Conseguir 100% de aprovação no Rotten Tomatoes é uma raridade, um selo de perfeição que poucos filmes alcançam. Sem Rastros, a obra-prima de Debra Granik que está disponível no Prime Video, é um desses casos.
Esqueça os suspenses de sobrevivência. Sem Rastros de Granik, com 1 hora e 49 minutos, é um drama silencioso sobre um pai tentando fugir da sociedade e uma filha que, lentamente, percebe que talvez queira fazer parte dela. É uma história que te devasta pela sua quietude.
A história de Sem Rastros
A narrativa nos apresenta a Will e sua filha adolescente, Tom. Eles vivem completamente fora do sistema, em um parque florestal em Portland, Oregon. A rotina deles é de silêncio e simbiose, invisíveis para o mundo. Eles não estão apenas acampando, eles moram ali, em uma harmonia com a natureza que parece idílica.
Esse paraíso isolado é destruído quando eles são descobertos. Retirados da floresta, são colocados sob os cuidados do serviço social. Eles recebem uma casa, roupas e uma chance de se reintegrar.
Para Will, um veterano de guerra que carrega um trauma silencioso, o mundo civilizado é a verdadeira jaula. Para Tom, no entanto, o contato com outras pessoas desperta uma curiosidade e um desejo de pertencimento que a colocam em conflito com o pai que ela tanto ama em Sem Rastros.
Um retrato silencioso da América invisível
O que torna o filme uma obra tão poderosa é a assinatura de sua diretora. Assim como fez em Inverno da Alma (o filme que revelou Jennifer Lawrence), Debra Granik aponta sua câmera para as margens da América, para pessoas que vivem segundo suas próprias regras.
A produção tem uma precisão cirúrgica. O filme se recusa a julgar seus personagens. Will não é um herói ou um vilão, mas sim, um homem quebrado pela guerra, tentando proteger sua filha da única maneira que conhece.
A diretora poderia ter se aprofundado em subtramas em Sem Rastros, mas sua escolha pelo minimalismo é o que dá força ao filme. Ele confia na inteligência do espectador para preencher os silêncios.
O elenco e a produção por trás de uma história de silêncios e olhares
A direção do longa de 2018 é de Debra Granik, que também co-escreveu o roteiro com Anne Rosellini, adaptando o livro “My Abandonment” de Peter Rock.

O que eleva a obra, no entanto, é o seu par de protagonistas. Ben Foster, um ator conhecido por papéis intensos, entrega aqui um trabalho devastador. Sua performance é construída no corpo: a forma como ele se move na floresta, a tensão em seus ombros na cidade.
Thomasin McKenzie, em um papel que a lançou ao estrelato, é a revelação de Sem Rastros. Ela começa como uma extensão de seu pai, mas seus olhos, aos poucos, ganham uma luz própria, a curiosidade de um mundo que ela não conhecia.
O que torna o filme uma recomendação essencial é sua humanidade. É uma obra para quem aprecia um cinema que não precisa gritar para ser ouvido. E com nota 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, não há dúvidas que é bom.
Para não perder nenhuma das principais dicas de filmes e séries, siga o TaNoStreaming no INSTAGRAM e no FACEBOOK.



