Predator: Badlands chegou ao streaming com a coragem de abandonar fórmulas conhecidas e entregar uma aventura centrada nos próprios Yautja. Só que, nos bastidores, o longa quase revisitou nomes bem familiares da ficção científica, incluindo o lendário Dutch de Arnold Schwarzenegger e o icônico Xenomorfo.
Em entrevista concedida durante o lançamento doméstico, o diretor Dan Trachtenberg detalhou como esses cameos foram planejados e por que acabaram ficando fora do corte final. A conversa também abriu espaço para elogios à dupla de protagonistas e aos roteiristas que redefiniram o tom da franquia.
Dan Trachtenberg afia a mira em novos caminhos para a franquia
Trachtenberg, que volta a comandar um filme da série após o elogiado Prey, deixou claro que sua prioridade era contar uma história pela ótica dos Predadores. O cineasta escreveu o roteiro ao lado de Patrick Aison e dos irmãos John e Jim Thomas, criadores do conceito original. Juntos, eles deslocaram a trama para 2055, levando a ação ao planeta Genna e livrando-se, em grande parte, da perspectiva humana.
Segundo o diretor, a primeira versão do script incluía uma sequência de hologramas em que Dek, o jovem caçador vivido por Dimitrius Schuster-Koloamatangi, analisava registros históricos. Nesse momento, Dutch, o Xenomorfo e até a criatura “backbiter” de Killer of Killers apareciam de relance. Porém, o diálogo era extenso e, após vários cortes, as figuras ficaram praticamente imperceptíveis. O realizador preferiu sacrificar o fan service a comprometer o ritmo.
Performances que sustentam a caçada: Dek e Thia em destaque
Mesmo sem a turma de participações especiais, Predator: Badlands sustenta-se no carisma de Schuster-Koloamatangi. O ator imprime vulnerabilidade ao “anão” do clã Yautja, criando um protagonista que contrasta com a imagem tradicionalmente imponente desses guerreiros. Sua fisicalidade comunica insegurança e, ao mesmo tempo, obsessão por reconhecimento, nuances raras de se ver em um Predador.
Elle Fanning assume o papel da androide Thia, um modelo Weyland-Yutani danificado que, apesar de falhas nos protocolos de empatia, demonstra humor involuntário e melancolia. Fanning evita exageros mecânicos e investe em pequenos glitches corporais, lembrando por vezes a espontaneidade que Jon Favreau incentiva em The Mandalorian and Grogu. A química entre ela e Schuster-Koloamatangi faz o espectador torcer por uma parceria improvável, mas convincente.
Cenas cortadas: como Dutch e o Xenomorfo quase apareceram
A polêmica dos cameos perdidos ganhou força quando Trachtenberg confirmou que testou, em pré-visualização, projeções bem nítidas de Dutch e do Xenomorfo. O objetivo era prestar um “aceno” a confrontos célebres que marcaram o imaginário do público. No entanto, a cena — ambientada na nave de Kwei, irmão de Dek — ficou longa demais e quebrou a tensão inicial da missão.
Imagem: Divulgação
O diretor relata que manteve apenas um holograma de Naru, heroína de Prey, caminhando com o arco em punho. A escolha reforça o recado de que o universo compartilhado continua ativo, mas sem roubar o protagonismo do novo arco narrativo. Para Trachtenberg, repetir a aliança Predador-humano que já apareceu em Alien vs. Predator soaria previsível: “A gente já viu isso. O inédito é deixar as criaturas guiando totalmente a história”.
Futuro da saga: o que o diretor guarda para Naru e companhia
Trachtenberg confidenciou que prefere reservar participações mais robustas de Naru para outro projeto, possivelmente Prey 2. Ele acredita que esgotar todas as fichas agora limitaria ideias frescas para expansões posteriores. Ao mesmo tempo, o cineasta assinou um acordo de três anos com a Paramount, onde desenvolve títulos originais e, paralelamente, pensa em novos capítulos para a franquia Predator.
Ainda sem cronograma oficial, Trachtenberg mencionou vontade de explorar a relação de Dek com a mãe e de retomar Dutch e Mike Harrigan, de Danny Glover, talvez em formato animado. A pluralidade de caminhos mantém o interesse dos fãs em alta e reforça o vigor comercial da marca, já garantida em home video e nas futuras edições em 4K UHD.
Vale a pena assistir Predator: Badlands?
Predator: Badlands entrega um olhar renovado sobre o mito dos Yautja ao colocar a lente no caçador e não na presa. A atuação sincera de Dimitrius Schuster-Koloamatangi e a precisão de Elle Fanning sustentam o enredo, enquanto Dan Trachtenberg comprova domínio sobre ritmo e atmosfera. Quem busca referências clássicas notará Easter eggs sutis; quem procura novidade encontrará um thriller de ficção científica que caminha com as próprias pernas. É um prato cheio — ou melhor, uma boa salada — para leitores do Salada de Cinema interessados em ver a franquia quebrar expectativas sem perder a identidade.









