Nate Jacobs chegou ao final mais brutal possível em Euphoria. No episódio 7 da 3ª temporada, exibido no início de 2025 pela HBO Max, o personagem interpretado por Jacob Elordi é enterrado vivo após não conseguir saldar uma dívida milionária com Naz. O desfecho — que inclui tortura, amputação e morte por serpente dentro de um caixão — marca um ponto de virada tão radical que o próprio ator decidiu comentar sobre a experiência pela primeira vez.

O que torna esse momento particularmente interessante é como Elordi abraça a brutalidade narrativa em vez de lamentá-la. Em um vídeo pós-episódio, o ator não apenas validou as escolhas criativas da série, mas também ofereceu reflexões sobre o arco de Nate que revelam uma compreensão profunda do personagem. Para Elordi, a morte não é arbitrária ou excessiva — é o ponto de chegada natural de um personagem que construiu sua existência sobre mentiras, manipulação e violência.
Uma morte que faz sentido narrativo
“É uma forma legal de morrer. Nate é alguém que cometeu muitos erros e fez escolhas muito sombrias. É interessante ver tudo chegando a esse ponto,” disse Elordi no vídeo. A declaração é crucial porque captura o que Euphoria faz melhor: não oferece redenção fácil ou finais que equilibrem o moral. Nate explorou pessoas — em particular Cassie, sua esposa na 3ª temporada — e quando o ciclo de violência retorna para ele na forma de Naz, não há salvação à vista.
O contexto importa. Antes de ser enterrado, Nate sofre uma espancamento brutal no episódio 3, onde perde um dedo do pé. Esse dano físico não é meramente estético — é a série marcando o corpo do personagem como campo de batalha onde suas transgressões se tornam visíveis. A dívida de meio milhão de dólares que o mata é apenas o catalisador para uma punição que começou muito antes.
Os detalhes das gravações revelam a seriedade do processo
Elordi foi honesto sobre as condições das gravações da cena dentro do caixão. “Eu precisava entrar naquele caixão. Meus ombros encostavam nas laterais e eu não conseguia mover os braços. Depois eles fechavam a tampa e tudo ficava escuro,” descreveu o ator. Apesar do potencial claustrofóbico extremo, Elordi manteve a leveza: “Na verdade, foi bem tranquilo lá dentro.”
O ator ainda brincou sobre a cascavel usada nas cenas, revelando que o animal estava mais interessado em dormir do que em parecer ameaçador. “Ela era super fofa. Ela ficou quietinha ao meu lado. Mas estava com muito sono. Eu precisei cutucar ela para fazê-la subir.” Essa diferença entre o terror visual na tela e a realidade bucólica das gravações é típica de produções de alto padrão, onde efeitos, edição e timing constroem a ilusão de perigo.
O peso emocional de encerrar um arco
O que torna a resposta de Elordi genuinamente tocante é o reconhecimento do peso que Euphoria representou em sua trajetória profissional e pessoal. “É algo agridoce. Essa série é uma parte enorme não apenas da minha carreira, mas da minha vida. Foi incrível fazer parte disso,” admitiu o ator. Essa é uma das poucas vezes em que ele permite que a melancolia atravesse o tom — a série termina para Nate, mas também encerra um capítulo significativo para o homem por trás do personagem.
A morte de Nate não é apenas o fim de um antagonista complexo. É a conclusão lógica de uma série que nunca ofereceu a ilusão de que escolhas ruins teriam finais felizes. Jacob Elordi compreendeu isso e, em suas palavras, validou que Euphoria continuou fiel ao seu próprio DNA narrativo — brutal, sem piedade, e absolutamente sem remorso.









