Magia, criaturas lendárias e corações acelerados formam uma mistura tão sedutora que o termo “romantasy” passou a reinar em redes sociais literárias como BookTok. O sucesso de livros recentes, caso de “Fourth Wing” e “ACOTAR”, reacendeu o apetite por narrativas em que feitiços e beijos dividem o protagonismo.
Na TV, essa combinação não é novidade. Basta lembrar de produções que tratam o amor como força capaz de atravessar guerras, maldições ou séculos de existência. A seguir, o Salada de Cinema apresenta dez séries que dominam o gênero ao equilibrar atuações carismáticas, roteiros engenhosos e direção estilosa.
Por que a mistura de romance e fantasia prende tanto o público?
Em qualquer narrativa, o elemento fantástico oferece escapismo: dragões, anjos ou viagens temporais expandem a imaginação. Já o romance adiciona vulnerabilidade imediata, facilitando a conexão emocional. Quando esses dois mundos colidem, surgem conflitos como amores proibidos ou inimigos que se tornam amantes, tópicos que impulsionam a curiosidade episódio após episódio.
A televisão potencializa esse apelo graças ao formato seriado: há tempo para construir universos complexos e desenvolver sentimentos de forma gradual, algo essencial para se comprar a ideia de casais separados por magia, linhagens rivais ou maldições seculares.
Os 10 melhores seriados de romantasy
- The Vampire Diaries (2009-2017, 8 temporadas) – A adaptação dos livros de L. J. Smith encontrou no trio Nina Dobrev, Paul Wesley e Ian Somerhalder um motor dramático quase inesgotável. Sob a batuta dos criadores Kevin Williamson e Julie Plec, o roteiro equilibra folclore sobrenatural e triângulo amoroso com habilidade, sustentando spin-offs que comprovam seu legado.
- A Descoberta das Bruxas (A Discovery of Witches, 2018-2022) – Teresa Palmer e Matthew Goode traduzem em química pura o romance proibido entre bruxa e vampiro criado por Deborah Harkness. A direção, que alterna Oxford e Veneza, favorece a atmosfera gótica sem sacrificar a intimidade das cenas.
- Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire, 2022- ) – Jacob Anderson e Sam Reid entregam interpretações nuançadas que revisitam o clássico de Anne Rice sob olhar contemporâneo. A série não poupa o espectador de conflitos tóxicos, e a fotografia noturna realça o tom melancólico.
- Outlander (2014-2026, 8 temporadas) – Criada por Ronald D. Moore, a produção mescla viagem no tempo e drama histórico. A entrega física de Caitríona Balfe e Sam Heughan torna verossímil um amor capaz de desafiar guerras e séculos.
- Once Upon a Time (2011-2018, 7 temporadas) – Adam Horowitz e Edward Kitsis reciclam contos de fadas com viés moderno. Lana Parrilla rouba a cena como a Rainha Má, enquanto a série explora o conceito de “amor verdadeiro” em múltiplas camadas narrativas.
- Pushing Daisies (2007-2009, 2 temporadas) – Sob direção criativa de Barry Sonnenfeld, Lee Pace e Anna Friel constroem uma história de toque impossível tão terna que dispensa cenas quentes para comover. A paleta de cores vibrante reforça o clima de fábula.
- True Blood (2008-2014, 7 temporadas) – Alan Ball leva o erotismo às alturas ao colocar vampiros no cotidiano sulista dos EUA. Anna Paquin, Stephen Moyer e Alexander Skarsgård comandam um elenco que abraça o excesso, fazendo da série um festival de paixões e litros de sangue falso.
- Shadow and Bone (2021-2023, 2 temporadas) – Jessie Mei Li e Archie Renaux personificam o arquétipo amigos-que-viram-amantes com sutileza. A showrunner Eric Heisserer traduz o universo “Grishaverso” para a tela com cenas de batalha iluminadas – literalmente – pelos poderes da protagonista.
- My Lady Jane (2024, 1 temporada) – Emily Bader e Edward Bluemel encarnam um casamento arranjado que vira parceria improvável nesta sátira de época, dirigida por Jamie Babbit. Apesar de ter sido cancelada, a proposta de humanos que viram animais confere frescor ao subgênero.
- Shadowhunters (2016-2019, 3 temporadas) – Baseada em “Os Instrumentos Mortais”, a série brilha quando Katherine McNamara e Dominic Sherwood contracenam pensando serem irmãos. A tensão incestuosa, logo revertida, cria um “amor proibido” que rende boas cenas de ação coreografadas.
Destaques de atuação, direção e roteiro
O que une títulos tão distintos é a entrega dos elencos. De Ian Somerhalder acentuando o charme perigoso de Damon Salvatore a Sam Reid compondo um Lestat teatral, a performance é a âncora emocional que sustenta dragões imaginários ou pedras de viagem temporal.
Na sala dos roteiristas, notas fundamentais do romance clássico – destino, sacrifício, ciúme – dialogam com dilemas modernos, como identidade e consentimento. Esse ajuste fino explica o êxito de produções que, assim como outras séries de fantasia que crescem após o primeiro ano, encontram o tom exato entre o épico e o íntimo.
Imagem: Warner Bros. Televisi Studios via MovieStillsDB
Tendências que mantêm o romantasy em alta
Além das redes sociais literárias, plataformas de streaming buscam constantemente histórias com potencial de fandom. O romantasy oferece justamente esse terreno fértil: criaturas diferenciadas geram colecionáveis, casais “shippáveis” dominam tag viral e as reviravoltas semanais alimentam teorias.
Outro ponto é a flexibilidade do subgênero. Pode-se migrar do western vampiresco de True Blood para a estética colorida de Pushing Daisies sem perder o fio emocional. Essa capacidade de renovação garante espaço a futuros lançamentos, tal qual as séries de super-heróis previstas para 2026 pretendem fazer no campo da ação.
Vale a pena assistir?
Se a ideia de ver sentimentos extremos convivendo com feitiços, imortalidade ou reinos paralelos soa atraente, qualquer título da lista cumpre o prometido. Cada produção aposta em atuações comprometidas, direção consciente de sua estética e roteiros que equilibram conflito místico e pulsação romântica. Portanto, escolha o universo que mais combina com seu humor e prepare-se para maratonar – copo d’água em mãos, porque a mistura de paixão e magia costuma ser de tirar o fôlego.




