Amazon MGM colocou todas as fichas em Projeto Hail Mary (Project Hail Mary), adaptação do romance de Andy Weir prevista para chegar aos cinemas em 20 de março de 2026. A aposta envolve números tão altos que o filme já nasce como um dos maiores riscos financeiros recentes de Hollywood.
Com orçamento bruto de US$ 248 milhões, reduzido para “quase US$ 200 milhões” após incentivos fiscais, a produção estrelada por Ryan Gosling terá de bater a marca de US$ 500 a 600 milhões em bilheteria mundial apenas para cobrir custos, segundo projeções internas reveladas pelo jornalista Matthew Belloni.
O que faz de Projeto Hail Mary uma aposta tão cara?
A primeira razão salta aos olhos: o valor de produção supera em mais de 80% o custo de Perdido em Marte, também criado por Andy Weir, que consumiu US$ 108 milhões. Mesmo após créditos fiscais, o orçamento final ainda é considerado “o mais alto para um filme original sem franquia desde Tenet”, de 2020.
Outro elemento que pesa é o elenco. Além de Gosling, que também assina a produção, o longa reúne Sandra Hüller, Lionel Boyce, Ken Leung e Milana Vayntrub. Cada nome reforça o apelo global, mas eleva a conta de salários. O próprio diretor Christopher Miller divide a cadeira com Phil Lord, repetindo a parceria que já entregou sucessos de bilheteria e, consequentemente, cachês mais robustos.
Comparação inevitável com Perdido em Marte
Perdido em Marte alcançou US$ 630 milhões de receita em 2015 e foi nomeado a sete Oscars. O detalhe: seu orçamento era quase a metade do valor investido agora. Para Projeto Hail Mary, repetir a quantia de 630 milhões significaria sucesso apenas moderado, já que a margem de lucro seria bem menor que a conquistada pelo longa de Ridley Scott.
A nova produção chega também a um mercado diferente. Perdido em Marte estreou antes da pandemia de COVID-19, período em que títulos originais ainda dominavam o circuito. Hoje, continuações e marcas conhecidas disputam cada ingresso. Mesmo Furiosa: A Mad Max Saga, derivado de uma franquia popular, não convenceu com um orçamento inflado e serve de alerta para investimentos desse porte.
Direção dupla e roteiro: números e nomes por trás da câmera
A condução do filme fica a cargo de Phil Lord e Christopher Miller, nomes que costumam apostar em ritmo acelerado e bom humor, marcas registradas em Uma Aventura Lego e Anjos da Lei. O roteiro é assinado por Drew Goddard, colaborador recorrente de Weir, trazendo a experiência de quem adaptou Perdido em Marte para o cinema.
Essa combinação técnico-criativa reforça a ambição de entregar espetáculo de 156 minutos, classificado como PG-13 e, portanto, voltado a um público amplo. A aprovação antecipada de Guillermo del Toro sugere que, ao menos entre pares da indústria, a expectativa de qualidade está alta.
Imagem: Divulgação
Potencial de bilheteria: desafios e primeiras projeções
Internamente, Amazon MGM projeta abertura de cerca de US$ 50 milhões nos EUA. Para atingir o ponto de equilíbrio, seria necessário multiplicar esse valor por dez mundialmente, cenário que lembra o caso de F1, blockbuster original que superou 600 milhões, mas se valeu do apelo de uma marca esportiva consolidada.
Matthew Belloni alerta que o rendimento pode se aproximar de US$ 385 milhões — resultado similar ao de The Housemaid —, o que representaria prejuízo pesado. Nesse contexto, boca a boca positivo e críticas favoráveis ganham importância redobrada. A participação de Ryan Gosling, que recentemente falou sobre seus projetos em entrevista sobre Star Wars: Starfighter, ajuda na exposição, mas não garante lotação de salas.
Vale a pena ficar de olho em Projeto Hail Mary?
Mesmo sem pertencer a uma franquia, Projeto Hail Mary exibe ingredientes comerciais: estrela de renome, premissa de sobrevivência espacial e equipe criativa de hits recentes. Esses fatores justificam a curiosidade do público e do mercado.
Por outro lado, a barreira de US$ 600 milhões é alta o bastante para transformar o filme em termômetro do apetite dos espectadores por ficção científica original pós-pandemia. Caso alcance a meta, pode reacender investimentos em histórias não vinculadas a sagas. Se falhar, reforçará a tendência de grandes estúdios priorizarem propriedades já conhecidas.
Para os leitores do Salada de Cinema, a estreia promete ser, no mínimo, um evento a ser acompanhado de perto: não é todo dia que um estúdio coloca quase um quarto de bilhão de dólares em uma aventura espacial inédita.









