Tommy Shelby passou seis temporadas na televisão fugindo de inimigos, traumas de guerra e da própria consciência. No longa Peaky Blinders – O Homem Imortal, essa corrida chega ao fim em clima de acerto de contas. O roteiro amarra pontas históricas e pessoais, entrega mortes marcantes e sela o legado da família Shelby.
O Salada de Cinema reuniu todos os acontecimentos do clímax para explicar, em detalhes, como o filme resolve as principais questões — e por que o título afirma que nenhum homem é realmente imortal.
A última missão de Tommy Shelby
No início do ato final, o protagonista descobre que Beckett, agente infiltrado a serviço dos nazistas, pretende sabotar a economia britânica durante a Segunda Guerra Mundial com uma remessa de libras falsas. A revelação coloca os Peaky Blinders novamente no centro de uma trama geopolítica, tema recorrente desde as primeiras temporadas da série.
Tommy reage da única maneira que conhece: organizando um ataque frontal. Mesmo ferido por tiros no torso ao longo do confronto, ele mantém o foco suficiente para derrubar Beckett com um disparo certeiro na cabeça, encerrando a ameaça financeira e, ao mesmo tempo, vingando a morte de Ada Shelby, executada pelo vilão momentos antes.
Mortes que mudam o jogo
Três perdas selam o tom trágico do longa. A primeira é a de Ada, abatida ao tentar proteger o sobrinho Duke. A segunda é a do próprio Beckett, demonstrando que a violência de Tommy continua implacável mesmo à beira da morte. Finalmente, o roteiro entrega a cena mais aguardada: Tommy, sem possibilidade de sobrevivência, pede ao filho que finalize o serviço.
O pedido resume a essência do personagem. Ele não aceita ser vítima passiva; prefere escolher o desenlace. O disparo de Duke concretiza a transição de poder dentro da gangue, marcando o ponto de virada na mitologia da franquia.
Duke Shelby assume o legado
Até então manipulado por Beckett, Duke vê o mundo desabar com a morte de Ada e a agonia do pai. A partir desse choque, decide tomar partido dos Blinders, luta ao lado de Tommy e, por fim, cumpre o desejo do chefe da família ao apertar o gatilho.
Imagem: Peaky Blinders O Hom Imortal
O ato funciona como rito de passagem para o personagem. Ao aceitar a herança criminosa, ele simbolicamente torna o clã Shelby “imortal” — não no corpo de Tommy, mas na perpetuação das práticas e do poder acumulados desde Birmingham. Esse ponto ganha ainda mais peso quando o longa revela, em flashback, que Arthur Shelby já havia sido morto anos antes pelo irmão, durante um surto de violência que isolou Tommy emocionalmente.
Funeral cigano e o sentido do título
Com o protagonista morto, o filme encerra a narrativa em ritmo de luto. O corpo é colocado em uma carroça, empurrada até uma pira em chamas, retomando as raízes ciganas mostradas na série. A produção reforça que, embora o corpo arda, a história de Tommy atravessa gerações — daí a leitura simbólica de “O Homem Imortal”.
O roteiro sublinha que a verdadeira permanência está nas marcas deixadas: um império erguido a partir de estratégias políticas, alianças controversas e violência constante. Assim, o filme ecoa outras produções que também discutem o preço do poder, como a minissérie Emergência Radioativa, que analisa consequências sistêmicas de decisões extremas.
Vale a pena assistir?
Peaky Blinders – O Homem Imortal conclui uma das trajetórias mais populares da TV recente sem abrir margem para dúvidas. Ao entregar um clímax centrado em honra, herança familiar e inevitabilidade do fim, o longa proporciona fechamento definitivo e respeita o peso dramático que sempre definiu Tommy Shelby.









