Christopher Nolan não fala muito sobre bastidores técnicos, mas quando fala, vale prestar atenção. Em entrevista exclusiva à Collider, o diretor contou que a experiência de rodar Batman: O Cavaleiro das Trevas inteiramente em câmeras IMAX moldou diretamente a forma como ele filmou A Odisseia, seu novo épico com Matt Damon e Zendaya.
Nolan não trata isso como nostalgia de carreira. Ele descreve um processo concreto de tentativa e erro que começou com um “manual de regras” que praticamente proibia certas liberdades de enquadramento, e terminou, quase vinte anos depois, em uma câmera IMAX customizada só para o novo filme.
A regra que Christopher Nolan quebrou desde Batman: O Cavaleiro das Trevas

Segundo Nolan, ele e a equipe foram os primeiros cineastas a usar o formato IMAX em um longa-metragem dramático de ficção, justamente em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Na época, veio junto um manual de restrições técnicas grosso o suficiente para limitar boa parte do que o diretor queria testar.
Foi uma evolução. Quando começamos a filmar em IMAX, fomos os primeiros cineastas a fazer isso em um longa dramático de ficção. Fizemos isso em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Era algo que eu queria desde criança, e nos deram um manual de regras enorme sobre o que podia e o que não podia ser feito. O que aprendemos, com o tempo, é que na prática dá para fazer. O formato é mais versátil, permite usar o quadro do IMAX de um jeito mais parecido com o cinema convencional.
Christopher Nolan, diretor, em entrevista à Collider (em tradução livre)
O diretor também explicou que, para adaptar as cenas às diferentes proporções de tela dos cinemas, precisou modificar lentes e manter os enquadramentos mais centralizados. Foi um ajuste técnico, não estético: o objetivo era garantir que a imagem funcionasse tanto em telas IMAX quanto em salas convencionais.
Das lentes modificadas à câmera com blip: o salto técnico até A Odisseia
Esse aprendizado, segundo Nolan, também mudou a forma como ele constrói imersão nas cenas de ação. Em vez de recorrer a zoom, a equipe passou a aproximar e afastar fisicamente a câmera do objeto filmado, aproveitando a área maior do quadro IMAX para explorar visão periférica.
Em A Odisseia, esse repertório técnico chegou a um novo patamar. A produção usou uma câmera IMAX customizada, criada a pedido da própria equipe, com um recurso descrito como um “blip” para abafar o ruído característico do equipamento durante as filmagens.
Nolan foi direto sobre o motivo prático dessa customização: garantir que o filme seja exibido na maior tela possível em qualquer cinema onde passe, sem depender das restrições que existiam quando ele testou o formato pela primeira vez.
A câmera com IMAX aparece como peça central desse esforço, e reforça algo que Nolan já vinha sinalizando desde os bastidores do filme: a ambição de tratar o formato não como recurso pontual, mas como linguagem principal da narrativa.
A estreia de A Odisseia e o peso técnico do legado de Christopher Nolan
A Odisseia estreia nos cinemas em 17 de julho de 2026, com Matt Damon no papel de Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Tom Holland como Telêmaco e Zendaya interpretando Atena. O elenco reúne ainda nomes como Robert Pattinson, Charlize Theron e Lupita Nyong’o.
A declaração de Nolan à Collider ajuda a explicar por que tanto marketing do filme tem se apoiado no formato IMAX: não é só escala de imagem, é o resultado de quase duas décadas de ajustes técnicos que começaram, segundo o próprio diretor, dentro das limitações de Batman: O Cavaleiro das Trevas.
Fonte principal: DC. Informações complementares: Variety, Deadline e ComingSoon.



