Em um mercado lotado de estreias, Project Hail Mary (Project Hail Mary) mantém fôlego raro. A aventura espacial estrelada por Ryan Gosling arrecadou estimados US$ 53,1 milhões no segundo fim de semana nos Estados Unidos.
O desempenho representa recuo de só 34% em relação à estreia de US$ 80,5 milhões, marca que já havia quebrado recorde de melhor abertura da Amazon MGM e de maior lançamento de março para um longa fora de franquia.
Queda modesta consolida novo feito de bilheteria
Com a nova parcial, Project Hail Mary conquista a segunda maior segunda semana já vista para um filme original de ficção científica, atrás apenas de Avatar (US$ 75,6 milhões em 2009). O longa ainda se posiciona como a 12ª menor queda entre produções do gênero que não envolvem super-heróis, superando títulos como Inception e Perdido em Marte.
Para efeito de comparação, o terror-comédia They Will Kill You, principal novidade da rodada, deve terminar o mesmo período com tímidos US$ 5 milhões, apesar de estar em 2 778 salas. O contraste ressalta a força da space opera dirigida por Phil Lord e Christopher Miller, dupla reconhecida pela energia visual de Uma Aventura LEGO e Anjos da Lei.
Direção e roteiro sustentam boca a boca positivo
Grande parte dessa retenção vem do equilíbrio entre espetáculo e humanidade aplicado pela dupla de diretores. Lord e Miller transformam a narrativa técnica do livro de Andy Weir em set pieces dinâmicas sem sacrificar o humor característico dos dois. A câmera explora a vastidão do espaço com luz difusa e planos longos, mas volta sempre ao rosto de Gosling para lembrar que a aposta do roteiro de Drew Goddard é a empatia.
Goddard, aliás, comprime 480 páginas em 156 minutos sem perder os detalhes científicos que cativaram leitores de O Marciano. A estratégia foi valorizar a jornada de redenção do protagonista Ryland Grace, professor desacreditado que encontra no vazio sideral uma chance de salvar não só a Terra, mas a própria reputação. Essa decisão reforça a identificação do público e, consequentemente, o boca a boca nas redes.
Ryan Gosling comanda elenco enxuto e eficiente
Vivendo um cientista solitário, Gosling sustenta praticamente todas as cenas. O ator alterna leveza e desespero com domínio de timing, resultado de anos entre blockbusters e dramas intimistas. Sua performance conversa com a construção de heróis falhos, similar à que pode surgir em Artemis, próxima adaptação de Andy Weir cotada para ter Jenna Ortega no papel principal.
Ao lado dele, Sandra Hüller entrega frieza calculada como Eva Stratt, a oficial que conduz a missão. Ainda que tenha menos tempo em tela, a alemã ajuda a demonstrar o peso político do projeto espacial. O antagonismo sutil entre os personagens é motor dramático indispensável, sobretudo nos momentos em que a narrativa se afasta da ação e mergulha em dilemas morais.
Imagem: Jathan Olley
Panorama de mercado favorece a produção da Amazon MGM
Os números conquistados durante a segunda semana também refletem cenário competitivo, mas sem rivais diretos no nicho de ficção científica para maiores audiências. Enquanto o blockbuster domina 4 300 salas, animações como Hoppers dividem famílias e o terror They Will Kill You falha em atrair jovens adultos.
Essa combinação derrubou o índice de saturação e impediu fuga do público, fenômeno diferente do registrado por produções que caem rápido, como a sequência de suspense analisada em Pronta ou Não 2, que despencou 56% na mesma fase. Para a Amazon MGM, o resultado reforça a estratégia de investir em material literário com prestígio, fortalecendo o line-up após aquisições de peso.
Vale a pena assistir a Project Hail Mary?
Se bilheteria diz algo sobre qualidade, a permanência do público sugere experiência envolvente. A direção de Lord e Miller encontra equilíbrio entre diversão e verossimilhança científica, enquanto o roteiro de Goddard facilita a compreensão do jargão espacial.
Some-se a isso a atuação controlada de Ryan Gosling e o apoio seguro de Sandra Hüller, e o resultado é uma aventura acessível tanto para fãs de ficção hard science quanto para quem busca grandes emoções. No fim, Project Hail Mary confirma, com números e aplausos, que ainda é possível lançar blockbusters originais de alcance global.
Para o leitor do Salada de Cinema, fica o registro: a missão espacial quebrou recordes, segurou público e, ao que tudo indica, seguirá como referência de sucesso em 2026.









