Emerald Fennell colocou ponto-final nos rumores sobre uma possível sequência de Wuthering Heights, previsto para chegar aos cinemas em 13 de fevereiro de 2026. A cineasta, premiada por Bela Vingança e em evidência desde Saltburn, declarou que sua adaptação do romance gótico de Emily Brontë já está completa como experiência cinematográfica.
O longa, estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, cobre somente a trágica relação entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, deixando de fora a geração seguinte descrita no livro. Durante entrevista recente, Fennell disse que a densidade da obra original exige escolhas drásticas, reforçando que não pretende revisitar o material em outro filme.
A visão de Emerald Fennell para o clássico de Emily Brontë
Questionada sobre um eventual Wuthering Heights 2, a diretora respondeu em tom de brincadeira: “Mais Heights, mais Wuthering?”. Por trás da piada está uma decisão artística firme. Fennell enxerga o romance como “épico demais” para caber em duas horas, mas não se vê comprometida a expandir sua leitura pessoal em franquia. Na prática, ela preferiu concentrar-se na intensidade devastadora do primeiro amor entre Cathy e Heathcliff.
Segundo a própria cineasta, só haveria duas rotas fiéis ao texto de 1847: transformar o enredo em minissérie extensa ou selecionar trechos que conversam com o público contemporâneo. Optou pela segunda via. A roteirista confessa que se guiou pelas “coisas que o livro a fez sentir” — estratégia semelhante à de Chloé Zhao em Hamnet, drama shakespeariano que também promove uma leitura livre da fonte original.
Margot Robbie e Jacob Elordi: química à beira do penhasco
O coração do filme lateja no trabalho de Robbie e Elordi. A australiana, que também assina a produção, empresta vulnerabilidade e altivez a Catherine, navegando entre a efervescência juvenil e a culpa por escolher segurança financeira no casamento com Edgar Linton, vivido por Shazad Latif. Robbie investe em sutilezas de olhar para indicar o conflito interno de uma mulher dilacerada entre desejo e convenção social.
Elordi, por sua vez, aceita o desafio de interpretar Heathcliff, personagem frequentemente romantizado e, ao mesmo tempo, repleto de violência latente. O ator explora pausas calculadas, modulando fúria contida até explodir em arroubos viscerais. A química com Robbie sustenta o fio narrativo: cada encontro rouba o fôlego e cimenta a tragédia iminente. Críticos já apontam o desempenho de ambos como motor emocional do projeto.
Roteiro enxuto, intensidade máxima
A estrutura dramática condensada por Fennell abandona a cronologia linear do romance e embaralha lembranças de infância, ciúmes e paixão adulta. Esse formato quebra expectativas de quem conhece a saga completa, mas valoriza o ritmo febril que a diretora persegue desde seu curta Careful How You Go. O roteiro, creditado à própria Fennell ao lado de Emily Brontë, aposta em diálogos cortantes e silêncios mais eloquentes que palavras.
Imagem: Divulgação
Além disso, a montagem fragmentada reforça a atmosfera opressora dos charcos britânicos, filmados em tons acinzentados pelo diretor de fotografia James Friend. O minimalismo narrativo distancia o longa de adaptações anteriores ao se recusar a explicar cada motivação. Para alguns, trata-se de ousadia saudável; para outros, o resultado parece “uma versão branda” do material original, crítica semelhante àquela feita pelo portal Gregory Nussen em avaliação recente.
Recepção do público e controvérsias
Com 66 % de aprovação inicial no Rotten Tomatoes, Wuthering Heights deve liderar a bilheteria no lançamento, impulsionado pela fama de Robbie e pelo apelo do romance gótico. Ainda assim, o projeto não escapou de polêmica. Parte da imprensa acusa a produção de “branqueamento” ao escalar Elordi, ator branco e australiano, para um personagem frequentemente interpretado como homem racializado. Fennell não comentou diretamente o tópico, mas críticos lembram que Heathcliff nunca teve origem étnica claramente definida no texto de Brontë.
Em paralelo, o envolvimento de Robbie reacende a curiosidade sobre seus próximos passos no cinema. Produtores recentemente citaram a atriz em negociações para a aventura Piratas do Caribe 6, movimento que pode ampliar ainda mais seu alcance comercial. Dessa forma, mesmo sem continuação prevista, a adaptação de Fennell permanece assunto quente entre cinéfilos — inclusive para o Salada de Cinema, que acompanha cada rumor de bastidores.
Vale a pena assistir Wuthering Heights?
Para quem busca releitura visceral de um clássico, o filme entrega atuações magnéticas, visual sombrio e ritmo elétrico. A ausência do arco da segunda geração não compromete a experiência, desde que o espectador aceite mergulhar na espiral de obsessão entre Cathy e Heathcliff e deixe para trás expectativas de fidelidade total ao romance. Em suma, Wuthering Heights de Emerald Fennell funciona como carta de amor — e de dor — aos sentimentos extremos que movem a literatura gótica.



