Toy Story 5 estreou nos cinemas em 19 de junho de 2026 com Woody de volta ao centro da história — mas o personagem esteve a ponto de não aparecer no filme. A Pixar e Tom Hanks confirmaram que os roteiros iniciais foram desenvolvidos sem o cowboy, e a reversão dessa decisão só aconteceu porque a equipe encontrou uma justificativa narrativa que, segundo eles, tornou o filme melhor.
Resumo rápido
- Os primeiros roteiros de Toy Story 5 não incluíam Woody como personagem.
- A equipe criativa queria explorar Jessie e os brinquedos perdidos sem depender do cowboy.
- Woody entra na história quando Jessie o chama para ajudar diante de uma ameaça ao vínculo com Bonnie.
- Tom Hanks afirma que Woody tem uma nova razão de existir: ajudar brinquedos descartados enquanto mantém contato com quem ama.
- Toy Story 5 chegou aos cinemas em 19 de junho de 2026 com direção de Andrew Stanton e Kenna Harris.
Os roteiros sem Woody eram um teste de consistência narrativa, não um corte definitivo
A decisão de tirar Woody dos primeiros rascunhos não foi uma ruptura criativa impulsiva. Segundo a co-diretora Kenna Harris e a produtora Lindsey Collins, a equipe estava tentando entender o que a franquia poderia ser sem seu personagem mais icônico — e, ao mesmo tempo, descobrir o que Woody estaria fazendo nos anos após os eventos de Toy Story 4.
Harris explicou que a intenção era “empurrar os limites para entender” como a história funcionaria com foco em Jessie. A ideia de explorar os “brinquedos perdidos” como eixo narrativo central orientou esses rascunhos. Mas, segundo a própria equipe, eles sempre souberam que Woody voltaria: “sabíamos que, claro, o Woody vai estar no filme”, confirmou Harris.
O exercício, portanto, funcionou mais como uma ferramenta de desenvolvimento do que como uma ameaça real à presença do personagem. A ausência temporária nos roteiros serviu para a Pixar encontrar a razão certa para trazê-lo de volta — e não apenas incluí-lo por obrigação comercial.

Jessie é quem abre a porta para Woody, e isso muda o peso da relação entre os dois
A lógica narrativa que justifica o retorno de Woody é mais sutil do que parece. Em Toy Story 5, Jessie começa a sentir insegurança ao perceber que Bonnie, agora com oito anos, está cada vez mais absorvida pelo tablet de alta tecnologia Lilypad. Diante dessa crise, ela busca ajuda — e não é em Buzz Lightyear que ela pensa primeiro.
Collins descreveu a lógica da personagem em entrevista:
De repente, a pessoa para quem ela vai olhar — mesmo com o Buzz do lado dizendo ‘Oi, estou aqui’ — é o Woody. Isso começou a parecer muito bonito: que eles, é claro, manteriam uma conexão, e que ele seria alguém para chamar a qualquer hora. Em uma crise, é para ele que ela ligaria. Isso mostra a sutileza das relações entre eles. É isso que o Woody é para ela, enquanto Buzz é algo completamente diferente.
Lindsey Collins, produtora de Toy Story 5, em entrevista ao ScreenRant (em tradução livre)
Essa dinâmica importa porque reposiciona Woody dentro da franquia. Ele não é mais o líder dos brinquedos de Bonnie — é uma referência emocional para outros brinquedos, alguém que existe além da relação com um dono específico. É uma evolução direta do arco que Toy Story 4 começou.
Tom Hanks vê uma nova identidade para Woody depois de Toy Story 4
Tom Hanks foi direto sobre o que motivou sua visão do personagem neste novo capítulo. Para ele, Woody passou de um brinquedo definido pelo vínculo com seu dono para alguém com uma missão mais ampla: devolver a brinquedos descartados a mesma razão de viver que ele mesmo teve.
O gênio absoluto de ter aquele walkie-talkie ali, para que ele pudesse manter contato com as pessoas que ama e que o amam. Aí está. Isso é uma questão importante, e não muda o que ele é — ele não disse ‘Ei, não posso ajudar, estou ocupado demais resgatando brinquedos perdidos.’ Ele disse: ‘Quando você precisar de mim? Estarei lá o mais rápido que puder.’ Isso é muito bom.
Tom Hanks, em entrevista ao ScreenRant (em tradução livre)
O detalhe do walkie-talkie — que permite a Woody permanecer conectado a Bo Peep e aos brinquedos que ama enquanto ainda atende chamados de ajuda — é o tipo de solução narrativa que a Pixar usa para justificar a presença de um personagem sem forçar uma regressão de arco. Woody não abandona o que conquistou em Toy Story 4; ele expande.
O primeiro teaser sem Woody foi um sinal de que a Pixar levou o experimento a sério
Quando o primeiro teaser trailer de Toy Story 5 foi lançado sem nenhuma aparição de Woody, parte do público interpretou como confirmação de que o personagem havia sido de fato cortado. Essa leitura não era infundada: Andrew Stanton, co-roteirista e diretor, havia declarado publicamente semanas antes que o plano original realmente não incluía o cowboy.
O histórico da franquia também alimentava essa possibilidade. Lightyear (2022) gerou divisão justamente por abrir mão das conexões com os filmes originais. A série Forky Asks a Question, do Disney+, foi além: nem Woody nem Buzz apareceram. A Pixar já havia demonstrado que conseguia operar no universo Toy Story sem seus protagonistas históricos.
A diferença em Toy Story 5 é que a equipe testou essa possibilidade no desenvolvimento do longa principal — e concluiu que a presença de Woody tornava o filme mais forte, não apenas mais familiar.
O que isso significa para a franquia
A decisão revertida da Pixar tem uma consequência editorial clara para o futuro da franquia: Woody deixa de ser um personagem preso à estrutura “brinquedo precisa de dono” e passa a funcionar como um elemento móvel, disponível para histórias que não dependem de uma criança específica como âncora emocional.
Isso abre espaço narrativo real para possíveis continuações — sem necessariamente repetir a fórmula dos quatro primeiros filmes. Toy Story 5 estreou com aprovação de 94% no Rotten Tomatoes e projeções de abertura de ao menos US$ 150 milhões nas bilheterias americanas, segundo a Deadline, o que sugere que a aposta na volta de Woody foi bem recebida pela crítica. Se o público confirmar esse desempenho, a Pixar terá um argumento comercial sólido para explorar essa nova versão do personagem por mais tempo.
Por ora, Andrew Stanton já indicou que ainda não há definição sobre Toy Story 6 — e qualquer projeto futuro permanece sem confirmação oficial. Mas a jornada de Woody em Toy Story 5 deixa claro que a Pixar encontrou uma forma de mantê-lo relevante sem precisar reiniciar o que foi construído em mais de três décadas de franquia.
Fonte principal: screenrant.com. Informações complementares: Deadline, Rotten Tomatoes.









