A gaveta de Hollywood volta a se abrir para Mack Bolan. Depois de tentativas frustradas que atravessaram cinco décadas, a série de livros The Executioner finalmente encontrou novo comandante: Shane Black, roteirista de Máquina Mortífera e diretor de Dois Caras Legais.
A confirmação chegou via The Hollywood Reporter e coloca o cineasta não só no teclado do roteiro, mas possivelmente também na cadeira de diretor, reacendendo o projeto que acumula adiamentos desde 1972.
Adaptação de The Executioner ganha novo fôlego
The Executioner nasceu em 1969, criado por Don Pendleton, mas logo ganhou dezenas de outros autores. Entre romances regulares e edições duplas Super Bolan, somam-se 464 livros principais e 178 suplementos publicados até 2020, ritmo que por muito tempo foi mensal.
A trama acompanha o veterano do Vietnã Mack Bolan em sua guerra particular contra máfias e, depois, grupos terroristas, mecanismo narrativo que lembra franquias como Jason Bourne ou John Wick. A Sony comprou todos os direitos da coleção, fator decisivo para dar coesão ao futuro universo cinematográfico.
Desde o anúncio original, várias versões foram cogitadas: William Friedkin chegou a escrever um rascunho que colocaria Sylvester Stallone e Cynthia Rothrock como protagonistas; anos depois, Shane Salerno, pela Warner, tentou levar Bradley Cooper para o papel principal. Nenhuma saiu do papel.
Agora, com Black à frente e a produção nas mãos de Joel Silver, Don Murphy e Susan Montford (Angry Films), o projeto volta a ganhar tração. Silver e Black já colaboraram em Máquina Mortífera, O Último Boy Scout, Beijos e Tiros e Dois Caras Legais, parceria que costuma se converter em ação envolvente e diálogos cortantes.
Shane Black junta forças com velhos conhecidos
O roteiro de The Executioner será escrito em trio: além de Black, retornam Anthony Bagarozzi e Charles Mondry, que assinaram com ele o inédito Dirty Money. A sintonia prévia reduz a curva de aprendizado e favorece a manutenção do estilo rápido que marcou os trabalhos anteriores.
No comando da produção, Silver traz histórico de blockbusters explosivos. Máquina Mortífera transformou Mel Gibson e Danny Glover em dupla clássica; Duro de Matar impulsionou Bruce Willis; e Matrix redefiniu o gênero. Esses cases reforçam a possibilidade de The Executioner ganhar fôlego para várias continuações, algo que o volume de material literário certamente comporta.
Ainda não há elenco definido, tampouco janela de lançamento. As centenas de histórias permitem múltiplas portas de entrada, seja começando pela origem militar de Bolan ou mergulhando direto em suas operações globais.
Comparações imediatas surgem com outras iniciativas recentes de longa duração. A Netflix, por exemplo, já garantiu a sequência City Hunter 2 para 2027, prova de que o mercado busca propriedades extensas o suficiente para sustentar sagas.
Imagem: Divulgação
A longa jornada de Mack Bolan até o cinema
Quando Pendleton publicou Guerra contra a Máfia em 1969, talvez não imaginasse que o mesmo protagonista protagonizaria mais de 600 livros, contando spin-offs. O apelo do justiceiro que opera fora da lei cresceu nos anos 70, período em que Friedkin tentou a primeira adaptação.
Nos anos 80 e 90, a estética muscular de Stallone parecia casar com o perfil de Bolan, mas agendas e direitos autorais emperraram o avanço. Na virada do milênio, a prioridade dos estúdios migrou para super-heróis, e The Executioner voltou à geladeira.
A reboque do sucesso de John Wick, Hollywood reacendeu o interesse em assassinos solitários. Foi neste contexto que Shane Salerno apresentou um tratamento a Warner Bros. Ainda assim, o martelo não foi batido. A compra integral dos direitos pela Sony mudou o cenário: com a burocracia resolvida, restava encontrar um realizador que conciliasse experiência em ação e afinidade com personagens sarcásticos. Shane Black encaixou no perfil.
Por que o currículo do diretor encaixa no projeto
Black escreveu Máquina Mortífera aos 23 anos, redefinindo o buddy cop ao inserir humor seco e violência sem pudor. Depois, em Beijos e Tiros e Dois Caras Legais, exibiu domínio de diálogos ritmados e situações que transitam entre o noir moderno e o pastelão metalinguístico.
Como diretor, mostrou habilidade para coreografar tiroteios e manter ritmo narrativo. Mesmo O Predador, que dividiu opiniões, apresenta set pieces claras e compreensão da iconografia armamentista, elemento essencial para retratar a guerra particular de Bolan.
A parceria prévia com Bagarozzi e Mondry ajuda a alinhar tom e estrutura. A dupla roteirizou o reboot de Road House, lançado no Prime Video, que rapidamente liderou o streaming. Esse histórico de revitalizar marcas antigas dialoga com a missão de adaptar The Executioner.
No set, Black costuma privilegiar o timing dos atores, muitas vezes permitindo improvisos que enriquecem a química em tela. Foi assim com Robert Downey Jr. em Beijos e Tiros e com Ryan Gosling e Russell Crowe em Dois Caras Legais. Para Mack Bolan, cuja presença física e carisma silencioso dominam a narrativa, essa atenção ao desempenho promete ser diferencial.
Vale a pena ficar de olho?
The Executioner ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento, mas reúne fatores que atraem fãs de ação: um produtor com histórico de franquias duradouras, um roteirista-diretor especialista em misturar adrenalina e sagacidade, além de uma biblioteca de 464 histórias já testadas no mercado editorial. O Salada de Cinema seguirá acompanhando cada passo da produção enquanto aguarda novidades sobre elenco e cronograma de filmagem.



