Nem mesmo o carisma de Christian Bale e a recém-premiada Jessie Buckley foi capaz de impedir que A Noiva! (The Bride!) naufragasse nas bilheterias. Lançado em 6 de março, o longa precisou de pouco mais de uma semana para provar que, financeiramente, seu experimento beirou o desastre.
Com arrecadação mundial ligeiramente acima dos US$ 20 milhões frente a um orçamento estimado em US$ 90 milhões, o filme de Maggie Gyllenhaal agora é apontado por fontes de estúdio como responsável por um prejuízo semelhante ao seu custo de produção quando somados gastos de marketing.
A bilheteria decepcionante de A Noiva!
A estreia de A Noiva! começou fraca, mas o segundo fim de semana foi ainda pior: queda de 70 % na renda, percentual que costuma selar a sorte de lançamentos de médio porte. Mesmo com classificação indicativa para maiores – o que, em tese, diferencia o título em meio a tantas franquias familiares – o longa não encontrou público suficiente.
Segundo insiders ouvidos pela Variety, a Warner Bros. já trabalha internamente com a projeção de uma perda de cerca de US$ 90 milhões após a contabilização de todas as despesas publicitárias. Para comparação, produções recentes do estúdio como Sinners e A Minecraft Movie atravessaram a casa dos US$ 300 milhões, deixando o contraste ainda mais gritante.
Atuações: Christian Bale e Jessie Buckley carregam o caos
Embora a bilheteria seja desastrosa, parte da crítica destaca o empenho do elenco. Christian Bale vive uma versão melancólica de Frankenstein, alternando fúria contida e afeto trêmulo em ritmo de quem sabe que sua criatura, ou melhor, seu par romântico, pode despedaçar o mundo ao redor.
Jessie Buckley, vencedora do Oscar por Hamnet, coloca em cena uma Noiva que pulsa entre o terror existencial e a curiosidade infantil. Sua entrega vocal passa por sussurros apaixonados até gritos que reverberam no cinema – lembrando até a transformação catártica vista em The Saviors, no qual o passado dos personagens é manipulado como arma.
Maggie Gyllenhaal arrisca e divide opiniões
Sustentando roteiro e direção, Maggie Gyllenhaal se inspira no clássico Noiva de Frankenstein (1935) para ambientar a história na Chicago dos anos 1930. A cineasta abraça tons de romance gótico, comédia sombria e ficção científica, construindo um mosaico que, para parte dos críticos, “oscila entre o caos e o brilhantismo”. Isso resultou em 58 % de aprovação no Rotten Tomatoes, taxa que reflete reações extremadas – alguns engrossam elogios à ousadia, outros reclamam de narrativa irregular.
Imagem: INSTARs
No público, a receptividade é ligeiramente mais calorosa: 70 % de aprovação. Há quem considere que A Noiva! “caminha com garbo pelo corredor”, mesmo que a coesão fique em segundo plano. As diferentes leituras lembram a recepção de filmes como Drag, que também misturou gêneros sem pedir licença ao espectador.
O impacto para a Warner Bros. e o momento do estúdio
O fracasso financeiro chega em um período de turbulência para o conglomerado. Após uma safra de sucessos em 2025, o estúdio liderado por Michael De Luca e Pam Abdy viu não apenas A Noiva!, mas também One Battle After Another, de Paul Thomas Anderson, travarem na arrecadação. Este último, mesmo laureado com seis Oscars, estacionou abaixo de US$ 210 milhões e deve deixar rombo próximo de US$ 100 milhões depois da divisão com exibidores.
Somado ao processo de venda da Warner Bros. para a Paramount, o revés coloca em xeque a estratégia mais autoral adotada nos últimos anos. A tendência é que executivos passem a mirar projetos com perfil comercial mais claro, reduzindo apostas em narrativas híbridas como a elaborada por Gyllenhaal.
Vale a pena assistir A Noiva!?
Para quem busca performances intensas de Christian Bale e Jessie Buckley e tem curiosidade em ver Maggie Gyllenhaal desconstruir um ícone literário, A Noiva! oferece dois atos de puro risco criativo, mesmo que por vezes resvale no exagero. A mistura de gêneros pode afastar quem prefere histórias lineares, mas os momentos de química explosiva entre os protagonistas compensam parte do desequilíbrio. Comercialmente, o filme naufragou; artisticamente, a experiência segue digna de atenção, sobretudo para quem aprecia cinema autoral que se recusa a seguir fórmulas. Seja qual for a escolha do espectador, a produção já entrou para o histórico da Warner como um case de ousadia que custou caro.



