O charme eterno de Elvis Presley não foi suficiente para garantir a coroa na bilheteria deste fim de semana nos Estados Unidos. EPiC: Elvis Presley in Concert, montagem que mistura show inédito com trechos documentais garimpados por Baz Luhrmann, estreou em grande circuito mas acabou ultrapassado por Twenty One Pilots: More Than We Ever Imagined – Live in Mexico City.
Mesmo ostentando nota de 96% da crítica e 99% do público no Rotten Tomatoes, o longa que resgata imagens raras do Rei do Rock ficou apenas na quinta posição do ranking doméstico, atrás até de sucessos de terror como “Scream 7”, cujos bons números já abriram caminho para um oitavo filme.
A força de Elvis na telona e a aposta de Baz Luhrmann
Lançado primeiro em salas IMAX no dia 20 de fevereiro e expandido amplamente em 27 de fevereiro, EPiC reúne 90 minutos de registros jamais vistos que Luhrmann descobriu durante a pesquisa para o seu elogiado drama “Elvis”, estrelado por Austin Butler e Tom Hanks em 2022. O novo projeto, no qual Elvis surge apenas em material de arquivo, realça a presença magnética do artista em performance, recurso que costuma atrair fãs antigos e curiosos de primeira viagem.
Com a chancela “Certified Fresh” e uma recepção quase unânime do público, a produção parecia ter tudo para dominar o mercado de filmes-concerto. A estratégia incluiu um lançamento premium em telas gigantes, apostando na experiência imersiva para valorizar cada riff de guitarra e cada passo de dança do astro.
A disputa com Twenty One Pilots e os números do fim de semana
Segundo projeções divulgadas no sábado de manhã, EPiC: Elvis Presley in Concert deve encerrar o domingo com US$ 3,4 milhões arrecadados em três dias. O valor representa leve aumento de 6% em relação aos US$ 3,2 milhões obtidos na pré-estreia restrita a 325 salas. Agora, porém, o título ocupa 1.903 salas, quantidade que deveria impulsionar seu desempenho — o que não aconteceu.
O rival Twenty One Pilots: More Than We Ever Imagined – Live in Mexico City, exibido em “apenas” 833 cinemas, projeta US$ 3,6 milhões e garante a quarta colocação no top 10 nacional. A dupla formada por Tyler Joseph e Josh Dun registrou média de US$ 4.322 por sala, mais que o dobro da média de EPiC, fixada em US$ 1.787.
Diferença de público e queda na média por sala
A performance do Twenty One Pilots surpreende justamente pela disparidade no número de telas. EPiC cobre 1.070 salas a mais, mas viu sua renda por local despencar dos robustos US$ 9.893, alcançados no circuito limitado IMAX, para menos de US$ 2 mil neste segundo fim de semana.
Isso sugere que o longa de Elvis rapidamente alcançou sua base de fãs mais engajada. Quem é apaixonado pela lenda do rock correu para as primeiras sessões, enquanto o público casual parece ter optado por outras atrações, entre elas a turnê cinematográfica dos autores de “Stressed Out” e “Heathens”.
Vale notar que a popularidade de Presley atravessa gerações, ao passo que a banda de Columbus, criada em 2009, dialoga majoritariamente com ouvintes mais jovens. Ainda assim, o frescor da produção sobre o Twenty One Pilots, que flagra um show da Clancy World Tour (agosto de 2024 a outubro de 2025), atraiu plateias dispostas a pagar pela experiência coletiva na sala escura.
Imagem: Divulgação
O que os dados indicam para o futuro de EPiC
O resultado de EPiC reforça a volatilidade do mercado de filmes-concerto. Mesmo com excelente boca a boca, o documentário de Baz Luhrmann precisa se reinventar para além do circuito tradicional se quiser melhorar seus números, talvez apostando em sessões especiais, combos temáticos ou parcerias com eventos musicais.
Já a vitória do Twenty One Pilots sugere apetite renovado do público por produções frescas, registradas em 4K e sonorizadas com tecnologia de ponta. Esse interesse pode inspirar novos projetos semelhantes, lembrando que outras franquias, a exemplo de heroes cultuados por Karl Urban em Judge Dredd, também dependem de forte engajamento de nicho para prosperar.
No panorama geral, títulos narrativos como “Wuthering Heights” (3º lugar) e “GOAT” (2º) ficaram à frente das duas produções musicais, mas foi “Scream 7” quem reinou absoluto no topo. A movimentação mostra que 2026 começa com cardápio variado: do terror à música, há espaço para todo tipo de experiência coletiva — desde que acompanhada de estratégia certeira.
Vale a pena assistir EPiC: Elvis Presley in Concert?
Para fãs do Rei, a resposta tende a ser positiva. Ver imagens inéditas em tela grande, restauradas com cuidado, garante uma imersão que o streaming dificilmente reproduzirá. Além disso, a curadoria de Baz Luhrmann — responsável por revitalizar a figura de Elvis no longa de 2022 — confere ritmo ágil, alternando canções emblemáticas e momentos de bastidor.
Mesmo que a produção não esteja performando como esperado nas bilheterias, o material histórico fala por si: a presença de palco, o carisma inigualável e a energia que Presley transmitia continuam intactos. Para quem acompanha o Salada de Cinema, é uma oportunidade rara de ter contato direto com o mito em formato de show completo, algo que quase nunca chega aos cinemas com essa qualidade.
Por fim, quem busca entender a relevância cultural de Elvis e sua influência sobre artistas contemporâneos pode encontrar em EPiC uma aula de história pop condensada em 90 minutos — um tributo que, mesmo fora do topo do ranking, mantém viva a chama do rock ’n’ roll.



