Nem mesmo um Emmy na prateleira impediu que a intérprete de Sofia Falcone ficasse no escuro quanto aos próximos passos do universo criado por Matt Reeves. Cristin Milioti, que ganhou elogios unânimes em The Penguin, revelou em Sundance 2026 que não recebeu sinal verde para uma segunda temporada e tampouco fará ponta em The Batman: Part II.
A declaração esfriou o entusiasmo dos fãs que viam na série da HBO Max a peça de ligação perfeita entre o filme de 2022 e a próxima aventura de Robert Pattinson como o Homem-Morcego. A fala também reacendeu discussões sobre a estratégia da Warner Bros. Discovery para seu selo DC, enquanto a imprensa especializada analisa o peso das atuações e o impacto criativo do projeto.
Atuação de Milioti segue como trunfo criativo de The Penguin
Desde a estreia, The Penguin foi apontada como obra de estudo sobre ambição e poder no submundo de Gotham. Nesse recorte, Milioti entrega nuances que mesclam fragilidade emocional e ferocidade estratégica. A sequência em que Sofia, isolada em Arkham, controla a respiração antes de atacar um guarda virou exemplo prático de composição física e psicológica, rendendo comparações com clássicos vilões da franquia.
Enquanto Colin Farrell interpreta Oz Cobb com sotaque carregado e gestual pesado, a atriz assume caminho oposto: fala suave, quase maternal, mas olhar frio que jamais abandona o interlocutor. Essa dualidade dá corpo à tensão entre os personagens e faz o espectador questionar constantemente quem, de fato, é o predador naquela selva. Não à toa, Topher Grace definiu a performance como “uma das grandes de nosso tempo” ao lado da colega em Sundance.
Direção e roteiro reforçam tom sombrio, mas deixam pontas soltas
Criada por Lauren LeFranc, The Penguin sempre foi vendida como minissérie. A showrunner desenhou o arco de oito episódios para preencher o vácuo entre filmes, estabelecendo novos códigos do crime em Gotham. Craig Zobel, responsável por quatro capítulos, explora planos fechados que revelam rachaduras emocionais nos protagonistas, enquanto a fotografia granula a imagem para ressaltar decadência urbana.
A escolha de terminar com Sofia presa novamente em Arkham abriu margem — talvez involuntária — para continuação. O roteiro deixa perguntas sobre o destino da personagem, sobretudo após descobrir o parentesco com Selina Kyle. De acordo com Milioti, as “possibilidades são infinitas”, incluindo uma fuga traumática que a tornaria mais instável. Porém, sem sinal da segunda temporada, essas ideias permanecem no terreno da especulação.
Matt Reeves explica ausência de Sofia em The Batman: Part II
Em conversas recentes, o diretor afirmou que o roteiro do longa já estava avançado quando a série ganhou forma. Reescrever a história para acomodar Sofia correria o risco de, segundo ele, “virar a mesa” e comprometer a estrutura. A decisão reflete certa cautela de Reeves, que vive conciliar visão autoral com demandas de um universo compartilhado.
Nesse contexto, vale lembrar que o cineasta assinou obras como Cloverfield. O longa de 2008, que acaba de ganhar nova casa no streaming, foi lembrado pelo Salada de Cinema ao analisar a tensão que atores conseguem sustentar em meio ao caos. Cloverfield demonstra como Reeves costuma priorizar reações humanas antes de explosões visuais, filosofia mantida em The Penguin e no próximo filme do Batman.
Imagem: Divulgação
Futuro da série ainda depende de decisão corporativa
Em declarações públicas, Farrell admite não ter notícia sobre renovação. LeFranc reforça que o contrato foi pensado como produção limitada, o que exigiria novo acordo de bastidores para continuar. A Warner, por sua vez, concentra esforços na reorganização da marca DC. Rumores indicam que a prioridade, no momento, seria garantir o lançamento dentro do cronograma de The Batman: Part II, marcado para 1º de outubro de 2027.
Enquanto isso, a base de fãs pressiona nas redes. Torcedores do pinguim apontam que a série consolidou atmosfera própria, distante das aventuras épicas comuns a blockbusters. Em Hollywood, já existe até brincadeira sobre quem poderia vestir o manto do Cavaleiro das Trevas em projetos paralelos, como a recente declaração de Chris Pratt que causou alvoroço entre os entusiastas de quadrinhos.
Vale a pena assistir a The Penguin?
Para quem busca estudo de personagem acima de cenas grandiloquentes, The Penguin se destaca. A produção oferece mergulho na mente criminal de Gotham com ritmo cadenciado, fotografia crua e diálogos que ecoam máfia clássica. Mesmo sem garantia de continuação, o arco de Oz Cobb é concluído com coerência, enquanto Sofia Falcone rouba a cena em cada aparição.
Além disso, a série serve como ponte eficiente para o próximo capítulo cinematográfico, contextualizando alianças e tensões que deverão reverberar em 2027. A ausência de Milioti no filme não diminui a importância de seu trabalho; pelo contrário, a expectativa agora gira em torno de onde a atriz poderá reaparecer no universo de Reeves.
Portanto, The Penguin mantém relevância tanto como obra isolada quanto como peça de um mosaico maior. Se a HBO Max der sinal verde para novos episódios, haverá terreno dramático fértil. Caso contrário, a primeira temporada já garante lugar de destaque entre as melhores adaptações recentes de quadrinhos para a TV.




