Em apenas cinco dias de exibição, Dhurandhar: A Vingança (Dhurandhar: The Revenge) mostrou a que veio. A continuação do longa de 2025 somou expressivos US$ 81 milhões no mundo todo, marca que a coloca como a segunda maior abertura global de um filme indiano na história.
O feito impressiona ainda mais quando se lembra que a produção é classificada para maiores de 18 anos, possui 229 minutos de duração e chegou aos cinemas cercada de polêmica. Mesmo assim, a plateia abraçou a mistura de ação brutal e narrativa de vingança, impulsionando a bilheteria a níveis raramente vistos em Bollywood.
Estreia histórica impulsiona a bilheteria internacional
Segundo números divulgados pela Deadline, o fim de semana de estreia rendeu ao filme US$ 81 milhões, ficando atrás apenas de Pushpa 2: The Rule, que abriu com US$ 97,9 milhões em 2024. Nos Estados Unidos, A Vingança arrecadou US$ 10 milhões nos três primeiros dias e fechou os cinco dias com US$ 14 milhões, desempenho que a torna o segundo maior lançamento indiano no país — posto anteriormente ocupado por Baahubali 2 (US$ 10,4 milhões em três dias).
A performance coloca a produção como o título indiano de maior receita em 2026 até o momento e já a eleva ao décimo lugar entre as maiores bilheterias da história de Bollywood. O número reforça a presença global do cinema indiano, em linha com sucessos recentes como RRR e Baahubali: The Epic.
Roteiro e direção mantêm o ritmo frenético do original
Dirigido por Aditya Dhar, que também assina o roteiro ao lado de Ojas Gautam, o longa mantém o estilo elétrico apresentado em 2025. A trama acompanha um agente do governo infiltrado em organizações criminosas de Karachi, pegando emprestados eventos reais como os ataques de 26/11 e a Operação Lyari para dar verossimilhança ao enredo.
A direção de Dhar aposta em sequências de ação extensas, coreografadas com precisão e recheadas de tensão. Mesmo com quase quatro horas de duração, o cineasta equilibra explosões, lutas corpo a corpo e momentos de respiro dramático, sustentando o interesse do público do início ao fim.
Atuação e construção de personagens sustentam o espetáculo
Ranveer Singh veste novamente o papel do protagonista Hamza Ali Mazari (agora sob a identidade de Jasikirat Singh Rangi) e entrega energia de sobra, alternando carisma e ferocidade em cenas de combate. Ao seu lado, Akshaye Khanna interpreta o enigmático Rehman Dakait, criminoso cuja presença ameaçadora domina boa parte da narrativa.
O elenco de apoio não fica para trás. Mesmo em papéis secundários, nomes como Rehman Dakait trazem camadas interessantes aos antagonistas, reforçando a sensação de que ninguém está completamente a salvo no submundo retratado. Essa força coletiva ajuda a explicar por que, apesar de críticas mistas, a franquia mantém alta popularidade.
Imagem: Divulgação
No mercado internacional, a discussão sobre o impacto mundial de elencos carismáticos reacende, mostrando que presenças fortes na tela continuam decisivas para conquistar platéias fora do eixo de origem.
Recepção crítica, controvérsias e proibições
Apesar do retorno financeiro estrondoso, A Vingança divide opiniões entre especialistas. A fotografia elegante e a história de redenção encontram elogios frequentes, mas a suposta lente nacionalista com que certos eventos são apresentados gera debate acalorado.
Essa controvérsia levou a proibições em diversos países do Conselho de Cooperação do Golfo, repetindo o que ocorreu com o primeiro Dhurandhar. A barreira, contudo, não freou o entusiasmo em outros territórios, onde o público se mostrou disposto a encarar o longo tempo de projeção em troca de espetáculo visceral.
Para o Salada de Cinema, o caso ilustra como blockbusters indianos conseguem driblar fronteiras culturais, apostando no idioma universal da ação. Filmes recentes — de animações da DreamWorks a suspenses da Netflix — já provaram que narrativas globais circulam melhor quando oferecem adrenalina e personagens marcantes.
Vale a pena assistir?
Dhurandhar: A Vingança entrega exatamente o que promete: sequência de ação grandiosa, herói carismático e vilões implacáveis embalados por fotografia caprichada. Quem busca trama densa e discussões políticas talvez estranhe certos atalhos narrativos, mas o pacote de entretenimento se mantém sólido e, pelos números de bilheteria, irresistível para a maioria.
Com atuações intensas, direção segura e ritmo que desafia as quase quatro horas de duração, a continuação confirma que o cinema de Bollywood pode concorrer em pé de igualdade com superproduções ocidentais. Para fãs de ação e vinditas cinematográficas, a resposta é simples: vale, sim, cada minuto.









