salada de Cinema, revisitamos a obra para entender por que a virada de vilão de Eren marcou a televisão.
A virada de vilão que redefiniu Attack on Titan
A narrativa começa com Eren devastado pela morte da mãe, motivação clássica para forjar um protagonista vingativo. Ao se alistar na Tropa de Exploração, tudo indicava um confronto épico contra os Titãs. Porém, a trama distópica evolui para uma teia moralmente ambígua sobre ódio, liberdade e etnia.
O choque ocorre quando o roteiro de Hajime Isayama expõe que Eren, descendente dos Eldianos perseguidos, decide exterminar o restante da humanidade com o genocídio chamado The Rumbling. A reviravolta funciona porque o autor planta pistas desde cedo, mas só as revela quando o espectador já criou empatia pelo personagem.
Direção e roteiro: a mão firme de Hajime Isayama
Isayama, que também assina o mangá, constrói um ciclo narrativo fechado: memórias futuras de Eren influenciam seu próprio passado. Esse artifício de viagem temporal intensifica o debate sobre destino versus livre-arbítrio sem perder a clareza dramática.
A mudança de tom — de horror de sobrevivência para drama geopolítico — é potencializada pela transição de estúdios. Wit Studio conduz as duas primeiras temporadas com energia crua; já a MAPPA abraça a fase mais sombria, reforçando a tragédia pessoal de Eren. A troca lembra a “direção ousada” vista em Alien: Earth, que também redefiniu sua franquia ao mudar de perspectiva.
Elenco de vozes empresta humanidade aos Titãs
Mesmo em animação, a performance vocal é central. No idioma original, Yuki Kaji (Eren) percorre do idealismo juvenil ao desespero genocida; a evolução é nítida em cada suspiro contido ou grito alucinado. Hiroshi Kamiya (Levi) e Yui Ishikawa (Mikasa) sustentam a tensão moral ao contrapor lealdade e horror diante das atitudes de Eren.
Imagem: Divulgação
Na dublagem em inglês, Bryce Papenbrook e Matthew Mercer traduzem com competência essas camadas, facilitando o acesso de novos públicos. A química do elenco impede que Eren seja apenas um vilão caricatural: ouvimos a dor que o move, mesmo quando suas ações são indefensáveis.
Impacto visual e recepção crítica
Attack on Titan ficou famoso pelas sequências de ação em 3D Maneuver Gear, que ganharam ritmo insano graças a cortes rápidos e design de som pulsante. As batalhas contra Titãs Colossais — peças-chave de The Rumbling — tornam-se ainda mais assustadoras quando percebemos que agora servem aos planos de Eren.
O reconhecimento veio rápido. Além da nota 9,1/10 no IMDb, a série manteve média superior a 8,5 no MyAnimeList desde a estreia em 2013. A crítica elogiou a coragem de transformar o protagonista em antagonista, algo raro em longas produções seriadas. A virada reforçou a discussão sobre ciclos de violência, ecoando temas que outras obras, como Virgin River, abordam sob óticas menos extremas.
Vale a pena maratonar Attack on Titan?
Se você busca uma ficção científica capaz de surpreender sem trair a lógica interna, Attack on Titan entrega. A qualidade consistente de animação, o elenco de vozes impactante e o roteiro de Isayama culminam em um desfecho que permanece na mente muito depois dos créditos finais. Mesmo quem já conhece a grande reviravolta encontra valor em reassistir e notar as sementes plantadas desde o primeiro episódio. A série está disponível em serviços como Crunchyroll, Hulu e Adult Swim.


