Quem viu Jurassic World Rebirth nos cinemas certamente lembra da abertura: um cientista devora uma barra de Snickers, o papel prende numa ventoinha, sistemas falham e o terrível Distortus rex fica solto. A sequência dividiu opiniões e virou assunto nas redes logo na primeira semana de exibição.
O diretor Gareth Edwards, no entanto, garante que poderia ter sido bem pior. Em conversa recente, ele revelou que a marca queria um destaque ainda mais escancarado. O cineasta bateu o pé e barrou a proposta, evitando que a produção virasse, segundo ele, “um anúncio gigante”.
Cena do chocolate quase virou supercomercial
Edwards recordou que, no roteiro inicial, a embalagem do doce aparecia em closes prolongados, com direito a slogans em tela. “Parecia um comercial de um minuto e meio no meio do filme”, disse o diretor. A equipe argumentou que o público sentiria a forçação de barra, comprometendo a experiência logo de cara.
Mesmo assim, o pedido da fabricante era claro: a queda da humanidade deveria começar pela guloseima. O cineasta resolveu manter a ideia do embrulho preso no ventilador, mas reduziu a exposição de marca ao mínimo. Resultado: merchandising segue presente, mas sem tomar conta da narrativa.
A decisão veio após testes de público apontarem incômodo. Parte dos espectadores considerou a sequência divertida, outra achou exagerada. No fim, o ajuste impediu que a barreira fosse ultrapassada — e garantiu que Jurassic World Rebirth faturasse US$ 869 milhões em bilheteria global, tornando-se o quinto maior sucesso de 2025, ainda que o menor da saga desde 2001.
Polêmicas à parte, o longa marca a retomada da franquia após Jurassic World: Dominion (2022) ter sido anunciado como “capítulo final”. A nova trama mostra cientistas e mercenários em Île Saint-Hubert, antigo laboratório da InGen, coletando amostras de dinossauros para pesquisas médicas. Lá, eles cruzam com uma família náufraga e ficam presos na ilha. O elenco reúne Scarlett Johansson, Jonathan Bailey e Mahershala Ali.
A longa relação da franquia com marcas famosas
Product placement nunca foi novidade na saga de Steven Spielberg. No filme original de 1993, o inseparável tubo de Barbasol com embriões de dinossauro virou peça icônica da cultura pop. Já Jurassic World (2015) transformou o setor comercial do parque em vitrine de marcas, incluindo o restaurante Margaritaville — com direito a cameo do próprio Jimmy Buffett.
Imagem: Divulgação
O cinema como um todo equilibra amor e ódio quando o assunto é merchandising. Casos bem-sucedidos, como os Reese’s Pieces em E.T. – O Extraterrestre, geram aumento real de vendas e carinho do público. Por outro lado, Space Jam: Um Novo Legado (2021) e o reboot de Mansão Mal-Assombrada (2023) foram criticados pelo excesso de logos piscando na tela.
Em Jurassic World Rebirth, a polêmica não prejudicou a recepção geral: o filme conquistou boa nota do público e críticas mistas, com elogios às referências ao clássico de 1993 e reclamações sobre clichês. Rumores apontam que Edwards, Johansson e Bailey podem voltar em uma continuação, ainda sem confirmação oficial. Caso avance, a expectativa é que o diretor mantenha a mesma firmeza para evitar novos “infomerciais” jurássicos.
Salada de Cinema seguirá de olho nos próximos passos dessa franquia que insiste em não ficar extinta.
Ficha técnica resumida
Título original: Jurassic World Rebirth
Lançamento: 2 de julho de 2025
Duração: 134 minutos
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: David Koepp
Produção: Frank Marshall, Patrick Crowley
Elenco principal: Scarlett Johansson (Zora Bennett), Jonathan Bailey (Dr. Henry Loomis), Mahershala Ali
Gêneros: Aventura, Ação, Ficção Científica
Distribuição: Universal Pictures
Bilheteria mundial: US$ 869 milhões


