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Adam Mackenzie não é vilão em Eu Vou Te Encontrar. Mas a resposta simples não faz jus ao que os episódios 5 e 6 da série da Netflix revelam sobre o personagem. Ele trabalhou secretamente para o antagonista da história, sim. A questão é o que o levou até lá, e o que escolheu fazer quando não tinha mais como escapar.

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Resumo rápido

  • Adam Mackenzie (Jonathan Tucker) é o melhor amigo de infância de David Burroughs e padrinho do filho dele, Matthew.
  • Ele se tornou informante de Nicky Fisher (Clancy Brown) na Polícia de Boston para salvar a vida de seu pai e do pai de David.
  • No episódio 6, Adam aponta a arma para Nicky e o ameaça diretamente para proteger David e seu pai quando Nicky ordena as mortes deles.
  • Nicky revela que a cena era um teste, e que quem orquestrou o desaparecimento de Matthew foi Hayden Payne, não ele.
  • No final da série, Adam é expulso da Polícia de Boston e abre sua própria firma de investigação particular.

O acordo que Adam fez para salvar duas famílias

A série constrói Adam como um homem leal antes de qualquer outra coisa. Ele ajuda David a escapar da Penitenciária Briggs, arriscando a carreira e envolvendo o próprio pai, Philip Mackenzie, que era o diretor do presídio. Tudo isso porque acredita que o amigo é inocente.

Só que o passado de Adam é mais complicado do que parece. Quando um contrato foi aberto sobre a vida de seu pai e do pai de David — dois ex-detetives que prenderam Liam, filho de Nicky Fisher, anos antes — Adam fez uma escolha difícil. Em vez de esperar o pior acontecer, ele se ofereceu como informante de Nicky dentro da Polícia de Boston, trocando acesso a informações pela garantia de segurança das duas famílias.

Não é um acordo limpo. Nunca foi. Mas a lógica por trás dele é a de alguém que não via outra saída diante de uma ameaça real e imediata.

Jonathan Tucker como Adam no episódio 6 de I Will Find You
Cena de confronto armado que marca o ponto de virada do personagem. (Reprodução / Netflix)

Ser cúmplice não é o mesmo que ser culpado, mas tem consequências

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Esse arranjo coloca Adam numa zona cinzenta bastante desconfortável. Ao servir de informante para Nicky, ele se torna cúmplice de corrupção policial, ajuda a proteger um criminoso da lei e contribui, mesmo que indiretamente, para uma rede de violência que afeta as pessoas que ele tentava proteger.

Não dá para ignorar esse lado. A série não ignora. O roteiro trata Adam como alguém que fez escolhas erradas por razões que se pode entender, não como um herói imaculado que nunca escorregou.

O que diferencia Adam de um vilão de verdade é a motivação. Ele não trabalhou para Nicky por ganância, ambição ou indiferença. Fez isso porque colocou a vida dos outros acima da própria integridade. Isso não o absolve, mas muda completamente o peso moral do que ele fez.

O momento do episódio 6 que define quem Adam realmente é

A cena mais reveladora do arco de Adam acontece quando Nicky coloca David numa escolha impossível: matar o próprio pai, Lenny, que está com uma doença terminal, em troca de informações sobre o paradeiro de Matthew. David hesita. Nicky então ordena que ambos sejam mortos.

É nesse ponto que Adam age. Ele saca a arma, aponta diretamente para Nicky e o ameaça para que recue. É um gesto que vai contra tudo que o mantinha seguro: o acordo, a proteção, o acesso. Adam estava em clara desvantagem numérica e poderia simplesmente ter ficado quieto.

Não ficou.

Nicky então revela que a situação era um teste, e que ele não foi o responsável pelo desaparecimento de Matthew. O verdadeiro culpado pelo sequestro do menino foi Hayden Payne. A revelação muda o eixo da investigação, mas não apaga o que Adam acabou de demonstrar: quando o momento exigiu, ele escolheu os amigos.

Jonathan Tucker e a construção de um personagem que vive no limite

Jonathan Tucker carrega o personagem com uma contenção que funciona bem para esse tipo de papel. Adam não é expressivo no sentido teatral. A tensão dele é interna, e Tucker sustenta isso nas cenas em que o personagem precisa esconder o que sabe enquanto age como se não soubesse de nada.

O elenco da série tem outros nomes conhecidos: Sam Worthington vive David Burroughs, o pai que nunca desistiu de encontrar o filho, e Clancy Brown interpreta Nicky Fisher, o antagonista que transita entre ameaça direta e manipulação calculada. A dinâmica entre os três personagens é o que sustenta os episódios centrais.

Eu Vou Te Encontrar é uma série limitada criada por Robert Hull, com base no trabalho de Harlan Coben. Estreou na Netflix em 18 de junho de 2026.

O destino de Adam no final de Eu Vou Te Encontrar e o que ele diz sobre o arco da série

No desfecho, Adam é expulso da Polícia de Boston. Não há como separar o que ele fez do que as regras exigem. A instituição não pode absorver um policial que serviu de informante para o crime organizado, independentemente das razões.

Mas a série não o deixa apenas no fracasso. Adam sai da polícia e começa uma firma de investigação particular, um recomeço que reconhece tanto a ruptura quanto a possibilidade de seguir em frente com as habilidades que tem.

É um final que faz sentido para o personagem. Adam não é recompensado, mas também não é destruído. Ele paga um preço real pelas escolhas que fez e encontra um caminho que, pela primeira vez na história, é inteiramente dele, sem acordos secretos, sem dívidas e sem ninguém para proteger que não seja a verdade.

Fonte principal: thedirect.com. Informações complementares: Netflix, Netflix Tudum.

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Toni Morais Ferreira editor do Salada de Cinema, cobre cinemas, séries e streaming desde 2021. Especializado em análise de séries de plataformas como Netflix, Prime Video e Paramount+, acompanha estreias, finais e bastidores com foco em cobertura aprofundada para o público brasileiro. Já analisou produções de mais de 30 países e escreve críticas, finais explicados e coberturas semanais de séries em alta.

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